Daniel Campos

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Encontrados 97 textos. Exibindo página 1 de 10.

Quadro a quadro

Os passos demoravam a mudar. Tinham a lentidão de uma terra que demorava vinte e quatro horas para dar uma volta em torno de si. Era tempo demais para quem sempre levou a vida de forma ligeira. Naquele corpo farto de tempo, a pressa do mundo. Andou com sete meses e três semanas. Nasceu com oito meses. Foi gerada uma semana antes do casamento de seus pais, num ato escondido, no celeiro da fazenda. Falou antes de completar um ano. Foi a primeira de sua turma de amigas a beijar. Foi correndo embora de casa quando ouviu o primeiro convite de amor eterno. Escapuliu dos olhos do pai no lombo do cavalo mais veloz da fazenda. ...
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21/02/2012 - Quando a bateria parou...

Quando a bateria parou e Alcione cantou, a Estação Primeira reinventou o carnaval na Sapucaí. Mangueira inova e se renova e prova o valor de sua existência. Tia Ciata gostou da ciência, rodou no meio das baianas e sambou até que a lua raiou. Delegado autorizou a nova batida e o guerreiro Oxóssi saudou a verde e rosa da sua chegada a sua despedida. O carnaval de rua em plena Sapucaí na voz de Alcione, marrom bem-te-vi que o mundo reverenciou.

Quando a bateria parou e Alcione cantou, a fantasia ganhou vida e a poesia tomou conta da avenida. Sob a velha tamarineira, o pagode do Cacique encontrou o samba de Cartola, de Carlos Cachaça e de Nelson Cavaquinho. Da vanguarda à velha guarda ninguém ficou parado, calado ou entediado quando Mangueira deu o seu recado. ...
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02/12/2010 - Quando a gente

Quando a gente saiu, eu entrei. Quando a gente se foi, eu voltei. Quando a gente acabou, eu comecei. Quando a gente beijou, eu mordi. Quando a gente parou, eu dancei. Quando a gente curou, eu feri. Quando a gente falou, eu calei. Quando a gente secou, eu chovi. Quando a gente prendeu, eu fugi. Quando a gente acreditou, eu menti. Quando a gente fechou, eu abri. Quando a gente achou, eu perdi. Quando a gente semeou, eu colhi. Quando a gente chorou, eu engoli. Quando a gente sorriu, eu amei. Quando a gente caiu, eu cantei. Quando a gente ligou, eu desliguei. Quando a gente ficou, eu jurei. Quando a gente ofertou, eu me dei. ...
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31/03/2015 - Quando a gente ama

Quando a gente ama, o mundo inflama. Quando a gente ama, tudo fica em chama. Quando a gente ama, o coração aclama. Quando a gente ama, começa-se e acaba na cama. Quando a gente ama, o romance é uma trama. Quando a gente ama, vamos do céu à lama. Quando a gente ama, a vontade se alastra feito rama. Quando a gente ama, a realidade se acama. Quando a gente ama, a saudade ganha fama. Quando a gente ama, o perdão naturalmente emana. Quando a gente ama, somos cavalheiro e dama. Quando a gente ama, é lúdico nosso panorama. Quando a gente ama, vemos florido um canteiro de grama. Quando a gente ama, os sentimentos raiam em gama. Quando a gente ama, por mais que hajam planos não há cronograma. Quando a gente ama, permite-se o melodrama. Quando a gente ama, esquentamo-nos como pelo de lhama. Quando a gente ama, misturamos nossos pijamas. Quando a gente ama, o cenário se rediagrama. Quando a gente ama, o bem e o mal se tornam um jogo de fliperama. Quando a gente ama, é curto-circuito o resultado do eletroencefalograma. Quando a gente ama, temos asas e escamas. Quando a gente ama, nossos corpos se trocam como telegramas. ...
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20/10/2012 - Quando a morte chegar

Quando a morte chegar, não morra, ao menos, não de medo. Quando a morte chegar, não grite, pelo contrário, se entregue ao silêncio dos silêncios. Quando a morte chegar, olhe-a no fundo dos olhos mais fundos. Quando a morte chegar, esqueça cálculos, fórmulas e planos. Quando a morte chegar, não se volte para trás. Quando a morte chegar, não fuja. Quando a morte chegar, não nutra qualquer esperança de virar o jogo. Quando a morte chegar não pense que haverá tempo para perdões ou confissões.
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05/10/2013 - Quando chove

