Daniel Campos

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Encontrados 31 textos. Exibindo página 1 de 4.

02/11/2013 - Há de haver alguém

Há de haver alguém olhando para a lua todas essas noites muito escuras. Há de haver alguém ouvindo Lulu Santos nas horas mais frias. Há de haver alguém tentando compreender tudo isso que é o amor. Há de haver alguém tentando desvendar retratos do presente, do passado e do futuro. Há de haver alguém buscando semelhanças em duas existências distintas. Há de haver alguém suspirando mais fundo a cada minuto.

Há de haver alguém querendo estar junto e, quando junto, mais junto, e quando mais junto, mais que mais junto. Há de haver alguém repensando caminhos, projetos, expectativas. Há de haver alguém reclamando uma ausência ou agradecendo uma presença. Há de haver alguém esperando o vermelho do sinal esverdear para poder seguir. Há de haver alguém fazendo incursões diárias por labirintos físicos, filosóficos, poéticos... ...
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23/01/2013 - Há sempre

Há sempre um peixe para fazer um pescador. Há sempre um padre para fazer uma confissão. Há sempre uma vítima para fazer um ladrão. Há sempre um cruzar de pernas para fazer um romance. Há sempre uma pista para fazer uma investigação. Há sempre uma lua para fazer um poeta. Há sempre uma onda para fazer um surfista. Há sempre uma vela para fazer um santo. Há sempre um caminho para fazer um descaminho. Há sempre uma ideia para uma mentira para fazer uma verdade.

Há sempre uma culpa para desfazer um inocente. Há sempre um defeito para desfazer o perfeito. Há sempre uma traição para desfazer uma paixão. Há sempre um vento para desfazer o penteado. Há sempre um fim para desfazer o começo. Há sempre um estopim para desfazer a paz. Há sempre um passo para desfazer o compasso. Há sempre uma loucura para desfazer a rotina. Há sempre um engano para desfazer o plano. Há sempre um erro para desfazer o acerto. Há sempre uma contraprova para desfazer a prova. Há sempre um não para desfazer um sim.


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10/11/2008 - Há sempre alguém

Há sempre alguém feliz a andar por aí. Alguém que canta feito passarinho. Alguém que espanta os males. Alguém que acredita na santa e vai, com fé, mesmo a pé, aonde Deus quiser. E é uma gente que se contenta com pouco, afinal o sonho maior é estar vivo. E o melhor desse carnaval é que essa gente agradece pelo que tem e pelo que não tem. É uma gente farta de sorriso e cor, pronta para distribuir amor, seja para que lado for.

É uma gente que vive de dentro para fora, oferecendo-se para o mundo. Uma gente que ajuda, que auxilia, que se põe de guia. Uma gente que não pede nada em troca. Uma gente que é feliz de nascença e marca presença. Uma gente que vibra pela vitória alheia, que comemora cada amanhecer e que faz da alegria um bem-viver. E o sofrer? Bem, o sofrimento é só mais um sentimento a ser destilado pelo teu pensamento. ...
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23/04/2016 - Há uma voz que canta

Há uma voz que canta pelos confins do tempo me dizendo sins mesmo quando tudo se faz não. Há uma voz que é vela, janela e procissão me guiando e me iluminando quarteirão a quarteirão. Há uma voz falando fundo no profundo da minha incompreensão, querendo levar à tona o que está além, bem além da razão. Há uma voz ralhando comigo - não que eu seja seu inimigo ou seu amigo, mas é uma voz que me dá e me tira o abrigo. Há uma voz dizendo que todo pássaro precisa de um ninho, mas que pássaro algum pode deixar de voar na busca por não viver sozinho.


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17/02/2012 - Hamlet apaixonado

O trágico Hamlet, filho de Shakespeare, anda mais apaixonado. Não que paixão e tragédia estejam dissociadas, mas é como se ele tivesse tirado um pouco do peso do mundo que carregava consigo. Mudou de tom e de ares. Trocou o frio da Dinamarca pelo verão carioca e a aristocracia pela fantasia do Carnaval. Continua se interrogando em voz alta, mas já não coloca o suicídio como o que há de mais importante para ser discutido e vivido. Afinal, hoje em dia está um tanto démodé o ato de morrer de amor. E Hamlet está mais moderno, com toques contemporâneos. No entanto, a dúvida do ser ou não ser ainda o persegue em tantas questões e variações, como num bem-me-quer ou mal-me-quer, num beber ou não beber, num trair ou não trair......
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18/08/2011 - Hei de viajar

Hei de viajar pelo seu corpo, pelas suas linhas geométricas e telefônicas, sem quaisquer cerimônias. Hei de viajar pelas suas ligações umbilicais, zodiacais, extraconjugais. Hei de viajar pelos querubins e pelos seus demônios, entre o enxofre e o jasmim. Hei de viajar pelos seus cantos, dos retos aos mais obtusos, como um perfeito intruso. Hei de viajar até que eu não saiba mais começam meus limites e findam suas afrodites.

