Daniel Campos

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Encontrados 362 textos. Exibindo página 7 de 37.

12/04/2015 - Curtas

A fruta que madura no pé tem gosto de mulher. O violão que ponteia na roça tem aconchego de palhoça. O coração é como nuvem pode passar pelo tempo que for sem apresentar ferrugem. O voo do mandarim traz aos céus perfume de jasmim, assim como as asas da açucena batem num cheiro de alfazema. A flor que desabrocha no sertão é uma mistura de cor e procissão.


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29/03/2015 - Conexão

Eu me entrego feito prego ao martelo. Eu me tenho e não me detenho. Eu me dou como marmelo à formiga. Eu amo, amo, amo e fujo de briga. Eu venho cada vez mais pra dentro do lenho. Eu passo e beijo e abraço e tudo se liga. Eu não veto eu conecto. Eu provoco colocando paixão de copo em copo. Eu vou de encontro ao ponto. Eu faço escuridão e clareio o não. Eu alinho o destino, sou menino, sou poeta, sou besouro, sou pirata, sou mar, sou tesouro, sou peixe, sou feixe, sou ave, sou bicicleta, sou nave, sou ingá... Eu dou de comer à boca com fome de sentimento. Eu sou palavra ao vento. Eu sou o que não some, o nome dito pela língua mais rouca. Eu me faço e me traço e me laço. Eu me amolo e me dou colo. Eu sou navio dentro da garrafa. Eu sou o cardume que escapa da tarrafa. Eu balanço a pitangueira, acampo de alma inteira e com meus sonhos acendo qualquer fogueira. Eu ensino a ler para que consigam me ver.


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24/03/2015 - Carriola de sonhos

Há quem cate laranja, papelão, algodão... Eu cato sonhos... Vou pelas ruas da poesia catando sonhos esquecidos ou abandonados... Ora empurrando ora puxando vou levando minha carriola onde deposito os sonhos que encontro... Muitos chamam essa carriola de coração, pra mim é um carrinho de mão cheio de sonhos que levo pra cima e pra baixo... Vou catando sonhos como quem cata moedas, parafusos, figurinhas... Levo sonhos meus e sonhos alheios, que passam a ser meus... Adoto sonhos de rua como quem adota cachorros ou gatos vira-latas... No final das contas, é como se tivessem nascidos de mim... Sonhos possíveis e impossíveis se misturam na minha carriola... Há sonhos de todos os tamanhos e intensidades... Sonhos de amor, de felicidade, de saúde, de paz, de prosperidade, de encontros e reencontros... Sonhos para muito mais do que uma vida inteira... Sonhos que precisam de cuidados, de serem alimentados, de serem colocados em terreno fértil... E nessa minha carriola, que muitos chamam de coração, todo sonho pega, vinga, viça... Não me importo com o que dizem, mas com o que sinto... E me sinto pai de cada um desses sonhos que seguem comigo... Já viu aqueles andarilhos que empurram seus carrinhos cercados por cachorros que vão latindo, brincando, festejando... Pois bem, vou empurrando a minha carriola repleta de sonhos, que quando estão prestes a se realizar vão fazendo festa abrindo e dando segurança e significado ao meu caminho... Um caminho de sonhos... Vim de um sonho e vou ao encontro de outros sonhos...


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09/03/2015 - Caipirice de luto

Há alguns pés de vento que vêm para cumprir o destino. No mesmo sopro, o vento sertanejo levou Zé Rico e Inezita Barroso. Ambos são parte da minha infância e juventude. Os domingos no sítio ao som de Milionário e José Rico. Os domingos em casa ao ritmo de Viola Minha Viola. Antônio e Liberato, meus dois avôs, encantavam-se tanto com a música de Zé Rico quanto com a de Inezita. Pode parecer antiquado para aqueles que colocaram o sertanejo na universidade, mas não há nada mais atual e autêntico do que essa dupla caipira levada pelo vento de março. ...
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02/03/2015 - Chuvaredo

É água que corre é água que vai. É mato que cresce é semente que sai. É vida que brota é chuva que cai. É pedra que tomba é trovão que estronda. É vento que assovia é canto de cotovia. É nuvem carregada é estrada fechada. É trilha é filha é ilha é estrela de milha. É primavera é promessa de nova era. É amoreira é jabuticabeira é figueira é saudade mateira. É brisa doce é a ventania trouxe. É folha verde é menino na rede é onça com sede. É vestido molhado é beijo suado. É caminho sem porteira é menina fagueira. É tempo se formando é felicidade chegando é o amor se dando. É natureza é beleza é proeza do sabiá na galha do ingá. É cachoeira é clareira é poesia inteira. É boca lambuzada de cupuaçu é pio de jacu é voo de inhambu. É goiaba do campo é reza pro santo é o destino em canto. É um abraço bom é pé de bombom. É raiz se trançando é inseto feliz dançando. É o arvoredo em festa com o chuvaredo quebrando na testa.


