Daniel Campos

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Encontrados 91 textos. Exibindo página 8 de 10.

14/03/2015 - Borboleta bruxa

Por algum feitiço, vindo de alguma deusa mal-amada ou de algum deus traído, quando a noite desce as borboletas viram bruxas. No decorrer dessa transformação ganham em tamanho e perdem o colorido. Desproporcionais e cinzentos, os seres admirados tornam-se odiados. As pobres borboletas não dão contam de voar, e como que bêbadas, voam aos pulos trombando lá e cá. Geralmente enroscam-se em alguma cortina ou se encolhem em qualquer soleira esperando o dia clarear para voltarem ao corpo de borboletas poéticas. Mas nem sempre isso lhes é permitido porque diante da figura assombrosa não faltam chineladas e vassouradas. Os poucos que seriam capazes de atentar contra uma borboleta ainda continuam inquisidoras contra as bruxas. Pobre sorte das borboletas que de criaturas divinas passam a sombrias mensageiras da morte, no caso, da própria morte.


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14/08/2010 - Bordaduras no jardim

Bordaduras no jardim. Eis o que vejo quando me debruço no parapeito da janela da sua casa. Sua casa me lembra a casa da infância que não tive. Ali, vejo as flores se compondo num arranjo de pétalas e folhas como num tear daqueles que fiavam nossas ilusões. Tempos idos. Desejos esquecidos. As flores e os botões se intercalando como pontos de crochê, de tricô, de cruz. O perfume e a luz existentes ali são capazes de fazer a menina rica se apaixonar pelo jardineiro.

Pouco a pouco, meus olhares ganham a textura daqueles bordados. E eu vou ponteando pelos arbustos e folhagens de cetim em vários matizes. São cordões, caesados, pespontos, ilhoses em roseirais de tafetá. E todas as bordaduras bordadas a mão em pontos e laçadas de algodão. Entre as pedras do jardim, bordados em pedrarias de lírios. São gérberas e orquídeas e tulipas fazendo-me perder o fio da meada a ponto de me esquecer da estrada que me leva de volta. ...
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27/12/2009 - Bordeaux já!

Meu amor pegue o primeiro avião porque quero lhe encontrar em Bordeaux. Quero lhe amar provincianamente, em uma França bem menos badalada. Quero lhe pegar pela mão e correr meninamente pela planície de Aquitânia, país das águas. Quem sabe a gente vai além dos rios Garrone e Dordgone e chegamos às estações de esqui dos Pirineus. Vamos nos perder pelas parreiras. Vamos visitar os châteaux e provar várias safras.

Vamos nos esbaldar nesse clima temperado, passear pelo Bosque de Landes. Vamos namorar sobre os terroirs, que foram plantados há dois mil anos pelos romanos, quando conquistaram os celtas. Vamos trabalhar uma batalha amorosa e relembrar que ali foi Palco da Guerra dos Cem Anos. Vamos caminhar por sobre um mar de garrafas vazias que alimentaram começos e finais de outras paixões....
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10/05/2016 - Borrifando teu perfume

Borrifo o teu perfume como que tentando trazer de volta o teu corpo-de-cheiro, flor e pimenta num mesmo tempero. Borrifo sua essência e posso, como que magicamente falando, sentir novamente a sua doce e marcante presença. E pela junção das gotículas do seu perfume, vejo sem susto o seu vulto, seus contornos e entornos, sua silhueta se formando e se perdendo na penumbra de nós dois, sem antes nem depois. E essa espécie de holograma floral, cítrico, sensual que é você, ou parte de você, vai pela minha cama. Ó dama de notas zodiacais, tanto tempo faz e seu perfume ainda atiça o meu ciúme. Por onde anda você? Quem agora é dono dos seus cheiros? Quem se aventura pelo seu frasco inteiro? Quem se inebria nos seus buquês, nos seus quês de poesia, nas suas loucuras, no seu ardume? Porque me deixaste conhecer o perfume da sua falta? Me mata de prazer, de querer, de sofrer na sua fragrância. Enquanto a distância me cega e a saudade me ensurdece, tirando-me equilíbrio e razão, vou, com toda ânsia de viver, de viver-te, borrifando o teu perfume pelos meus sóis e luas, pelos meus lençóis, pelo meu corpo só. Sábio ou não, vou pela fantasia e novamente meus lábios vão tatuando na sua pele macia e perfumada o quanto continua amada.


