Daniel Campos

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Encontrados 150 textos. Exibindo página 13 de 15.

01/06/2013 - Noite bêbada

A noite segue de salto alto pelos ladrilhos estrelados. A lua dança rumba numa boate de esquina. Cavalheiro como poucos, o meteorito passa discreto sem demonstrar perigo. Um mendigo, que toca sete instrumentos, passa horas na sarjeta sem conseguir um aplauso sequer. Carros se cruzam o tempo todo sem que haja troca de abraços ou telefones, exceto quando há uma colisão. Os ratos, nos guetos, cochicham conversas intermináveis. Há certa altura não se sabe se há mais luzes ou mais cigarros acesos.
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07/03/2015 - Noite no mato

Quando o sol se abaixa no meio da mata e a bicharada começa a silenciar. O verde escure, a lua se apruma e o rio corre bem mais devagar. A montanha azul some na bruma da noite e as estrelas como vagalumes começam a piscar. A reza é pro dia logo clarear porque nas sombras do prefácio ao prólogo da vida tudo pode tombar. O medo no coração de um rouxinol é proporcional ao apetite da onça que caminha em segredo. A caverna do urso morcego só fica de ponta-cabeça. A esperança se perde no meio do capinzal e nada é igual na batalha da sobrevivência. Cresça e pode perder o pescoço. Encolha-se e pode virar apenas o osso. Todo mundo está de olho em todo mundo. O estômago da noite cala lá no fundo.


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03/05/2011 - Noite pingada

Noite fria. Cama vazia. Lua muda. Estrelas ácidas. Ratos no quintal. Flores secas. Vento cortante. Palpitação. Relógio quebrado. Corpo cansado. Cortinas fechadas. Pirilampos apagados. Santos caídos. Pernilongos aos pés do ouvido. Insônia e pesadelo. Atropelo. Retratos solitários. Sim e não. Horóscopo errado, signo virado. Passado amaldiçoado. Travesseiro sem rosto. Noite sem gosto.

Noite deserta. Nó que aperta. Grilos desafinados. Sonhos amarrados. Balé de baratas. Torneira pingando. Porta que range. Cochicho de almas. Sapatos sem pés. Notícias velhas. Cheiro de azedo. Cegueira e alucinação. Monólogo. Febre de coração. Vontade de falar. Medo de existir. Queixas e deixas. Ausência doída. Penumbra e breu. Anoiteceu nas gerais. Noite de ais, adeus.


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12/05/2011 - Noites de coquetel

Petiscos de nomes complicados acomodados em pratarias, bebidas oferecidas em copos de uma geometria suntuosa, garçons bailando pelo salão em traje de gala. O propósito de um coquetel não é alimentar, mas impressionar. Alimentar, na verdade, alimenta o ego, a inveja, a luxúria e tantos outros sentimentos menores. O que, na teoria, seria um espaço de confraternização torna-se um local de reparação. Repara-se na decoração, nas vestes, nas maquiagens, nas falas, nos passos, nos gestos e até nas ausências. ...
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10/08/2012 - Noivas de Oxalá

As noivas podem até não saber, mas se vestem para Oxalá. É ele quem reina no mundo dos panos brancos. Mais do que pureza virginal e votos de paz, o branco das noivas traduz a encantaria de Oxalá. O fim de uma vida e o começo de outra simbolizado pelas noivas de Oxalá, que se despedem de uma realidade individual e se entregam a sonhos coletivos. Mulheres que noivam e se casam cumprindo o destino traçado pelo cajado de Oxalá.

