Daniel Campos

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Encontrados 91 textos. Exibindo página 7 de 10.

26/03/2011 - Bodas de Madeira

Cinco anos dividindo as mesmas bocas, achando os conceitos de infinito e eternidade coisas tão poucas diante do tempo que queremos para nós. Cinco anos dividindo os mesmos lençóis, os mesmos pratos, os mesmos sóis, os mesmos fatos. Cinco anos dividindo o mesmo espaço, procurando e se encontrando num passo sem freio, se perdendo e se achando no traço alheio. Cinco anos se misturando, se multiplicando, se revirando, se descobrindo e se amando mais e mais. Cinco anos de fartura e de loucura sentimental. Cinco anos emergindo e submergindo em amor e em amores carnais, espirituais, viscerais, transcendentais, zodiacais. Cinco anos unindo suspiros e ais. Cinco anos casais imersos no primeiro gosto do amor. ...
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Bodas de vida

Cinqüenta. 50 tardes. 50 músicas. 50 encontros. 50 olhares. 50 anos de amor, amizade,..., devoção. 50 anos em que a vida já se faz infinita por si só. Quantas rosas floresceram ao longo dessa caminhada? Quantas as pétalas? Quantos os espinhos? Uma rosa que no início se equilibrava em uma rama tão frágil. Mas a beleza sempre triunfa e a rosa que se vê murcha, já doa sua vida a outro botão.

Cinqüenta anos em que uma roseira floresce seus botões com uma beleza diferente a cada dia. Floresce com novas esperanças e promessas. 50 anos onde uma vida se entrega a outra em plena devoção. Quantas mãos sonharam chegar juntas aos cinqüenta anos? Amores que nascem em frações de segundo e que perduram pela vida toda como se fossem algo mágico. Uma magia que permite, a cada dia, que os olhos se cruzem e tenham a certeza de que tudo valeu a pena. ...
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17/04/2008 - Boi da cara preta

Boi boi boi, boi da cara preta pega essa criança que tem medo de careta.

Boi boi boi, boi da cara preta pega essa criança que tem medo de careta.

Boi boi boi, boi da cara preta pega essa criança que tem medo de careta.

Pode parar de cantar. Eu não vou dormir. Estou assustado com as caretas dessa gente ai. Não vou fechar os olhos com tantos piratas, falsários e donos da corrupção aprontando por aqui e por ali. Cuidado! Tem que abrir o olho e gritar pega ladrão. Estão roubando minha carteira, minha feira, minha beira de chão. Tão metendo a mão, de cara limpa, no futuro da civilização. Tão levando nosso ar, nossa água, nosso mato, nossa chuva, nosso sapato, nosso pulmão. É muita raposa para pouca uva. Tão nos tirando o futuro, tão levando nosso mundo seguro e nos cercando com um muro de sofreguidão. ...
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26/04/2012 - Boiadeiro 7 Porteiras

Auê-uê-uê-ê boi! Xetruá Boiadeiro! Está ouvindo esse mugido cortando o sertão? Está ouvindo o trotar do cavalo rompendo o estradão? É sinal da chegada dos boiadeiros, caboclos de couro, Xetrô marrum bá xetrô! Quem foi que abriu as porteiras? Foi o chefe da comitiva, Boiadeiro 7 Porteiras, caboclo bom de laço, berrante e viola. Ele vem em de chapéu de abas largas, bota e calça arregaçada. Vem tocando sua boiada, abrindo e fechando porteiras ao longo da estrada.

Boiadeiro bom de papo, que se alegra fumando palheiro e bebendo cachaça. Sabe dançar tanto no chão do terreiro quanto em cima do cavalo. Vem aboiando e balanço os braços. Auê-uê-uê-ê boi! Xetruá Boiadeiro! Sob a luz de Iansã, senhora dos eguns, Boiadeiro 7 Porteiras conduz os espíritos dos mortos com a mesma destreza que toca seu gado. Leva cada espírito para seu destino, abrindo as sete porteiras do além para quem ele acha que convém. ...
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16/07/2013 - Boldo encantado