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10/01/2013 - Bota fora

Bota pra fora todos os sapos engolidos ao longo dos últimos anos. Bota pra fora todo o medo que atrapalha seu crescimento. Bota pra fora todos os casulos de sonho adormecidos. Bota pra fora todas as criaturas da aflição, da agonia, da angústia. Bota pra fora os filhos e as filhas que precisam vir à luz. Bota pra fora todos os boletins de ocorrência registrados em seu íntimo. Bota pra fora todos os caminhos traçados e percorridos em segredo. Bota pra fora seus deuses e deusas. Bota pra fora todas as canções que ecoam dentro e mais dentro de você. Bota para fora os “sim” e os “não” que nunca teve coragem de dizer. Bota pra fora o que lhe dá prazer, o que lhe faz sofrer, o que lhe faz querer. ...
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16/05/2016 - Botando pra fora

Ninguém há de segurar o meu pranto. Deixo rolar o que não dá mais para segurar. Pode ser dia comum ou dia santo, se o coração encheu, transbordou, meu pranto rolou. Não há como estocar o mundo num coração se ele tiver fundo. Não há como esperar que o sentimento vai te deixar por deixar. Mais dia menos dia vai ter que aliviar. E para aliviar nada melhor que chorar. Rio represado não corre. Terra compactada não deixa espaço pra semente brotar. Cordas presas não fazem um violão. Letras amontadas nem sempre são lidas. Mais vale uma paixão ser vivida do que esquecida. Vivendo ou não vivendo, o tempo chega e descora. Então, me deixe viver tudo o que há. E o que não fecha a conta, boto pra fora.


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20/05/2010 - Bote mais pimenta nesse acarajé, ò Luislinda

Luislinda Valois, a primeira juíza negra do Brasil, foi convidada para gravar um depoimento sobre sua história de vida às vinhetas exibidas pela última novela da Globo, “Viver a Vida”. Em sua fala, emocionou-se ao relatar o quanto foi discriminada pela vida afora. No entanto, a baiana se esqueceu de dizer que o preconceito continua mordaz. Eis que durante a festa de encerramento das gravações da telenovela, um fotógrafo flagrou a juíza ao lado de uma atriz global. Cliques depois, um site, desses que vivem de fofoca, publicou tal foto com a seguinte legenda: “Natália do Valle enche de carinhos sua camareira”. ...
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09/06/2012 - Botox da alma

Nunca mais quero ser tão só. Ser tão sozinho. Ser tão eu sem você. O amor é uma espécie de botox da alma, preenche todos os espaços vazios. O amor é a completude do ser, a integralidade das coisas, a extensão do corpo em outro corpo. Não existe melhor remédio contra a solidão e suas consequências do que uma generosa dose de amor. O amor é prova e contraprova de sentimento. O amor são milhões de palavras em meio segundo de silêncio. O amor é a canção espontânea, semente instantânea de loucura. O amor liga destinos, soma vontades, subtrai saudades, une pontos em comum, ou não. ...
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14/11/2008 - Brasas e cinzas

Nada está no lugar. Tudo ficou para trás. À frente, a estrada é escura e fria. Será que eu vou ter de ir sozinho? Apocalipse. Juízo Final. Pedras na cruz. Onde está o fim de tudo isso? Quantos passageiros já passaram? Quantas estrelas cadentes já caíram? Quantos ventos já ventaram por essa estrada, doída e cega? Quem vai acreditar, nesse andarilho sem tempo nem lugar. Andarilho que anda pelos trilhos no estribilho de um verso maltrapilho de si mesmo.

Ah! Quanto tempo faz que eu amei demais e continuo amando, adorando e me entregando a esse amor terrestre. Você é o muro e eu sou o cipreste, que vai crescendo, envolvendo, sufocando, aprisionando, abraçando o mundo entre nós dois. Ah! E o mundo sem você é uma falta de lugar, é um des-porquê, é um desesperar. Minhas pegadas bóiam na falta de fé, porque não há mais de seu chão para meus pés. Meu olhar é noite eterna, procurando-te em meio à escuridão que me deixou....
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Brasil sem rosto

"Eu vi o menino correndo, eu vi o tempo brincando ao redor daquele menino". Menino que nasceu no finalzinho do século passado e ainda não encontrou o seu rosto. Menino que se vê frente a frente com uma tecnologia avançada, cada vez mais longe do humano. Menino, analfabeto de informática. Menino que fala "I love you" e não sabe o que é amar.

Menino da liberdade de pensamento, de expressão, de comunicação. Menino que não sabe a ditadura. Militares, exílios, lutas, ideais,..., ficaram presos nas histórias que não contam mais. Menino que se acha envolto de paz. Menino que nunca cantou pela liberdade com Geraldo Vandré. Menino que sempre esteve livre. Os pássaros são livres até que se debatam contra os arames da gaiola. Menino, prisioneiro de um mundo de mentiras....
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