Daniel Campos

Ou exibir apenas títulos iniciados por:

A  B  C  D  E  F  G  H  I  J  K  L  M  N  O  P  Q  R  S  T  U  V  W  X  Y  Z  todos

Ordernar por: mais novos   título

Encontrados 112 textos. Exibindo página 6 de 12.

26/08/2014 - Vida soprada

A vida é um sopro. Um sopro que habita um corpo. Um corpo que palpita todo. Um todo que gira-mundo. Um mundo que vira de ponta-cabeça. Uma cabeça que passa da conta. Uma conta que não fecha. Uma fechadura de mil combinações. Uma combinação de histórias. Uma história nem sempre de glória. Uma glória de ser feito de sonho. Um sonho de ser mais. Um mais que quer sempre mais. Um mais-que-perfeito amor. Um amor agrupado em moléculas. Uma molécula macroscópica de fantasia. Uma fantasia para ser vivida até o outro dia. Um dia com sangue nas veias. Uma veia poética por natureza. Uma natureza atlética sob medida. Uma medida que tem sempre um quê de despedida. Uma despedida que toma de conta de repente. Um repente que combina morte com sorte. Uma sorte de ser emoção e razão. Uma razão de ser além da matéria. Uma matéria que não se aprende na escola. Uma escola de sentimentos. Um sentimento de querer próximo. Um próximo que insiste em ficar distante. Um distante que se faz saudade. Uma saudade que nos faz pela metade. Uma metade que vive a procurar pelo sopro de sua outra metade.


Comentar Seja o primeiro a comentar

03/08/2013 - Vida-quebra-cabeça

A vida é um quebra-cabeça e nem sempre a morte é a última peça. Sempre falta ou sempre sobra alguma peça nessa história toda. Isso sem falar que há dias, semanas, meses e até anos que vivemos sem que nada se encaixe. Tudo parece fora do lugar. O mundo que nos é oferecido parece errado. De um lado ou do outro, há sempre arestas que precisam, mas não podem ser aparadas. E a culpa por esse jogo não ser perfeito é de deus que nos fez imperfeitos numa busca incessante pela perfeição. Ninguém sabe ao certo qual imagem vai se formar. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

27/03/2015 - Vida-rio

Queria ficar na beira, na beira do rio, mas a vida não é beira-rio. É preciso cair de corpo, alma e espírito nas águas correntes que cortam nossa existência. E não pense que há de ficar em águas calmas, mansas e cristalinas. A vida é turbulenta, dada a muitas correntezas e quedas, tão lindas quão perigosas quanto às cachoeiras. E não pense que vá encontrar peixinhos coloridos em suas remadas, pois há muitas pedras pelas corredeiras. É preciso ir de frente, pois não há outra forma de seguir. O passado é como água passada, por mais que exista não volta. E ainda é preciso viver a fundo o que está nas margens, porém, jamais se apegando às paisagens, pois elas mudam durante o curso do rio. As águas muitas vezes ficam turvas, de modo que não se enxerga nada pela frente, por isso é preciso se entregar sem medo ao que vier. Não se assuste se as águas sempre doces ficarem salgadas de uma hora para outra, pois além de muito choro na beira do rio às vezes o mar dá em ressaca. E atente-se para o perigo, pois a vitória régia é a casa de Iara, que com o seu canto leva os apaixonados para o fundo das águas. E as mulheres que pensem sete vezes antes de cair nos encantos do boto-cor-de-rosa. As luas, por mais que flutuem espelhando tais águas, nunca são as mesmas. A vida, assim como as águas, mudam seguindo em frente.


Comentar Seja o primeiro a comentar

17/11/2008 - Vidaria

Quem falou que viver era fácil, mentiu. Viver é para poucos, a maioria mesmo não passa da linha da sobrevivência. E dá-lhe chicotadas no lombo dessa gente que caminha sem ter aonde chegar. É uma gente que está pra lá do estreito de Gibraltar. Viver é carregar pedras e subir montanhas sem fim. É amar em português e sofrer em mandarim. O encontro do desencontro afim. É comer arroz, feijão e pólvora e servir de estopim para uma civilização que diz não quando diz sim. E onde está o gênio da lâmpada de Aladim? Será só de mentira, de mentira, de mentira a caminhada da nossa estrada. Vida, vida se eu a tivesse lhe daria, vidaria. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

Vidas que sangram

A natureza está morrendo. A frase parece banal ou óbvia demais, quando, na verdade, é de uma simplicidade forte. Uma morte silenciosa. Sem línguas de fogo ou gemidos de dor. Estamos em franca extinção. Não sorria ou ache que é mais uma profecia como tantas outras que não se cumprem. Não sou profeta. Sou apenas um observador dos sentimentos do mundo.

