Daniel Campos

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Encontrados 362 textos. Exibindo página 3 de 37.

02/03/2016 - Colares de um mesmo pescoço

Firma teus passos nos meus e vamos pela estrada alongada da imaginação não querendo mais nada a não ser você e eu. Vamos cavalgar no louva-deus, morar numa ostra, nos servir um ao outro na nossa melhor louça. Vamos juntos, em conjunto, num só assunto falando de amor. céu e condor, onda e concha, pinta e onça, veneno e cobra, fartura e sobra, assim somos nós complementares, elementares, colares de um mesmo pescoço. Carne e osso, pó e poeira, fogo e fogueira. Um unido ao outro num querer que não nos deixa solto.


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13/02/2016 - Comida pra todo lado

Hoje tem peixe frito no bar do Dito. Hoje tem galinha ensopada que amanhã será empada. Hoje tem tartalete de morango que não é pro bico do pivete. Hoje tem fricassê, iê-iê-iê e tango. Hoje tem camarão na barraca do Tião. Hoje tem picadinho numa colherada temperada de carinho. Hoje tem batucada e feijoada, torresminho com limão. Hoje tem quitute na venda da Ruth. Hoje tem sanduíche e boliche. Hoje tem farofa com frango no Isopor do Jango. Hoje tem pizza de mozarela saindo do forno da Gabriela. Hoje tem bacalhau com batata numa mesa farta. Hoje tem luau e espetinho de miau. Hoje tem pavê da Telê. Hoje tem lasanha e uma gente que se assanha. Hoje tem nhoque e pop-rock. Hoje tem polenta na chácara do seu Pimenta. Hoje tem piquenique organizado pela Judith. Hoje tem pastel em plena lua de mel. Hoje tem coxinha na festa da rainha. Hoje tem pernil assado pra celebrar um batizado. Hoje tem linguiça com vinagrete na laje da Beth. Hoje tem carne de panela de pressão e feijão preto no prato do João. Hoje tem surubim na rede do Joaquim. Hoje tem braseiro aceso no rancho do violeiro. Hoje tem comida pra todo lado e amor de bocado.


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24/01/2016 - Casório e mais casório

Hoje o dia amanheceu de casamento. Seu galo cocoricou chamando a galinhada para o altar. A abelha rainha saiu da colmeia para se refestelar nas flores do buquê. E toda mulher amanheceu meio noiva num quê de sentimento sem mais nem porquê. A bicharada se alvoroçou e até dona vaca noivou. Sinhá porca também quis e rolou pela lama mais sinhó leitão toda feliz. O peixe fisgou a companheira de um jeito que até a água do ribeirão borbulhou. E mesmo ela o chamando de cachorro e ele a levando por cadela se casaram debaixo da janela. E o amarelo arisco que só para essas coisas de casar, meio que enfeitiçado, deixou a bichana fazer dele gato e sapato. Teve baile na roça para festejar tanto casório que até o seu Honório, do alto dos seus noventa e tantos, resolveu trocar alianças diante do santo. Menina Helena se derreteu toda quando teve sua mão pedida com direito a viola e poema. Teve serenata, fogueira, amor para a vida inteira e paixão vira-lata, mas o que importou mesmo é que casamento algum foi em vão. E a cigarra casou com a chuva. E o sabiá casou com a laranjeira. E a viúva casou na segunda-feira. E o pescador casou com Maria Lamparina. E o quitandeiro se juntou com Irene do Pomar. O violeiro se casou com a rima. E, no laranjal, a baiana se casou com a lima. O garnisé foi para lua de mel com a cocar. E a tilápia subiu o rio com o lambari. E com tanto casamento aqui, a lua se vestiu de noiva e, toda branca, numa claridade de acordar rouxinol, foi balançando suas ancas ao encontro do sol. E teve casório na roça e baile no céu. E na reviravolta dos contos de fada, pela estrada do brejo, até Rapunzel jogou suas tranças pro Osório, que como não era príncipe a levou direto pro cartório e o juiz de paz os declarou casados e enrolados.


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23/01/2016 - Canoeiro descendo o rio

O canoeiro vai de corpo inteiro descendo o rio. Pelas margens vai vendo a vida passar e se transformar. Quanto mais ele se distância da nascente maior é o ritmo do tempo que vai mexendo com tudo. Vai deixando saudade, lembrança e os sonhos que não conseguiu realizar até hoje. O que ele queria ser ontem e não foi fica pelo rio. O que ele podia ser ontem e já não pode hoje fica pelo rio. O leque de oportunidades perdidas, seja lá por qual razão, fica pelo rio. Já o canoeiro, realizado ou não, segue em frente buscando ser e fazer o que ainda o cabe. E tudo passa a fazer mais sentido, como que o fazendo enxergar pela primeira vez, quando ele descobre que não é ele quem desce o rio, mas o rio que desce com ele.