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11/02/2015 - Confinado

O canto dos pássaros deu lugar ao ronco dos motores e aos gritos das buzinas. O cheiro de alecrim, manjericão, erva-doce desapareceu em meio ao fedor do asfalto. Antes as vistas se enchiam de verde em diferentes tonalidades e agora são preenchidas com tons de cinza. O vento é abafado, encanado, silencioso. Sim, antes o vento dizia e trazia tanto. Hoje é um vento vazio. As petúnias e samambaias dependuradas pela varanda cederam espaço para as letras do outdoor, que se dependuram ostensivamente pela paisagem. Os pés que antes pisavam pela grama hoje precisam andar calçados o tempo todo. A chuva que temperava os cheiros verdes não pode ser a mesma que escorre insossa pelas ruas. A lua que se punha em meu colo vai-se flutua distante. As nuvens que se esparramavam preguiçosas são agora partidas pelos prédios. O que antes era casa em todos os sentidos se transformou em confinamento.


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09/01/2015 - Como antes, ou não

Eu não estou no seu porta-retrato. Eu nunca sai na sua foto. Eu sempre fui escondido. Pra você fui um homem proibido. É fato. Meu copo não bate com seu copo. Eu fui o seu hospício. Você foi o meu precipício. Hoje a gente se encontra e não se dá conta do que se é. Será que ainda sou seu menino? Será que ainda é a minha mulher? Pra que lado vai o nosso destino? Fui a sua nuvem. Você me deu ferrugem. O seu lado da cama ainda está vazio. Você desceu e eu subi o rio. E agora como é que a gente faz porque nossa história nunca foi nem é de tanto faz como tanto fez. Podíamos nos recomeçar mais uma vez da forma certa, você musa eu poeta.


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04/01/2015 - Cruzada

Ela chega e cruza pernas, cruza braços, cruza olhares. Ela é de cruzada, das antigas cruzadas que se matava em nome de deus. E o seu deus é sedutor, é sedução. Ela é de cruzar. Cruza noite e dia com homens, mulheres, titãs e até mesmo com deus. Cruza por prazer, por fé, por amor e por não ter mais o que fazer. Cruza por ruas, avenidas, alamedas, chegadas e partidas. Ela cruza traços, abraços, beijaços. Cruza laços e embaraços. Seu corpo é cruzamento em movimento.


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15/12/2014 - Cheiro de café

O cheiro do café infesta todas as frestas da casa, do corpo, do tempo. As essências do café coado na hora vão impregnando no hoje, misturando-se ao ontem. A alma encorpada vai preenchendo o copo da vida. E tudo se encontra numa xícara de café. Sabores acumulados, guardados ao longo da existência, gostos que nunca nos deixaram, mergulhados no aroma do café. Um cheiro que enche o ambiente, que dá vida ao que muitos já julgavam esquecido, perdido, caído... O café e o prazer. O café e o querer. O café e o poder. O café de cada um definindo cada qual. Ralo, forte, doce, amargo, intenso... Quantas memórias seguem concentradas num gole de café? Café, encontro e reencontro de homem e mulher. Café, um cheiro de fé como vela a ser bebida. Um perfume propenso a ser bebido e vivido a partir da ruptura dos véus do tempo.


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16/11/2014 - Coração para quarar

Tem dia que é imprescindível colocar o coração para quarar. Deixá-lo por horas no sol regando com químicos para que até as marcas mais profundas desapareçam. Limpar o coração é questão de sobrevivência. Pesado, o coração deixa de bombear os sentimentos com a força necessária para que cheguem ao destino. Com nódoas das lágrimas, o coração pulsa num compasso machucado. A sujeira acumulada impede que as flechas cupidinianas atravessem esse músculo mágico. Dessa forma, nada melhor para tocar a vida do que um coração quarado. ...
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