Daniel Campos

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Encontrados 150 textos. Exibindo página 11 de 15.

23/12/2015 - No antigamente

Cachorro ei lobo eram um só. A cobra sapateava de fazer dó. A estrela boiava e brilhava no , mar. As árvores caminhavam. As paredes tinham ouvidos. As flores faziam sentido. E o tempo de amar era toda hora, agora e sempre, nascente e poente. Criança brincava com dormideira, dorme-dorme, dente de leão. E era do galho de mamona que nasciam bolas e mais bolhas de sabão. Toda música vinha de um refrão e o Natal dividia o ano com os festejos de João.


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12/02/2014 - No cio

No cio, a gata é só arrepio. O desejo corre solto por seu corpo no volume de um rio. A noite é sua, assim como o dia e tudo mais que ela quiser. Ela é felina. Ela é demônia. Ela é mulher. Todos lhe seguem com segundas intenções e perseguem-lhe com férteis imaginações enquanto ela brinca com sua caça. Miados e mais miados a disputam, havendo luta por seu sexo. Os olhos da gata no cio são vazios de qualquer compaixão, pois quer fazer valer sua paixão a qualquer preço, sem dar explicação ou se dar à razão. Por isso, nada de tentar conquistar uma gata no cio. Nessa situação, só se pode querer ser conquistado. Ninguém é capaz de domar uma gata a mil com seus hormônios e sonhos. Ela agarra com suas garras e prende e solta e prende novamente num jogo de sedução que enlouquece pelas taras. ...
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20/07/2012 - No clarão dos seus olhos

Quando li seus olhos no clarão da meia-noite, descobri as profecias das sombras. Enigmas e quebra-cabeças das estrelas. Feito astronauta, pisei no solo lunar dos seus olhos. Dei cambalhotas em seu globo ocular e fui sugado pelo buraco negro dos seus medos nos meus. Em seus olhos, a lei da gravidade assim como qualquer outra não faz sentido. Em seus olhos, do riso ao pranto, tudo é permitido. Nos seus olhos, foguetes e fogos de artifício. Seus olhos, poros de meteoro. Seus olhos aflitos como meteoritos. ...
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25/05/2016 - No escuro do quarto escuro

No escuro do quarto escuro eu encontro sua silhueta ora fazendo acrobacias ora querendo uma poesia. As paredes, pouco a pouco, vão soltando a sua voz que ficou impregnada para além dos nossos lençóis. E é tanta fantasia que eu sou marujo e você pirata, que eu sou astronauta e você estrela, que eu sou surfista e você tubarão. Eu sou presa e você, com toda realeza, a dona da caça. Onça pintada. Onça tatuada. Onça de garras e presas afiadas. Onça, onça, onça, ouça bem, vem e me devora. Pelo escuro do quarto escuro, se sou pássaro, é asa; se sou trem, é trilho; se sou poeta, é poesia. Poesia de noite, de tarde, de dia. Poesia que arde, que dá sangria. Poesia que come numa antropofagia. A criatura comendo o criador. É o grito de Van Gogh. É a loucura de Salvador Dali. É Caetano cantando nosso estranho amor. No escuro do quarto escuro me sinto seguro na sua boca, entre seus dentes e unhas, numa paixão ditada por suas mumunhas. Onça, onça, onça, ouça bem, vem e me devora sem demora pelo escuro do quarto escuro do tempo de um amor mais que puro.


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11/12/2014 - No fundo do peito

O que você tem no fundo do peito? Faça uma viagem interior e busque o seu cerne. O que você guarda? O que você esconde? O que há no seu coração? Abra as gavetas da sua alma. Coloca pra fora o que não dá mais para esconder. Pra que armazenar o que não tem mais utilidade? Pra que empilhar sentimentos que não servem mais? Pra que insistir em encaixotar o que nunca será vivido porque lhe falta coragem, fé, ânimo ou simplesmente porque não tem como viver tudo o que se quer viver. O que você ainda tem no fundo do peito?


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07/07/2010 - No fundo do seu íntimo

Entre o canhão e a escuridão, no fundo do seu íntimo, existe uma canção de amor. Pode acreditar, esta melodia existe e o verso não é assim tão triste como se acredita. Há sempre tempo e espaço para amar e viver esse amor independentemente de hora e lugar. Um romance de três segundos e um beijo de seis meses podem ter a mesma duração na intensidade poética de se compreender as coisas do coração. Pois então, cante avante o refrão de modo que espante do leito do peito a fria e vazia solidão.
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01/06/2014 - No gargalo

Toma meus caminhos como seus, embriagando-se dos meus vinhos, cavalgando num cavalo marinho pelo meu corpo tão sozinho. Fere meu ser com as esporas dos seus olhos só, por favor, contra toda e qualquer dor, não vá embora ó mulher pelo menos antes de fazer o que bem quer. Entre amante e amigo faça o que quiser comigo. Toma conta de tudo o que é meu e ainda antes do final de modo todo especial me chama de teu. Que não haja intervalo, beba minha alma no gargalo.


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09/07/2008 - No inferno não há estrelas

O rádio da viatura policial chama naquele conhecido tom de interferência. O que não se poderia imaginar era que o prenúncio de noite anunciado no céu fosse trágico ao ponto de ninguém olhar estrelas. Um dos policiais sufoca o pedal do carro com seu coturno e acelera. O outro pensa no dia horrível que teve e procura o tal suspeito, criminoso, bandido. Pelas ruas da mais carioca das cidades começam a perseguir um carro preto. A sirene grita ora vermelha, ora azul, abrindo caminho naquele final de domingo. De repente, um carro reduz a velocidade e encosta no meio fio. Será que os bandidos iriam se render ou preparavam uma armadilha para os policiais? ...
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18/06/2011 - No limite da janela

Não deixa a janela aberta para que eu não me vá junto ao vento serenado à boca da noite. Se quiser manter a temperatura dos nossos sonhos estável não abra a janela porque lá fora pode não ser primavera. E daí, minha cara, como ficam as nossas flores? No entanto, mantenha os vidros limpos para que possamos saber o que existe lá fora. Só não esqueça, depois de terminar de limpar do lado de fora, de fechar as tramelas de modo a não permitir que eu sinta o cheiro do mar, dos jardins de hortelã, das damas da noite. ...
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28/10/2008 - No meio da estrada...

No meio da estrada tinha uma vaca. No meio da estrada tinha uma vaca, uma novilha, dois bezerros e três cabritos. Parei o carro para dar passagem àquela pequena comitiva. Os animais sem pressa, batiam os cascos no chão de terra encaroçada. Olhavam para o carro e, acostumados com a civilização, ignoravam a minha presença. Pena que não havia uma máquina fotográfica ali. O registro de um Brasil caipira, de um Brasil de anos atrás, de um Brasil da minha infância ficou apenas no fundo da retina empoeirada....
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