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21/01/2016 - Considerando

Nem só de comida vive o homem. Nem sempre o homem é chamado pelo nome. O coração nunca é quem come. Amor que é amor não some. Não boto fé em paixão que dorme. Quando se tem sonho tudo é enorme. Não existe romance uniforme. E não há homem impedido de amar que se conforme. O destino tem tantos codinomes. A estrada de quem se ama é disforme. Não há quem bata e asse amor que mais cedo ou mais tarde a dor não desenforme.


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16/01/2016 - Canto assim

Há quem cante no chuveiro. Quem cante pra espantar o mal. Quem cante para inventar um outro final. Quem cante de boca, de peito, de corpo inteiro. Quem cante na rua, no telhado, debaixo do coqueiro. Há quem cante afinado, compassado e que cante zumbido como num vespeiro. Há quem cante de amor e quem cante achando que é cantor, compositor, trovador... Há quem cante por dinheiro, por aplausos e por equilíbrio.

Eu canto, eu vibro, eu liro quando respiro a canção que vem de dentro como um unguento para o mal do silêncio. E muito silencio fazendo da quietude meu cio. ...
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21/12/2015 - Como isso e aquilo

Como quiabo eu babo por você. Como torresmo eu estalo e pururuco por inteiro quando te vejo. Como coqueiro eu balanço quando você passa. Como doce eu açucaro na sua boca. Como violão eu vibro todinho na sua música. Como poeta eu te visto de palavras. Como bolha de sabão eu reflito suas cores. Como lençol eu me estendo pra você deitar. Como água de cachoeira eu escorro por seu corpo. Como pipoca eu pulo quando sinto teu calor. Como malabarista do sinal vermelho eu faço graça pra você. Como cortina eu me abro pro espetáculo que é você começar. Como manga eu amadureço no seu pé. Como porta-retratos eu guardo seu passado. Como goiabeira eu me assanho todo com você subindo em mim. Como maçã espero uma vida toda por uma mordida sua. Como abajur eu ilumino seu sono. Como louva-deus vou agradecendo a falta do seu adeus.


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11/12/2015 - Corporando

Se meu coração tivesse pernas seria centopeia. Se meus olhos tivessem asas não fariam ninhos, dormiriam e amariam em pleno ar. Se minha boca não tivesse juízo já teria sido presa em flagrante. Se minha língua fosse um barco seria um veleiro em alto mar. Se meus ouvidos tocassem seriam piano e tamborim. Se minha pele tivesse tatuagem seria retratando os signos de minha alma. Se meus pés fossem propulsores viveria na lua ou pelos anéis de Saturno. Se minhas mãos tivessem pouso seriam em certos seios. Se meu rosto tivesse autorretrato seria num pós-impressionismoromantico. Se meu corpo tivesse cheiro seria de mata. Se meu eu tivesse som seria do mar quebrando. Se minha vida tivesse um encaixe seria você que anda por aí desencaixando-se de mim. ...
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26/11/2015 - Chegou a cavalaria

Vem ver, vem ver, vem ver a cavalaria. Chega fazendo temporal. Levantando poeira, tirando faísca, espalhando cantos, curando com irradiação os caminhos do coração. Cavaleiros que limpam o dia, que acendem o sol interior, que dão alento. Ai, vem chegando os cavaleiros do tempo. Ai, vem com lanças coloridas movimentando a roda da vida. Cavaleiros de santo, de espírito, de encanto. Cavaleiros que quebram quebranto. Cavaleiros que passam enxugando nosso pranto, apaziguando nossa dor, fazendo cantador. Cavaleiros que desfazem feitiço. Cavaleiros que dão jeito no enguiço. Cavaleiros que não temem o reboliço. Cavaleiros guerreiros. Cavaleiros de amores inteiros. Cavaleiros da energia. Cavaleiros da virgem maria. Cavaleiros da lua. Cavaleiros da valentia. Cavaleiros que clareiam a rua mais escura que há dentro de nós. Cavaleiros que desatam os nós. Cavaleiros verdes, vermelhos, azuis, lilases, negros, brancos, rosas... Cavaleiros da luz. Cavaleiros que irradiam, emanam, planam entre a terra e o astral. Cavaleiros que vêm longe trazendo a bandeira de jesus. Cavaleiros de missão especial.


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17/11/2015 - Colo orvalhado

O colo orvalhado da mulher que se deu à noite é de um frescor que os pulmões se enchem de um ar perfumado diante da visão. As gotículas daquele sereno bom vão num pontilhado aleatório dando maior ou menor resolução ao colo da mulher orvalhada dependendo da reação de quem o enxerga. Essa espécie de suor ou choro noturno, como bem preferir, dá beleza à mulher que sai pelos quintais com o colo à mostra, como que oferecido aos anjos noturnos. E não são raros os que querem acender velas ao passar dessa mulher para pedir milagres ou apenas melhorar a imagem daquele colo que foi feito à contemplação. Colo que desponta à noite com seios estrelados e gotas de um néctar que atraí vagalumes com complexo de beija-flores.


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