Daniel Campos

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Encontrados 79 textos. Exibindo página 1 de 8.

20/11/2010 - Rachel, ainda moderna, aos cem

Cem anos depois, Rachel de Queiroz continua moderna. Se naquela época ela já falava que escrevia só por dinheiro e preferia o jornalismo à literatura o que não seria capaz de dizer nos dias de hoje. Sua maternidade continua inesgotável cem anos depois de seu nascimento. Rachel que chorou para sempre, de um jeito próprio, a morte da filha aos dois anos de idade. Rachel continua seduzindo, continua improvisando. Mulher nascida em solo de mulheres fortes. Mulher do sertão, açude de coração pulsando no meio da paisagem seca....
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16/06/2010 - Raios e trovões

Zapeando pela televisão noturna descobri que o SBT resolveu reprisar, 20 anos depois, “A História de Ana Raio e Zé Trovão”, telenovela originalmente produzida pela extinta TV Manchete. Para além da trama, em si, e da qualidade das imagens, chama a atenção o espírito interiorano da obra. Impressiona o Brasil de Tom Jobim e Chico Buarque ser o mesmo país de Almir Sater e Irmãs Galvão. O Brasil litorâneo se mistura ao pantaneiro e o resultado disso é uma bela diversidade de cores, sabores, perfumes e ritmos. ...
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15/05/2010 - Raiz caipira

Há quem tenha raiz francesa, clássica e até mesmo fincada na nobreza. Não é o meu caso. Eu tenho raiz caipira. Raiz esta assumida e vivida por inteiro. Meu relógio é um galo, meu chapéu é de palha e meu carro é de boi. Minha cozinha é caipira, com direito a ovo caipira, frango caipira, porco caipira, tomate caipira... e fogão à lenha, colher de pau, caçarola de ferro. Até mesmo amar amo caipiramente, de forma tímida e sincera.

Para quem tem raiz caipira, muro é arame farpado; roupa se passa com ferro à brasa; palavra dita é como documento lavrado em cartório; semente lançada no roçado é um pedaço da gente. Coração caipira é igual cancela e porteira, basta pegar o jeitinho para abrir. Meu segurança é um espantalho, minha colcha é de retalho, minha flor é de algodão. Tem água de mina, telhado que pinga e sonho que vinga depois do primeiro chuvisqueiro. ...
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03/09/2008 - Ramadã

Adilah olha para o céu de Ramadã, perdido entre o dia e a noite, e navega por milênios no ar. Quando não consegue distinguir mais uma linha branca de uma linha preta no horizonte é o sinal do começo de mais um jejum. Assim como Adilah, mais de um bilhão de muçulmanos já se entregaram aos rituais do mês sagrado, onde quase tudo é proibido em nome do sacrifício, da reafirmação e da aprovação da fé. Ninguém come, bebe, fuma ou namora do nascer ao pôr-do-sol. É hora de lembrar o envio dos céus do Alcorão a Maomé como meio de salvação de um povo que ora cinco vezes ao dia, dá esmolas e vai a Meca ao menos uma vez na vida. ...
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16/03/2008 - Ramos vindouros

Hoje é Domingo de Ramos. Em algum lugar, não muito longe daqui, há de haver uma procissão. Uma procissão de pessoas. Uma procissão de ramos. Uma procissão que vai cortando ruas, soltando fogos, abrindo caminho com preces e orações. Entre passos e cânticos, pessoas vão andando juntas, acreditando juntas, esperando juntas. Em suas mãos, levam ramos verdes. Folhas de coqueiro, de paineira, galhas de alecrim e até de samambaia. O cruzeiro, que vem na frente da procissão, vai puxando e espalhando todo esse verde por meio de um mundo sem cor. Cada um aperta suas folhas e segue pelo asfalto, pelas pedras ou pela terra batida. Carros param e motoristas e passageiros descem em sinal de respeito. Os moradores das casas por onde passa a procissão saem aos portões e as janelas para acompanhar, ver, ouvir e serem abençoados por esse cordão de fé. ...
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18/09/2011 - Rancho coração

Meu coração é como um rancho caipira, com canteiros de cheiro verde, moinhos de pedra, flores de erva doce, ninhos de galinha e fogão à lenha. Tem espaço para sanduíche de mortadela, para bolo de fubá, para roça de mandioca amarela. São sacas e mais sacas de arroz agulhinha, de feijão guandu, de açúcar mascavo. E por falar no doce da cana caiana, tem rapadura, melaço e batida de tacho.

