Daniel Campos

Ou exibir apenas títulos iniciados por:

A  B  C  D  E  F  G  H  I  J  K  L  M  N  O  P  Q  R  S  T  U  V  W  X  Y  Z  todos

Ordernar por: mais novos   título

Encontrados 112 textos. Exibindo página 5 de 12.

08/10/2009 - Viaja Comigo?

Quero andar de bicileta com você pelas ruas de Londres. Quero escrever seu nome nas árvores de Nova York. Quero tê-la olímpica em meus braços durante uma estada em Barcelona. Quero navegar pelos canais de Amsterdã fazendo do meu corpo seu barco. Quero manchar nossas bocas nos vinhedos franceses. Quero assistir com você, inúmeras vezes, o pôr-do-sol em Florença. Quero que nosso trenó seja puxado por cães em British Columbia. Quero anoitecer em seu relevo na planície indiana do Taj Mahal.

Quero roubar um camelo e, entre corcovas, abraçar-lhe pelo Saara. Quero alugar um trailler e rodar a Austrália ao som daquela música que você gosta. Quero cruzar a cordilheira himalaia tendo você na garupa de uma lambreta. Quero lhe amar por entre os fiordes da Patagônia chilena. Quero atravessar a muralha da China carregando você em meu colo. Quero, em Zurique, lhe ensinar a nadar em uma psicina de chocolate. Quero lhe dizer eu te amo incansáveis vezes em Viena. Quero lhe roubar um beijo quando fechar os olhos diante do Grand Canyon....
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

11/01/2017 - