Daniel Campos

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Encontrados 362 textos. Exibindo página 2 de 37.

16/07/2016 - Curvar-me-ei

Quantas curvas tem nossa estrada? Impossível dizer, calcular, supor. Pode-se pensar que o melhor seria uma estrada reta, direta... porém, se a estrada fosse retilínea não haveria encontros? E a paixão é uma curva. E o amor é quando graças a curva duas estradas se cruzam e se fundem. Para que querer uma estrada reta, se a vida é justamente o acontecimento, o fenômeno, o inesperado. Que minha estrada seja de curvas, aclives, declives e tudo o mais que aos olhos do homem objetivo seja absurdo, imperfeito, desnecessário. Se o amor se faz e se refaz em curvas, curvar-me-ei.


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10/07/2016 - Cartas na mesa

As cartas estão todas na mesa. O que falta para declarar o vencedor? Não há espaço para blefe. A mão dita o destino ou o destino dita a mão? Pra que nervosismo? O jogo é franco. Sorte ou azar, isso não existe quando há amor de verdade. Pois o amor de verdade superar sorte e azar a cada lance. Não há vez para superstição. É ou não é. Confia na sua mão. O coração é o destino ou o destino é o coração? Deixa o coração agir que tudo se ilumina, tudo se encaixa, tudo se resolve. As cartas gêmeas sempre se acham, sempre se casam, sempre superar quaisquer outras. Não há o que temer quando se tem a certeza de que o amor sempre vence.


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08/07/2016 - Contemplação

Chega como um raio de sol iluminando tudo. Num passe de mágica, o mundo floresce, se aquece, enobrece só, e somente só, pela sua presença. A minha crença em você é o amor sem limite, um amor que cuida, onde a entrega é um convite. Chega e tudo ganha som, e tudo ganha cor, e tudo é mais que bom. Até os pássaros querem se manchar no seu batom. Os canteiros ficam perfumados. E os carros ficam enfileirados só para você passar. Você vem como o mar, com ondas que me levam e trazem a você. Tem espaço em sua composição, pois você é de uma beleza infinita e eu mergulho, e eu mergulho, e eu mergulho na sua imensidão. Galáxias orbitam em seus olhos doces e fortes. E eu, como num bote, vou descendo suas corredeiras de sentimento. Você chega como o meu alento, como o meu afeto, como o meu sonho predileto. Um sonho real, uma estação tropical, um anjo sideral. Chega como um raio de sol, um farol que ilumina os quatro cantos, e eu a contemplo de todo encanto.


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12/06/2016 - Carta de amor à amada mulher amada

Hoje em dia, infelizmente, as cartas de amor estão em desuso. Já foram superadas por e-mail, sms, whatsapp. O romantismo se perdeu. Ninguém mais sequer ouve falar de carta de amor. Mas eu sigo na contramão. Aliás, eu sigo o meu coração. Então... segue minha carta de amor:

Amada mulher amada,

Já se vão dias, meses, anos com a certeza de que nosso encontro não foi em vão. Tanto já trocamos, cruzamos e doamos olhares um ao outro, mas toda vez que nos encontramos é como se revivêssemos a nossa paixão à primeira vista. Nosso amor é irrefutável. Sabemos o que o outro está sentindo só pela respiração. E não sei como isso é possível, mas podemos sentir a respiração um do outro mesmo distante fisicamente. Você concorda comigo desde sempre que nosso amor não é de agora, não é somente dessa vida. Nosso amor não cabe em apenas uma vida. E eu tenho uma felicidade imensa em poder ter sido seu em outras existências. Há algo forte, misterioso e mágico nos unindo. Somente em seu corpo me completo. Somente em seus braços me realizo. Somente em seus olhos encontro o meu caminho. Meus passos são os seus passos. E meus traços já estão misturados aos seus. Você é a minha mulher amada para valer em todos os sentidos. Você é a minha inspiração, a minha transpiração, a minha fusão com tudo o que busco, sonho, semeio. Sempre tive uma inquietude em relação ao amor e, desde que me conheço, procuro você. Procurei você nos livros, nas revistas, na televisão, nas músicas, nas ruas, nas outras mulheres. E quando finalmente a encontrei eu tive a certeza de que nunca havíamos nos deixado. Tudo se religou, tudo se acendeu, tudo se iluminou naquela primeira troca de olhares. Nos achamos, nos perdemos, nos reencontramos, nos falamos, nos beijamos, nos aninhamos, nos alinhamos, nos perpetuamos um no outro, outro no um. Mais uma vez, de dois nós fizemos um... contrariando a física que ficou ciumosa da nossa química. Nós temos um eletromagnetismo que nos conduz inevitavelmente um para o outro. Nós temos um universo de possibilidades, mas só acontecemos de fato um no outro. Nós nos misturamos lá atrás, há milênios, e nunca deixamos de nos atrair. Nossas ondas estão entrelaçadas. Quanticamente falando, nossos átomos vibram na mesma sintonia. E estamos juntos desde as cavernas rumando para as estrelas. Impossível negar o que sentimos. Não dá para esconder, tampouco disfarçar nosso casamento de almas. Podemos errar, tomar estradas opostas, ignorar o óbvio, mas quando menos percebemos estamos ali novamente um para o outro dispostos a consertar, a acertar, a perdoar, a fazer valer essa existência. Não podemos nos adiar mais. Precisamos ir em frente. E eu só sigo em frente se for com você. Porque é você que dá sentido para a minha estrada. Porque é você que coloca cor em tudo o que eu vejo. Porque é você que me faz querer ser melhor. Por você eu rompo os limites, ultrapasso as barreiras, refaço as fronteiras do meu mundo, aliás, do nosso mundo, para tudo se dar da forma mais perfeita. Porque você me faz ir ao encontro da perfeição não poupando esforços ou sonhos. Você me coloca em movimento mesmo quando eu não quero mais nada a não ser o sossego do seu colo quente e o céu que há na sua boca úmida. Você é a minha mulher amada, a minha namorada, a minha esposa, a minha amante, a minha metade, a minha certeza do que sou e de pra onde vou, pois você não é somente o tesouro que garimpo, mas o pedaço que falta do meu mapa para encontrar tudo o que preciso. Que esta carta de amor navegue em uma garrafa pelos mares piratas ou em uma cápsula pelo universo dos astronautas até chegar a você, mulher amada, minha causa e minhas consequências. Estou pronto, mais uma vez, para lutar pelo que somos e somos um. Eu ainda podia falar tanto, mas vou terminar com o que desejo para nós dois nessa trajetória conjunta evolutiva das cavernas às estrelas: que o amor vença!


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29/05/2016 - Como um velho

Como um velho faroleiro, condenado à solidão, sigo, noite após noite, iluminando a nau, que vai pelo mar escuro e tempestuoso, nau que não é mais minha, que talvez nunca foi minha, mas que eu sempre iluminei e guiei para seguir a salva.

Como um velho violeiro, com dedos calejados, ponteio, dia após dia, a minha viola caipira compondo a música onde te encontro, te vivo, te possuo, a música que nunca termino para não correr o risco de te perder, de nos silenciar.

Como um velho cavaleiro, que nunca teve medo de queda, cavalgo o mundo a fundo, sem me prender a nada nem a ninguém, com o único intuito de honrar quem jurei proteger, amar e cuidar com todo zelo mesmo que de longe. ...
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23/05/2016 - Canta e suplanta

E quando tudo anoitecer, canta. E quando tudo se perder, canta. E quando tudo vier a sofrer, canta. Canta, canta, canta que o canto a dor encanta. Canta pra trazer a dor que te agiganta. Canta porque o canto te suplanta. Canta o que ecoa pelo seu ser. Canta extravasando, sangrando, libertando o que não pode mais guardar. Canta o seu pranto. Canta num berradeiro ou no silêncio de um mantra. Canta o que não dá mais para olvidar. Canta, canta, canta que a vida te cobre com uma manta. Canta aos pés, ao colo, ao olhos da santa.


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22/05/2016 - Canto de libertação

