Daniel Campos

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Encontrados 95 textos. Exibindo página 1 de 10.

13/05/2010 - Última chamada para o quadradistão

Vou selar o meu cavalo e partir imediatamente para o quadradistão. Lá não existe futebol. Pudera, tudo lá é quadrado. Isto é, não há espaço para a bola e para seus amantes. No quadradistão as pessoas não perdem seu tempo discutindo, brigando e teorizando sobre futebol. Lá ninguém obriga seus filhos a entrarem em escolinhas de futebol. Lá há espaço para as escolas de piano, de literatura, de dança... E as crianças não deixam de ser felizes por conta disso. No quadradistão um verso, um passo, um acorde, um beijo vale muito mais do que um gol. ...
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14/10/2013 - Último pedido

Quando eu morrer, que me cremem. Sou claustrofóbico demais para passar anos dentro de um caixão enterrado a sete palmos. Além disso, não gosto de cemitérios. É muito silêncio, muito choro, muita dor. Nunca sonhei em ter uma cova, uma lápide, um jazigo. Não sou planta de batata que precisa ser enterrada para brotar. Sou de ser semeado sobre a terra mesmo. Já viu alguém enterrando um poema, ainda mais um poema verde?

Ah, e que minhas cinzas sejam jogadas em alguma mata. Nada de guardarem a minha versão pó em uma urna. Quero ser lançado sobre algo verde, e com a devida urgência. Pode ser em um bosque, em um jardim, em um quintal... sob a sombra de um pé de mangueira ou jabuticabeira, minhas árvores e frutas favoritas. Porém, nada contra abacateiros, pitangueiras, goiabeiras, limoeiros... plantações de girassol, algodão, alfazema... ...
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10/01/2010 - Um amor condenado

Ela sabia que se amasse estaria condenada à morte. O amor sempre apareceu como pistoleiro em sua vida. Depressões, dores, tiros, facadas, socos, pontapés, agressões, palavrões, bebedeira, tentativas de suicídio, ameaças... todos os seus relacionamentos lhe traziam um quê de morte. Por mais inocente que fosse a paixão ela se transformava em algo assombroso, digno de filme de terror ou de boletim de ocorrência.

Ela tinha medo. Mas não conseguia deixar de gostar, de amar, de jogar. Gostava de se jogar de cabeça em seus romances. Era ciumenta demais. Era possessiva demais. E traia demais. Seu amor não tinha sentido, não se sustentava, mas ela vivia enchendo a boca para dizer que amava e, pior, amava demais. Enlouquecia seus namorados, noivos, amantes. A doçura dos beijos e o inferno das atitudes. ...
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06/11/2016 - Um amor mágico

Eu sinto uma saudade que não cabe em mim mesmo sem nunca ter ficado frente a frente com você. Sinto falta dos braços que nunca me abraçaram fisicamente falando. Nunca a vi de perto, mas é como se eu tivesse vivido a vida toda ao seu lado. Por mais que nos conhecemos ontem, nossas existências se encaixam como peças de um quebra cabeça tão complexo e, ao mesmo instante, tão fácil de completar. Eu te amo mesmo que não acredite que tenho ocorrido tempo e condições para haver qualquer amor entre nós. Eu não sei qual o cupido responsável por isso, mas devo parabenizá-lo, posto que a flecha foi certeira. Entreguei meu coração às mãos que ainda não tocaram as minhas. Desde que a conheci, o meu dia só amanhece com o seu bom-dia e somente consigo dormir quando avisto suas estrelas. Minha vida só faz sentido quando está sendo parte dela, e, por mais incrível que pareça, você tem conseguido, magicamente, ocupar todos os meus espaços. Inexplicavelmente, tenho na minha boca o gosto do seu beijo, no meu corpo o seu calor e na minha memória recordações do que ainda vamos viver. Mesmo sem nunca a ter visto ao vivo e em cores é como se eu a visse ao meu lado hoje e para sempre. ...
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Um ano (de naufrágio)