As noivas podem até não saber, mas são discípulas de Oxalá. Levam o branco e o amor aos olhos e corações alheios. Noivas do axé. Noivas da criação. Noivas que, assim como Oxalá, são movidas por uma energia tão antiga quão o tempo. Noivas com almas da cor vermelha como Iansã; rosa como Ewá; dourada como Oxum; azul como Iemanjá; lilás como Nanã, marrom-raiado como Obá, mas cobertas pelos panos brancos de Oxalá....
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20/03/2014 - Nome de batismo

O seu nome, como chave mestra ou mágica, abre todas as portas de mim de uma só vez, deixando-me sem trancas ou segredos. Como tocha silábica vai clareando meu caminho afastando sombras e assombrações. Retira-me a cegueira e me faz enxergar uma vida inteira que está aí para ser vivida. O seu nome não só me traz novos planos para minha existência, como está presente neles; aliás, é protagonista de todos eles. Está implícito em cada gesto ou texto apaixonado que saem de mim. Seu nome povoa o meu corpo material e também o sensorial. É combustível que me move para um lugar que sempre esteve presente em minha inconsciência, entre a imaginação e o desejo. O seu nome me provoca, me excita e me faz cócegas na alma, levando-me a rir como os anjos riem nas nuvens. Ele reaviva o meu destino esquecido dando nome ao que sinto, sim o seu nome batiza o meu amor.


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12/06/2011 - Nomes próprios e impróprios

Entre tantas Marias e Josés, Joões e Anas, Claras e Franciscos, é difícil encontrar alguém que esteja plenamente feliz com seu nome. Há sempre alguém que queria ser chamado de outra forma. Afinal, o nome é uma coisa íntima que deveria ser escolhido pelo próprio dono. Não importa se o nome é complicado ou simples, precisa sintetizar a alma de determinada pessoa. Nem sempre o que é bom para os pais é bom para os filhos. Por isso, a ditadura do batismo, deveria ser extinta. Deveríamos ficar sem nome, ser chamados por números, até conseguirmos escolher nossos nomes próprios. ...
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25/07/2016 - Nos ajunta

Ah meu amor para que alongar ainda mais a nossa separação se quando estamos juntos a felicidade escapa pelo ladrão? Ah meu amor por que me deixar longe se posso estar perto e mais perto reflorestando o seu deserto? Ah meu amor para que afastar nossos corpos que se chamam, nossos polos que se atraem, nossos corações que se amam, nossos olhos que caem um no outro depois de voar no nosso sonho mais alto? Ah meu amor por que ignorar o chamado que vem de dentro, por que contrariar o sentimento, por que lançar nosso destino ao vento? Ah meu amor acabe com essa distância, abre de uma vez a nossa nova estrada conjunta, por favor não mais nos separa, só nos junta e ajunta. ...
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07/08/2013 - Nós estamos aqui

Depois de tantas idas e vindas nós estamos aqui, neste mesmo local, em cada rosto, em cada nó de gravata ou de garganta, em cada guardado, cheirando a mofo ou não. Nós estamos aqui, vivos, mais que vivos, sobre-vivos como sobreviventes. Estamos aqui outra vez, mais uma vez, de vez. Estamos aqui com tudo o que deus nos deus e nos tirou ao longo dos anos. Aqui, estamos nós, de cara limpa e de alma suja ou vice-versa, conforme quiser. Estamos aqui como homem, como mulher, como bicho, como alma, como indivíduo, como descendente, como caça, como caçador, como abstração, como futuro do passado, como vida, como coletivo, como aprendiz, como espírito, como tentativa, como nação, como coração, como ser ou não ser. ...
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21/10/2010 - Nos meus braços

Nos meus braços lhe levei por campos e desertos. Nos meus braços lhe levei por metrópoles e vilarejos. Nos meus braços lhe levei por acidentes psicológicos e geográficos. Nos meus braços lhe levei por lugares nunca dantes habitados. Nos meus braços lhe levei por constelações romanas e gregas. Nos meus braços lhe levei para além dos véus de Maya. Nos meus braços lhe levei para o fim e o início do mundo. Nos meus braços lhe levei por terras sagradas e amaldiçoadas. Nos meus braços lhe levei para um tempo sem medo nem sofrimento. ...
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