Hei de viajar em passos suficientemente longos e pausas mudas, meditando em seu tempo particular todos os meus budas. Hei de viajar tomando para mim partes das suas asas, das suas artes. Hei de viajar pelas suas poeiras, pelas suas lamas, pelos seus desconfortos, pelas suas desordens até que todo sentimento apague as luzes que nos casam num mesmo palco. Hei de viajar trágico e nostálgico pelos seus fatos. ...
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Helicópteros e gatos vira-latas

Dois helicópteros voando feitos balões de hélio. O barulho das nuvens sendo cortadas, dilaceradas, despedaçadas por aquelas lâminas. Lâminas que depilavam os sonhos de uma mulher que via o mundo passar da janela de um ônibus. Assim como aquelas duas máquinas ovaladas, vestia-se de luto. Vestia a noite em seu próprio corpo. Corpo sem pêlos, sem apelos e com tantos dramas enrolados em feitio de novelos. Novelos prontos para serem tecidos. Mas ao invés dos teares, preferia entregar esses novelos para a brincadeira dos gatos vira-latas. Gatos que apareciam e sumiam de sua casa num piscar de olhos. ...
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04/04/2013 - Heróis?

Heróis choram, na maior parte das vezes, escondido. Heróis têm sono pesado. Heróis têm carne e osso. Heróis se vendem. Heróis ajoelham. Heróis têm medo. Heróis reclamam. Heróis nem sempre fotografam bem. Heróis comem porcaria. Heróis cospem e arrotam. Heróis jogam lixo no chão. Heróis envelhecem. Heróis pecam. Heróis bebem, fumam e se drogam. Heróis caem no anonimato.

Heróis têm mal-humor. Heróis traem. Heróis se divorciam. Heróis não guardam segredos. Heróis dão de ombros. Heróis têm rugas, olheiras e celulite. Heróis abusam de seus super-poderes. Heróis se escondem atrás de seus super-poderes. Heróis não são nada além de seus super-poderes. Heróis engordam. Heróis violam as regras. Heróis morrem sem cerimônia. Heróis têm seu momento vilão.


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08/02/2015 - Hibernação

Ai meu amor hiberna em meus braços em posição de compasso circulando todo o meu ser. Ai meu amor o tempo invernou, o frio por todo lado se instalou e é hora, mais do que hora, de você não ir embora de mim nunca mais. Ai meu amor não há coberta mais quente do que sua pele poente sem dizer da sua língua de palavras ferventes aos ouvidos meus. Ai meu amor não se pode mais ir lá fora, nem pássaro consegue voar, nem o sol consegue raiar, a chuva fria tomou conta do tempo que corria contra nós. Ai amor tudo o que quero são dois corpos em seus devidos postos como lençóis sobrepostos numa cama onde do atrito há de nascer infinita chama. Ai meu amor esquece o quanto nos faltamos e abraça-me, por favor, e não fala mais nada que não provoque ou invoque ou dê suporte ao calor que tanto precisamos. Ai meu amor queima os pesadelos, queima os dias de solidão, queima a saudade atravessada, queima o choro de ser tão só, queima os caminhos sozinhos, queima as partes de uma vida que não conseguiu ser inteira, para ver se desse fogo sobra, nasce, fica algo de nós. Ai meu amor queimemos feito fênix pelos céus pelas cinzas pelas verdades rabiscadas nas nossas quatro paredes. Ai meu amor internemo-nos urgentemente ao fundo mais fundo da nossa caverna entrelaçando nossas pernas como ursos hibernados, sem futuro sem passado, com corações aos soluços ao pulso de chorar e de esperar por um novo tempo ao acordar.


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13/12/2012 - Hino ao desespero

O que eu faço? Para onde eu vou? Só há esculacho por toda parte? Basta de guerra eu quero arte. Basta de terra eu quero marte. Chega de tanta selvageria, competição, hipocrisia... Não sou feito de aço nem de concreto, sou poesia. E como todo poema eu machuco. Por que o mundo está tão maluco? Cadê a fantasia no dia a dia? Se você chama truco eu grito seis. Sou freguês de um faz de conta que já não existe. Por que tudo tem que ser sempre e para sempre tão triste?

Estou perdido. Estou acuado. Estou vencido. Estou jurado. Estou foragido. Estou enfadado. Estou aborrecido. Estou entalado. Por que as ilusões não vingam? Por que os corações empedram? Por que as canções se calam? Por que as estações não mudam? Por que as assombrações imperam? Será que a gente merece terminar sem começar? Será que quem faz o mal se dá bem? Será que deus está de desdém? Será que tudo tem que agourar, tem que falhar, tem que tombar?...
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