Daniel Campos

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Encontrados 112 textos. Exibindo página 4 de 12.

26/05/2011 - Vento de maio

O vento finado de abril vem lá do fundo do mundo, meio sem cor meio sem graça, descontente de amor, desacreditado da paixão. Vem frio e vazio, dobrando o horizonte, fustigando o chão. Vem raivoso querendo fazer tempestade, vem vento odioso querendo varrer da terra a saudade. Vem cortando de tristeza quem ama. Vem com fama de violento, levando cabra valente pra debaixo da cama. Vem vento agourento, apagando da fé a chama.

No entanto, conquanto, pra mó do espanto, quando encontra a flor de maio, aquieta-se entre os seus espinhos e tinge-se de vermelho, de rosa, de salmão, de champanhe, de branco. No branco dos véus das noivas que caminham pelos tapetes das igrejas de maio. O vento brabo fica manso, vira brisa nas bocas que trocam seguidos eu te amos. Deixa de ventar e começa a soprar um sopro divino, que dá alívio e criação à civilização da ventania. ...
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07/05/2014 - Vento virou

Vento virou, maré encheu, olho vazou e quem sou eu? Êe tempo bom, êe coração rei, êe amor se tornou lei e eu ainda não sei. Sobe para lá, acode de cá, o que pode e o que não pode eu ainda hei de descobrir daqui para ali. Por hora, sorri porque sorrir é o anti-ferir, o desproibir, o não cair na cilada que sempre está por vir. Ah! Que tudo passe a ser como deveria ter sido, como fora escrito no mito de nossas existências. Viva deixando que as penitências sejam carregadas pela ventania. Aplauda o cortejo da fantasia que vem vindo aos olhos do que não se vê. Êe volta pro seu lugar sem volta. Êe não se brinca com o verbo amar. E quem brincar vai doer, vai sofrer, vai se perder da felicidade. A deusa dos ventos já disse que o corte do chicote de que quem fere o que mora no peito não tem remédio nem jeito. Cuidado, amor que é amor não passa ao lado. Deixa de luta e escuta o que diz a mudança do vento. Vento virou, lua balançou, mar atiçou, árvore caiu, fogo frigiu, estrada fechou, caminho novo se abriu.


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30/04/2011 - Verdades e mentiras

A vida é feita de verdades e mentiras. Toda história tem um pé na realidade e outro na ficção. Há sempre uma verdade por detrás de uma mentira e vice-versa. A serpente mentiu para Eva que mentiu para Adão que mentiu para Deus que nunca mentiu. Ou mentiu? Corruptos e santos se igualam na mentira. Algumas mentiras são maiores, perversas, outras são pequenas e sutis, mas todas são mentiras. A minha verdade é a sua mentira. E a sua mentira é a verdade de quem?

A verdade está no reflexo ou no fundo do espelho? Tudo é uma questão de ponto de vista, de saber enxergar, de valores. A dor e a fraqueza habitam a mentira tanto quanto a dor e a coragem forjam a verdade. A dor está sempre presente. A dor de contar ou ouvir a mentira, a dor de contar ou descobrir a verdade. Elas coexistem. Afinal, para que haja verdade é preciso que haja mentira. Quem nasceu primeiro: o ovo da verdade ou a galinha da mentira? ...
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28/09/2015 - Verdades não ditas

Bicho do mato não pode sair do mato senão bicho não se responsabiliza por seus atos. Saudade comprida vai até onde a gente encomprida. Se a onça não tem pinta não é a gente que vai pintar. Tem mais sabiá cantando do que chorando e isso é bom de imitar. Tudo que é de se querer sem ver é de coração. Nem sempre o que embala o sono é uma canção. Se fossem de néon as estrelas dançariam de tão leves e durariam mais do que o universo se atreve. Se saudade valesse algo de verdade não ia faltar frete.


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Versos tatuados

Não sabia as horas, tampouco a data. Sabia apenas que o céu, como se de luto, cobria-se de negro e que aquele era o melhor momento para encontrá-la. A mulher, de sorriso leve, pouco a pouco, tornava-se mais a vontade diante dos olhares de algas marinhas que lhe olhavam do espelho. A cada novo encontro, o sorriso parecia mais leve e os olhares mais surpresos.

Na beira do cais, nos campos de girassóis, na rua mais famosa da cidade, num quarto escuro... Não havia lugar certo para se dar o encontro. Depois de quebrar todos os relógios e rasgar todos os calendários, ninguém mais tinha consciência se ela se atrasava ou não... Eu, uma embarcação a deriva no tempo, apenas navegava em suas ondas. Ela, o próprio tempo....
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24/12/2008 - Véspera de um novo tempo

Hoje é o último dia em que Maria leva um novo tempo em sua barriga. A partir de amanhã, este novo tempo estará entregue aos braços do mundo. Hoje, Maria já sente as dores do parto. Nove meses depois da vinda do anjo anunciador, a jovem já se prepara para levar esse novo tempo no colo. Hoje é o dia em que as sombras do reinado de Herodes e a estrela de Belém se entreolham, preparando o confronto entre a luz e a escuridão.