Um ano. Parece muito mais. Parece muito menos. Devo admitir que perdi as dimensões do tempo. Não sei, com exatidão, o que um ano significa. Mas os calendários acusam a passagem desses 365 dias. Quando cheguei aqui há um ano, cheguei tarde da noite, todo confuso, todo tonto, ardendo em lágrimas. Brasília foi se mostrar plástica e sentimentalmente a mim só ao amanhecer do dia seguinte. Um amanhecer de domingo. Domingo, o dia internacional da solidão. E por audácia do tempo, que insiste em duelar comigo, hoje é domingo. ...
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15/03/2011 - Um ano sem herói

Há exatos doze meses, entre a dor e o medo, descobri que heróis também morrem. Há um ano perdi aquele que povoou minha vida com a magia mais pura que se tem notícia – a imaginação. Há um ano perdi aquele que me fez acreditar que um homem pode ter superpoderes como voar, enfrentar exércitos, vencer o tempo. Há um ano perdi aquele que fazia o impossível virar possível num estalar de dedos. Há um ano perdi o herói de fé, de coragem, de força de vontade, de superação... Há um ano o herói, meio bruxo meio guerreiro, depois de 77 anos de luta e fantasia, fez-se adeus. ...
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01/10/2008 - Um atentado lingüístico

Agora é lei: o presidente bateu o martelo em relação as novas regras na língua portuguesa. Vamos ter que desaprender a escrever. Afinal, quem escreve errado saiu ganhando. Já imaginou escrever idéia sem acento? E abolir o trema dos textos? Mais do que uma questão fonética, o trema confere uma outra beleza ao texto. Uma beleza que, graças ao Lula, está praticamente extinta. É claro que restarão os românticos do trema, mas a tendência é eles desaparecerem um a um.

Há tanta coisa para ser feita e a maior autoridade do país resolve acabar com um inofensivo trema. Se ao contrário daqueles dois pontinhos horizontais fosse um colarinho branco, garanto que o Lula não teria mexido com ele. Pois é, o trema caiu. E com ele, alguns acentos agudos e circunflexos, os populares risquinhos e chapeuzinhos. Agora, o que vale é enjoo, abençoo, deem, leem. Há ou não a sensação de que as palavras estão peladas?...
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06/05/2008 - Um ato de fé

Carlos Drummond de Andrade já dizia que a confiança é um ato de fé, e esta dispensa raciocínio. O poeta estava certo. Confiar vem do latim con fides, isto é, com fé. A confiança, portanto, é uma questão de fé. Para além do universo da regilião, a fé é um exercício dinâmico de coragem. E coragem, como o próprio nome diz, é ter o coração na ação. Mesmo o coração tendo razões que a própria razão desconhece, com ele à frente superamos até o impossível.

Mas por que toco neste assunto? Simples, muitas vezes queremos mergulhar fundo em um projeto, mas nos falta confiança. Temos medo de nos entregar, de corpo e alma, a uma causa. Resultado: ficamos de pé atrás com a vida. E não há nada pior do que ficar neste estado. Tornamo-nos inseguros e tristes e a vida, por sua vez, emperra. Como é bom ver aquela criança que corre de braços abertos em direção à mãe ou ao pai, com a segurança de se jogar neles com a maior felicidade. Com o passar dos anos, o mundo nos endurece a tal ponto que essa cena deixa de existir. ...
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07/09/2010 - Um avô, um neto e as damas de setembro

- Alôôô!

- Oi seu Líbio, tudo bem com o senhor?

- Oi Daniel, que saudade! Falei agora mesmo com a sua avó que já ia muito tempo que a gente não se falava.

- Pois é, meu avô, a saudade fala mais forte. Que falta me faz o senhor.

- Tempos bons que não voltam.

- E como estão elas?

- Elas quem?

- Elas, as damas de setembro.

- Ah! Já sei do que está falando. Estão lindas.
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19/05/2011 - Um beijo

Um beijo. Um beijo pra derreter o gelo. Um beijo para passar um segredo. Um beijo para anunciar que chegou ou que vai partir. Um beijo de cheiro. Um beijo de sabor. Um beijo para mudar a cor da boca. Um beijo para gritar, para sussurrar, para calar. Um beijo para quebrar a expectativa. Um beijo para propor um novo tempo. Um beijo para marcar o diário. Um beijo para voar feito pássaro ao vento. Um beijo para ferir. Um beijo para curar. Um beijo para transformar realidade em ficção. Um beijo para assoviar uma canção. Um beijo para acender a chama. Um beijo para dizer que ama. ...
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