Daniel Campos

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Encontrados 73 textos. Exibindo página 1 de 8.

06/10/2010 - Lá como cá

Lá como cá o pássaro canta na galha do ingá. Lá como cá dão vivas a Oxalá. Lá como cá o povo se vale do patuá. Lá como cá o sabiá conta em lá. Lá como cá alguém diz que dá. Lá como cá o sol morre detrás do jatobá. Lá como cá existe a promessa de um mundo acolá. Lá como cá tem quem siga o aiatolá. Lá como cá tem bebê pra babá. Lá como cá tem muito bafafá e blábláblá. Lá como cá tem vôo de biguá. Lá como cá tem assombração de boitatá. Lá como cá tem investida de lobo guará e carcará. Lá como cá tem morena dos olhos de cajá. Lá como cá era uma vez um tempo que há....
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30/05/2013 - Lá depois daquelas nuvens

Lá depois daquelas nuvens, deve ter uma casinha pra gente morar. Uma casinha de janelas para um pé de manacá, cujo perfume impregne em nossa alma. Que o quintal seja um convite ao sabor, com pés de fruta espalhados ao alcance de nossos olhos e mãos. Quero pássaros assoviando na cumieira e violeiros caminhando pelas estradas de um coração que mina um verdadeiro ribeirão.

Lá depois daquelas nuvens, quero lhe levar para conhecer o “felizes para sempre”. Vamos ter comida no fogão à lenha e muita prosa para prosear. Cama com colcha de retalhos, travesseiro de algodão do campo e estrelas de lamparina iluminando nosso sono entre os vãos do telhado. Um lugar em que o vento dê bom dia, boa tarde e boa noite trazendo, em primeira mão, os recados da roça.


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20/05/2014 - Lá em casa

Meu amor, olha só, estão lhe esperando lá em casa. Já trocaram os móveis, compararam lençóis brancos e prometeram nos deixar o máximo de tempo a sós. Pintaram as paredes, levaram os quadros que você gosta e vão lhe servir muito carinho em postas. Pensaram até num tapete rosa chá ou choque para ser esticado aos seus pés e numa chuva farta de rosas para abençoar a chegada da minha mulher.

Meu amor, olha só, estão lhe chamando lá pra casa. Vão fazer seus pratos prediletos, dar-te afeto para mais de metro e ainda pendurar estrelas no teto. Vão lhe oferecer passeios e volteios no tempo. Vão tentar adivinhar seus pensamentos e lhe dar o melhor de cada momento. Vão colher flores orvalhadas, fazer elogios capazes de encher rios e cobrir estradas, agradecer por ser minha amada. ...
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12/10/2008 - Lá vem Cartola...

A lua corria alta e, da varanda, o mundo era um imenso morro com barracos coloridos e meninos empinando maranhões de estrelas. Ah! E como brilhavam aquelas estrelas de papel celofane no céu. E ao cair de um desses maranhões que são levados pela linha de cerol de algum malandro, brinquei num tamborim. Desafinado, animei-me e ensaiei um sambinha naquele couro. E aquela batucada que contava a história das rosas que não falam se misturou às batidas da porta. Já eram duas horas da manhã! Quem me procuraria em tal situação? Será ladrão! Com medo de algum imprevisto, abri a porta e a boca... afinal, ele estava ali, bem na minha frente? Ele quem? Angenor de Oliveira, mais conhecido como Cartola. ...
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09/12/2015 - Lá vem Tia Neiva

Lá vem Tia Neiva à frente de uma imensa corte espacial. Vem com Nityamas, Gregas, Ciganas, Samaritanas e tantas outras falanges emanando amor pelos confins do universo. Lá vem Tia Neiva na corte de luz caminhando pelos vales, irradiando a nova era. Vem pelos caminhos de Seta Branca, nosso pai, em sintonia com os corações elevados. Vem vibrando por todos nós, vossos filhos. Vem clareando o Amanhecer nas forças do sol e da lua. Lá vem Tia Neiva, firme em sua jornada, com os grandes iniciados, alertando-nos sobre os Três Reinos de nossa Natureza. Amor, Humildade e Tolerância. Salve Tia Neiva, Salve Deus. ...
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26/07/2010 - Laços e fitas

Um sabiá me contou que um pintassilgo cochichou que escutou um inhambu dizer que hoje raiou, entre laços e fitas, o dia do seu aniversário. Os anjos acordaram cedo para fazer um céu turquesa com sol de batom e nuvens de crepom. A quitandeira lá de Minas vem num trem trazendo um tabuleiro cheio daqueles doces que você tanto gosta. O velho ourives espera seus dedos com uma pedra de rubi cor de pitanga. As crianças já estão correndo pela casa, querendo lhe entregar cartões e corações. Sua mãe, com sacolas de bordados, e seu pai, com um tempo guardado, estão na sala de estar. Feches os olhos e ouça o florista buzinando lá no portão. ...
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17/07/2010 - Lacunas de mulher