Tem pé de goiaba vermelha, pé de jabuticaba sabará, pé de manga rosa, pé de sabiá. Tem jatobá, castanheira, abacateiro e jacarandá. Tem ipê roxo, amarelo, rosa e branco. Tem terreiro, procissão e dia santo. Tem varanda, terra batida e riacho. Tem porteira, cancela e cerca de arame farpado. Tem algodão, girassol e muito gado. Tem lavoura de milho, um bocado de trem e estribilho de cantador. ...
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23/09/2008 - Ratatatá

O rato roeu a roupa do rei de Roma e agora está roendo uma bandeira verde e amarela que encontrou debaixo da linha do Equador. O rato roedor vai roendo o verde das matas que ainda restam em pé e o amarelo ouro das carteiras e bolsas dessa gente de fé que trabalha de suor a suor. O rato não poupa nem mesmo os azuis daqueles que ainda sonham com estrelas, céu e horizonte. E a faixa com a inscrição ordem e progresso já foi rasgada, triturada, tombada pelo rato que ora tem cabelos grisalhos, ora tem barba, ora tem óculos, ora veste saias e atende pelo nome de ratazana. Rato mora em palácio, come queijo suíço e faz ninho em linho egípcio. ...
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06/03/2010 - Ratoeira para quem?

Poucas coisas são tão dramáticas quanto uma ratoeira armada e vazia. Como é aflitivo o silêncio que repousa naquele enredo explícito de morte. Só mesmo um rato no alto de sua natureza ambiciosa para se trair a ponto de cair no enredo dessa armadilha. E pensar que aquela mola comprimida divide o ser-vivo do ser-não-vivo, que, morto, já não é. Um simples golpe e está acabado. Aquele rato ou ratazana não roerá mais nada.

Humanos não diferem de ratos. Quantos os que não correm riscos diários por muita ou pouca coisa? Há sempre uma busca, um limite a ser ultrapassado, um quê de pecado em muita coisa que fazemos. Nós nos alimentamos do perigo que há ao nosso redor. Quantas mortes idiotas caídas em nosso cotidiano? Quantas vezes nos esquecemos e quantas outras desafiamos essas ratoeiras por puro prazer? ...
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24/05/2008 - Re-consagração

Um menino acordou contente e nem sabia por que havia de estar tão sorridente. Pulou da cama, se benzeu, tomou café e agradeceu pelo sol, pelo sal, pelo farol que lhe guiava e por estar protegido de todo mal que o rondava. Ficou com vontade de correr e gritar ao mundo que hoje era o dia, o dia da alegria, o dia onde todos, dos anjos aos escaravelhos, dobram os joelhos e oram diante de uma senhora que por nós, sorri e chora.

De forma ardente o menino e a menina num mesmo beijo numa mesma re-consagração do amor, do amor presente em cada coração. Apaixonado e abençoado pelos céus, pegou a mão da menina como se pega um papel e numa troca de alianças escreveu um poema de bonança, unindo terra e céu. Versos de amor e ave-marias foram se misturando ao longo do dia em uma mais que completa fantasia. ...
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03/08/2015 - Real e fantasia

Na vida real eu luto para lhe ter por perto. Na vida ficcional eu vivo dentro de você que vive em mim, simples e completo assim. Na vida real eu desejo mais desses nossos dias e que seja cada vez melhor. Na vida ficcional o pra sempre é meu de fato e de direito, e pra sempre é sempre perfeito. Na vida real eu dou um jeito. Na vida ficcional eu sou o homem-poema nascido do homem-problema. Na vida real eu me sinto deserto. Na vida ficcional o sonho é meu feto. Na vida real eu colho esperanças. Na vida ficcional eu tenho concreto o meu mundo criança. Na vida real eu busco saídas. Na vida ficcional não existe partida perdida. Na vida real me faltam pedaços. Na vida ficcional em mim eu me acho e lhe acho e nos acho. Misturamo-nos real e fantasia, dia após dia, como se essa união fosse nosso guia. ...
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