Você que agora lê essas pobres linhas, olhe a sua volta. Exceto se estiver num sítio, nos poucos que ainda sobrevivem, quase não encontrará o verde. As árvores restantes se contorcem entre fios, condenadas pelas podas criminais. Seus olhos, já cinzas, irão se encher de concreto. Ah! A dor dos olhos de concreto. Espere! Pare por alguns segundos a leitura e tente escutar o canto de algum pássaro. Não falo de pássaros engaiolados ou aqueles de aço. Silêncio... Onde estão os pássaros? Onde estamos??? Perguntas... O inverno passa sufocante, com febre e saudade do frio. A seca se alastra e, a cada novo ano, abraça mais dias do calendário. O céu é borrado em tantas cores artificiais que lhe roubam o azul. O meio ambiente é estuprado em praça pública. A palavra é forte, mas se faz necessária. Estupro!...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

02/05/2015 - Vidinha do mato

Nunca quis vida de novela. Não sou do asfalto nem da favela. Sou do mato. Nunca fui de contentar em ver a vida passar debaixo da minha janela. Sou simples, mas de fino trato. Na minha aquarela, as cores se casam, e se misturam e se lambuzam. Não quero que nada caia do céu, mas não admito que roubem o meu papel. Sou dono da minha cena. Sou a alma do poema. O amor é o meu lema, minha lança e o meu escudo. Sou sonhador, rei do meu ludo. Lá, e ainda lá, tenho nada e tenho tudo. Sou do alecrim, da arruda, do guiné... Sou do povo da fé. O tempo brinca em meus canteiros. Cada esperança é uma corda que me sustenta. Sou violeiro que inventa moda em penca. E não acredito no azar da avenca. Sou da roça e o destino não se dá a quem não se coça. Na minha viola ganho mola, vou às nuvens e faço bossa enquanto sinhá anja me roça e adoça.


Comentar Seja o primeiro a comentar

18/11/2011 - Viés e revés

Quando eu era nada, mais que nada, você era meu tudo, meu mundo, meu desejo mais profundo de amor. Tempos atrás, tarde lilás, axés e oxalás, eu já a tinha daqui, em sonhos que sonham longe demais. Nossa história apagou quase por completo a minha memória. Uma amnésia que só deixa eu me lembrar de você. Já não sei quantos anos se passaram, quantos caminhos começaram e acabaram diante dos meus pés. Só me recordo das nossas mãos, das nossas bocas, das nossas pernas dadas ao longo dessa andança que marcha rumo a nossa velha infância. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

Vila das valsas (trecho I)

"Dançava descalça pela grama enquanto estendia algumas peças de roupa. Inventava coreografias com os tecidos antes de pendurá-los no varal. Um balé entre roupas vermelhas, azuis, verdes e lençóis brancos. Um balé sem sapatilhas. Como num efeito óptico, ora eu via todas as linhas de seu corpo num desenho mágico ora eu via somente uma sombra escondida atrás de algum lençol. Não seria demais se ela se equilibrasse no arame do varal com a ponta dos pés, sem sombrinha, sem rede, sem público... e rodopiasse sem tocar os pés no chão"...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

Vila das valsas (trecho II)

"Sem adeuses, propriamente ditos, e em silêncio. É assim que eu parto, como fora assim em todas as outras vezes. Não podia impedir esse caminho que se traçava dentro de mim. Vontade de ficar e de ir embora ao mesmo tempo. Portanto, não podia dar ouvidos às minhas vontades. Apenas, fazia o que era para ser feito. Certo ou errado, tinha de ser feito. Pouco a pouco, os pés ganhavam ritmo. Eu e a estrada, velhos companheiros. Se gostamos um do outro, não sabíamos, mas guardamos certa intimidade. Eu não fugia dela, tampouco ela fugia de mim. Quando um de nós, independentemente de quem fosse, procurar pelo outro, saberia aonde encontrar".


Comentar Seja o primeiro a comentar

Vila das valsas (trecho III)

"Um casebre de madeira com uma longa varanda sustentada por velhos mourões. Talvez eucaliptos. Desci sem companhias. O trem, sem estímulos, cumpria o seu curso e aos apitos, alimentava-se de trilhos. Eu, sozinho, um lugar onde jamais pusera os pés antes. Fiz, mas o porquê de fazê-lo ainda não sabia. O estranho é que quando o trem parou, algo me dizia que aquela era a minha estação. Sem ninguém para pedir conselhos, tinha que escutar vozes que vinham não sei de onde. Hipóteses à parte, o fato é que eu estava na Estação de Vila das Valas. Uma placa trincada, talvez por prego, talvez por caruncho, talvez por idade, dependurava-se tímida num dos caibros da varanda. Vila das Valsas. Por enquanto, simples dizeres. Vila das Valsas. Uma cidade perdida entre o horizonte nublado e a terra úmida".


Comentar Seja o primeiro a comentar

Primeira   Anterior   4  5  6  7  8   Seguinte   Ultima