Quem é a mulher com olhos acortinados? Cortinas estas que escondem pátios espaçosos decorados por fontes de águas cristalinas e imponentes colunas. Será fruto da mitologia ou de outra ciência não exata. Nas praças interiores dessa mulher, estátuas de heróis sem pátria e mulheres nativas de saias coloridas e longas tranças. Que espírito de Rapunzel arrependida é esse que povoa os ares tristonhos dessa mulher que tem medo de jogar seus cabelos para algum forasteiro? Que mulher é essa que deita sua boca em dunas e se faz de lacunas por entre o doce e o austero? Será o fogo de Nero ou o demônio de Lutero? Será mulher de lacunas ou lacunas de mulher essa que quer como eu quero? ...
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24/04/2010 - Ladainha lírica

Mãe dos ares perfumados, perfumai minha estrada. Mãe dos jardins crescidos dentro d’alma, florescei em mim santas sementes. Mãe dos ventos suaves que afagam a face dos filhos seus, ventai um tempo novo. Mãe dos mantos azuis e vermelhos, guardai-me. Mãe de olhares de açúcar, olhai-me com mansidão. Mãe nuvem e céu, descei cá na Terra. Mãe de asas imensas e brancas, levai-me a sua morada. Mãe das luzes incandescentes, iluminai meus passos. Mãe das chamas mais ardentes, queimai meus medos. Mãe guia das estrelas, guiai-me. Mãe da igreja, renovai a minha face. Mãe das velas que iluminam os caminhos de dentro e de fora, clareai os pensamentos. Ò Mãe de tantos nomes, ò auxiliadora, auxiliai-me. ...
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25/08/2008 - Lagarta e borboleta

Só nós dois e um poema, caindo pela tarde morena de um tempo sem fim. E o infinito tão bonito num jardim de rosas nem tão rosas assim vai chamando nossos passos, entrelaçando nossos laços. E eu me procuro e não me acho no escuro e então, no auge da paixão, me suicido em seus braços, decidido a prolongar o compasso da nossa canção para além da morte, para além da própria sorte, para além do mais forte sentimento. Ah! Lá vem o vento! Ah! Lá vem o vento! Ah! Lá vem o vento... E eu aqui entregue ao seu movimento! ...
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30/01/2015 - Lágrimas de conhaque

Ela chegou depositando seu sorriso contido no primeiro copo que viu pela frente. Sua alma fria, nada sorridente, foi tentando se aquecer com conhaque barato. Tinha dinheiro para champanhes, e uísques e drinques mirabolantes, mas carecia daquela bebida pobre, pois já estava farta de ter coração nobre. Ajudava, atendia, auxiliava, fazia, e nada recebia do que bem pretendia. Então, resolveu dar um basta em tanta nobreza e descer da beleza para um copo sujo. Aquele ambiente que cheirava a cigarro e sexo, fazia a transpirar por debaixo de um vestido que custava pelo menos dois anos do salário de quem depositava o conhaque turvo em seu copo. E aquilo mexia com ela. Sentia-se igual a qualquer um. Não precisava de regras de etiqueta, de segurar a línguas nas horas de desequilíbrio, de conter o choro para não borrar a maquiagem. Ali não vali a regra dos títulos, mas das dores. E dores não são maiores ou menores, são dores. De que adiantava seus diplomas, seus cursos no estrangeiro, suas horas deitada em um divã, se nada nem ninguém poderia dar jeito naquilo que chamavam de amor. Estava frustrada. Desiludida. Encurralada. Não podia sequer contar com as amigas que não entendiam ela se apaixonar por aquele que podia ser tudo menos seu namorado, marido, amante. Seu pai não queria aquilo para ela. Seu ex-noivo, ainda inconformado com a perda, não entendia os rumos que seu coração tomou. Sua mãe fazia até novena para ela se desencantar. Mas não tinha jeito. Seu coração, como um bicho, gostava daquele que não valia um cuspe. Ela própria tinha desistido de se entender. Embora relutasse, quando abria os olhos e dava conta de si, estava nos braços daquele homem que a tratava como um pedaço de carne. Não havia sentimento, não havia promessa, não havia compromisso, somente o prazer pelo prazer. Seu corpo dominava sua cabeça e o coração, como que enlouquecido, entregava-se ao absurdo. Ela não conseguia lhe botar freio. Ela tinha vocação para ser rica, feliz, bem resolvida, mas, de repente, seu destino era ser mais uma, talvez a mais baixa das mulheres, aquela que se deixa usar e ainda sente prazer nisso. Estava sendo contra seus valores, princípios e demais aprendizados. Mas de que importava a ética e a moral quando o assunto era satisfazer a si própria? Ao mesmo tempo em que ela tinha nojo de si ela sentia arrepios e se contorcia toda sendo assim. Ela queria mais mesmo chorando lágrimas de conhaque, tão doces quão ardidas. ...
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