É véspera de o ventre de Maria dar à luz um deus humano. É véspera de toda humanidade ter um deus que chora, que mama, que dorme. É véspera da peregrinação de um deus feito de carne. É véspera dos anjos cantarem no céu. É véspera dos pastores se ajoelharem ao menino. É véspera de um novo tempo nascer em uma manjedoura. É véspera dos magos do Oriente partirem em jornada. É véspera de um tempo de ouro, incenso e mirra. ...
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Vestida de baile

Com um vestido de baile que nunca dançou, saiu pela cidade afora. Saltos nas mãos, pés na grama úmida, olhos para além dos anéis de saturno. Vestido cor de peixe, saltos cor de lua, grama cor do mar que não havia ali e olhos cor de céu em noite de cometas. Passos de campari. Ora mais pra lá ora mais pra cá de uma linha imaginária. Assim como a bebida, seus passos eram vermelhos e vinham num doce-amargo. Em seus passos folhas, caules, raízes, frutos e flores dos quatro continentes.

Não levava cigarros na boca ou na bolsa, aliás, não levava bolsa nem o toque de um celular. Mas levava preocupações. Era o trabalho da faculdade, o crediário de três ou quatro necessidades fúteis ou futilidades necessárias, era o mau-humor do chefe, era o sono, era o vizinho, era o começo da gripe, era o ciúme do pai, era a tosse da mãe, era a histeria da irmã, era a estripulia de um cachorro, era o relógio quebrado, era a roupa manchada, era um disco emprestado, era a azia do jantar, era o cunhado bêbado, era o carro enguiçado, era a falta de tempo, era a segunda-feira, era a falta de algo ou de alguém, era o fim da festa antes do fim. Festa? ...
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05/12/2015 - Vestida de vermelho

Vem vestida de vermelho, dama de fazer o cavalheiro dobrar-se em joelhos numa cortejamento que vai ligando e desligando e religando sentimento. Vem de pernas à mostra e cabelos ao vento. Vem e, em ensolarada ou ao relento, quem é que não gosta da beleza posta de forma mais que especial. Aliás, espacial, pois é vinda das estrelas, das constelações, das galáxias das imaginações que moram em minha cabeça. Não se esqueça de que somos partes do universo, repletos de infinitos e segredos, de luzes e sombras, de desejos e medos. Vem vestida de vermelho e nem precisa de espelho para saber que está soberana, dona das ruas, dos corpos, das camas. Arde em chama e faz arder na ilusão quem a ama. Rama de sedução. Trama de paixão. Drama de sim e não. Impossibilidade abstrata. Pele de cetim e coração de lata, vira-lata, que destrata a coisa amada. No seu vermelho, o relho do fim vai cortando, sangrando, se acabando em mim. ...
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Viagem ao espaço

Depois de um longo tempo sem emprego, foi contratada para fazer propaganda de uma multinacional. Quando pegou o imenso balão vermelho em suas mãos, pegou também uma dezena de sonhos e sabores que andavam caídos dentro de si. Sonhos de quando queria ir às estrelas, completar a volta ao mundo em um balão, testemunhar o sol mais de perto, sentir seu calor, seu suor.

Mas seu corpo, pelo regime de tantas ilusões, não conseguia suportar tanta força. E tantas vontades aliavam-se a um vento forte para arrastá-la para os céus. Os pés chegavam a derrapar no gramado ao lado da avenida onde tinha que ficar segurando a propaganda com um nome em inglês. ...
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27/02/2008 - Viagem espacial

Hoje, vou colocar minha roupa de astronauta e explorar um planeta desconhecido. Um planeta que, de birita em birita, gira fora do eixo, praticamente, no mundo da lua. Se quiser embarcar comigo nesta viagem espacial, cuidado. A previsão dos especialistas é de que estamos sujeitos a uma chuva de meteoros. Afinal, este país nasceu do conflito entre o empregado e o patrão, entre o socialismo e o capitalismo, entre a miséria e o show business. A instabilidade é sua marca.

Entre translações e rotações, este planeta tem movimentos de roleta de cassino. Há ventos de apostas ventando para tudo quanto é lado. A cada perda, um terremoto emocional. A cada vitória, uma tempestade banhando o próprio ego. Também, o que dizer de um país que vive de palpites, de hipóteses, da famosa "fezinha popular"? Aponta no universo como jogo do bicho e vive o constante dilema do pregão da bolsa de valores: Comprar ou vender? Gastar ou poupar? Independentemente da resposta, é preciso jogar as fichas na mesa... ...
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