A poucos passos de casa, ficava o quintal de dona Adélia, onde, entre outras ervas medicinais, localizava-se o pé de boldo milagreiro. Para quem herdou problemas de fígado e de estômago da mesma, aquele pé era um deleite para a saúde. Quantas as vezes que já cheguei perto dele com uma perna no além e após mastigar ou amassar aquelas folhas eu renascia. Era questão de segundos. E quando era ela ou seu Líbio quem preparava, como uma espécie de ritual, aquela macerada melhor ainda eu ficava.
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03/11/2013 - Boneca do campo

A boneca, cosmopolita por natureza, deixou a caixa, a casa, a cidade grande e rumou para o campo. Sem mais pensar, abandonou roupas de grife, lençóis de centenas de fios, carros importados e mergulhou no verde. Fez um rabo de cavalo no seu cabelo de salões e correu pela chuva que perfumava ainda mais sua pele. Sim, trocou o perfume francês pela essência do mato. Sem trânsito, celular, televisão, a boneca brincava com as estrelas cadentes e ascendentes em seu signo. E sua beleza só fazia crescer naquele cenário de campo. ...
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Bonecas

Ela, do alto de sua meninice, estatela os olhos diante das vitrines de uma loja de brinquedos. Entorta o pescoço pra lá, a cintura pra acolá e fica na ponta dos pés só para conseguir enxergar melhor a vida por detrás daquele vidro. Chega a ficar com os olhos parados e esquecer de todas as preocupações mundanas. Mas qual era o mundo daquela menina de seis anos senão os brinquedos? Mas sua mãe parecia não entender. A mãe tinha uma reunião com a diretoria da empresa, um telefonema para o exterior, uma aula de primeiro socorros para a renovação de sua carteira de motorista, uma massagem, um almoço com o pessoal da turma de espanhol e... ...
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09/08/2013 - Bons ou maus conselhos

Se tudo der errado, não tema errar outra vez. Quando lhe chamarem de louco, sorria e agradeça por não ser normal como todos aqueles que só fazem o mal. Se nada sair como esperado, aproveite o que a vida lhe ofereceu. Quando tudo estiver perdido, encontre-se. Se ninguém acreditar em você, faça de um tudo para poder contar com aquele que está do outro lado do espelho. Quando escutar um não, pense que o sim está a caminho e cada vez mais próximo. Se nada acontecer por conta própria, promova você mesmo uma revolução em matéria de acontecimentos. ...
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09/09/2012 - Bons ventos

Antes do sol, o vento já barulhava na janela. O mesmo vento que alvoroçava os pardais, os cardeais e os casais de sabiá. Não importava se sul ou, norte ou sudoeste. O vento trazia o friozinho da serra e o ardume do agreste. O vento grudava nos corpos como uma espécie de cipreste. Trazia cheiro de café, de pão de queijo e de outros quitutes. Trazia os últimos suspiros do orvalho. Trazia o choro da seiva no tronco do velho carvalho.

O vento atiçava os corpos a ficarem por mais tempo debaixo das cobertas. O vento em todas as direções e sentidos fazia as horas ficarem incertas. O vento de Santa Bárbara revirando o mundo. O vento de Iansã calando fundo. O vento limpando a terra de pensamentos imundos. O vento misturando pólens, folhas e cabelos. O vento despedaçando e colando corações. O vento cicatrizando canções. O vento, como trem, trazendo e levando estações. ...
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11/11/2008 - Borboleta amarela

Quando uma borboleta amarela pousar no teu ombro é sinal de que o dia já vem. Mas não o dia dos relógios, dos calendários, dos cotidianos. Falo de um dia especial, que não sabe se é sol ou lua. Quem sabe os dois dividindo o mesmo céu ou a mesma terra ou o mesmo mar. Ah! Enquanto voa, essa borboleta de asas amareladas vai mexendo com as marés, com as sementes, com os cabelos que são de pólen, que são de néctar. Asas de ouro, asas de trigo, asas de mel.

Magicamente, o pó de suas asas cega nossos olhos para tudo o que não for poesia. E aquele balé no céu vai deixando cada vez mais clara a poética da vida. E eu aprendi na escola que amarelo com azul dá verde. E verde é a esperança que se espalha pelas chuvas de novembro. Pena que muitas não vivem mais do que um dia. Pena que muitas são seduzidas pelas redes dos caçadores. Pena que muitas sintam o alfinete afixando seu corpo a um quadro morto. ...
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