Com o dia quase raiando, o galo subiu no poleiro, estufou o peito e silenciou. Ali não era o melhor lugar para ele anunciar o novo dia. Precisava de mais. Subiu então na carroça velha, que já dava de comer aos cupins, e se preparou, mas, novamente, engoliu o canto ao ver que a cerca. E subiu no mourão mais alto, chegou a abrir as asas, mas ainda não estava bom. Ele queria mais. E foi então que subiu no telhado da casa de seu dono. Já tinha certa idade e não tinha o mesmo vigor, seus passos eram lentos, mas seu canto ainda era belo. O tempo deu um tom ainda mais grave as suas notas. E ele sempre foi elogiado por sua afinação. E, com a teimosia de sempre, subiu no telhado vendo boa parte da fazenda aos seus pés. Bateu asas, esticou o pescoço e segurou o canto já no findar do bico vendo que o jatobazeiro era muito mais alto que o telhado da casa. A essa altura, o dia já clareava. E lá foi ele para o pé de jatobá, voando seu voo curto galho a galho. Perdeu muitas penas na subida, pois ora se debatia contra a árvore ora tentava se agarrar nela. Ficou sem fôlego, mas não se deu por vencido. Encontrou uma coruja que arregalou os olhos sem entender o que aquele galo fazia ali. Chegando ao ponto mais alto da árvore, ele contemplou o sol que já reinava. Nunca havia visto o sol tão de perto. E se galos não choram, aquele galo avermelhado, azulado, acaipirado chorou. Chorou diante da beleza do sol que chegava até seus olhos. Ficou hipnotizado. E preparou seu canto. Precisava ser seu canto mais bonito. O melhor de sua história. Concentrou-se. Deixou a música fluir por todo seu corpo. Peito estufado. Pescoço alongado. A curvatura perfeita. Bateu asas. Tremeu-se todo na iminência do cocoricar. Abriu o bico e... e... e... calou-se. Calou-se a perceber que as galinhas já estavam ciscando no terreiro, que o fazendeiro já ordenhava as vacas, que dona Maria já estendia roupas no varal, que os porcos já rolavam na lama, que a fazenda já havia amanhecido, acordado e acontecido sem o seu chamado. Sentiu-se desnecessário. Porém, estava feliz por estar ali e por estar liberto da obrigação de despertador que cumpriu por tantos e tantos anos. Ninguém havia dado por falta dele. E isso não era motivo para lamentação, mas sinal de que ele poderia partir. Estava livre. Foi preciso mudar seu ponto de vista, sair do óbvio, do lugar comum, para perceber que podia seguir em frente. E, ciente disso, de forma espontânea, cantou de um modo que nunca havia cantado. Um canto de libertação. De autolibertação. E já não importava para quem cantava, mas o que ele cantava a si mesmo. Ele segurou o último acorde para além dos limites e bateu asas. Voou um voo curto. Voou um voo último. Voou em direção ao sol. E por mais curto que seja o voo de um galo, durou, para ele, uma eternidade, antes de chegar ao chão num corpo condenado ao silêncio, mas numa alma que, para sempre, ecoaria ensolarada por aquela fazenda.


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04/05/2016 - Caminha por dentro

Caminha por dentro. Por dentro de mim. Caminha de um jeito. De um jeito enfim. Caminha em minhas entranha enquanto me assanha no seu carmim. Caminha, caminha pelo confim do meu eu. Caminha num caminhar mais-que-imperfeito, pois é na imperfeição que mora o perfeito. Caminha pelas minhas luas interiores, pelas minhas ruínas, pelos meus amores. Caminha brincando com as linhas do meu destino. Linhas que cruzam meu velho, meu menino, meu poente, minha nascente. Caminha pelos meus ladrões, porões, grotões. Caminha sem pensar no que será. Caminha o agora. Caminha e se tiver vontade, chora, esperneia, volteia, mas siga caminhando por dentro. Caminha pelo meu oco, pelo meu falso oco, onde se aninham minhas aves de sentimento.


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14/04/2016 - Continuísmo

Caio, levanto, saio, canto, ralho, acerto, falho, veto, aprovo, atesto, comprovo, contesto, versejo, abraço, desejo, passo, amo, chovo, clamo, movo, voo, sonho, doo, proponho, salto, apavoro, falto, choro, toco, esperneio, invoco, serpenteio, arranho, rasgo, ganho, afago, relampejo, corro, trovejo, morro, reapareço, acarinho, recomeço, caminho, ligo, falo, religo, calo, lambo, quero, sambo, espero, durmo, apaixono, sumo, ovaciono, pinto, bordo, minto, acordo, agiganto, assusto, encanto, busco, caio, levanto, saio, canto... ...
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24/03/2016 - Coisa da roça

Os ninhos vazios, nada de ovo, a galinhada de quaresma. Época de semeadura, de aproveitar as águas de março. O vento sopra triste, balançando as folhas de outono num ar frio, anuviado de semana santa. O velho lavrador vai remexendo a terra como nas chagas de Cristo, tirando flor de espinho. A senhorinha de cabelos de algodão se apega com o terço ao tempo em que mexe panelas e bordados. A passarada vai diminuindo a cantoria em respeito à morte do filho do criador. Pelo brejo, os coelhos vão pulando, fugindo das bocas dos cachorros, esbaldando-se com as ramas verdinhas, mas nem sinal de ovos de chocolate por aquelas tocas. A água da mina brota mais fria, como se a terra todo estivesse mais uma vez doída por terem, há milênios, aberto sua carne e plantado uma cruz. O cheiro da vela, as cantigas das procissões e o roxeado das quaresmeiras vão tomando de conta do quadro da roça. O velho lavrador olha para o fundão do horizonte, perdendo seus olhares lá pros confins do roçado, pelo céu riscado de rabo de galo, sabendo, mais uma vez, que o tempo vai desabar sobre os homens.


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