Quando chove, sementes de semeaduras passadas ainda brotam em mim. Quando chove, os pássaros trocam o silêncio por uma algazarra que ecoa por toda minha extensão. Quando chove, as braquiárias verdejam para alimentar arrobas e mais arrobas de sonhos que vivem em minhas invernadas. Quando chove, a cigarra que vibra dentro de meu coração se alvoroça ainda mais. Quando chove, abro os braços para a chuva, tiro a roupa na chuva, abro a boca em busca de chuva.

Quando chove, abro todas as minhas janelas para que a chuva alcance cada cantinho meu. Quando chove, ganho cor e sentido renovado. Quando chove, sinto os deuses mais perto de mim. Quando chove, sinto uma vontade incontrolável de bater um bolo de fubá com erva-doce de coar café. Quando chove, o vento me enche de perfumes. Quando chove, não há quem me faça fugir da chuva. Quando chove, o meu eu feito de barro se remodela, pois viro lama.


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31/10/2015 - Quando durmo, sumo de mim

O sono é tanto que o meu encanto é me fazer dormir em qualquer canto. O corpo cochila. Os olhos pescam. A cabeça dá apagão. E sonho acordado para além da imaginação. Os carneiros nem precisam pular. As moças nem precisam fazer cafuné. As camas nem precisam ser macias. Onde o corpo encostar ele vai se entregar ao sono. E tem gente que tem fé no sonho. Que bicho vai dar? O que isso vai significar? Pra onde o sonho vai nos levar ou nos levou? Não sei, não fui, não vou... A carne tá cansada e alma é alada. O de fora fica o de dentro vai embora. A alma escapole e bole por aí. Meu corpo é o ninho, o espírito é o bem-te-vi, a alma é o que vale o caminho e pra todo lado ninguém está sozinho. Quando durmo eu sumo de mim.


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03/04/2014 - Quando ela chega

Quando ela chega, eu chego ao décimo segundo céu. E tudo vai mudando de cor, ganhando cor, esquentando em cor. Os pensamentos mais pesados se transformam em bailarinos, meninos tão leves que vão se confundindo com o vento. A esperança chove por todos os lados. E num raio de quilômetros ninguém, nem mesmo os vilões, desejam mal algum. E o conjunto de sentimentos que estava na janela esperando a razão de sua vida chegar, pula, salta, corre e explode como fogo de artifício em dia de festejo.
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12/09/2011 - Quando ela, eu...

Quando acordou, eu não vi. Quando calou, eu sorri. Quando chorou, eu tava aqui. Quando falou, não ouvi. Quando passou, bem-te-vi. Quando escapou, eu caí. Quando amou, eu vivi. Quando se entregou, não fugi. Quando precisou, eu lhe assumi. Quando negou, me abati. Quando fechou, eu abri. Quando assoviou, fui prali. Quando voou, voou colibri. Quando pecou, eu encobri. Quando provocou, frenesi. Quando multiplicou, dividi. Quando secou, flori. Quando chamou, lati. Quando recuou, eu rompi. Quando foi sol, fui jaci. Quando se perfumou, patchuli. Quando avançou, peraí. Quando amaldiçoou, benzi. Quando ensinou, desaprendi. Quando beijou, mordi. Quando soprou, ardi. Quando me achou, me perdi. Quando chegou, me despedi. ...
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19/01/2015 - Quando em meus braços

Quando em meus braços, faço-me porto completo, ancoradouro dos seus sonhos que estendem suas velas coloridas como veleiros aos meus olhos. Quando em meus braços, sou céu aberto à disposição de suas estrelas e pássaros. Quando em meus braços, esqueço-me de mim e passo a vivê-la por inteira. Quando em meus braços sou amor para uma vida inteira. Quando em meus braços respiro suas ansiedades e saudades como marinheiro, que sabe a chegada de bom ou mau tempo pelo cheiro. Quando em meus braços sou ponte intimamente ligada ao seu íntimo e indescritível universo.


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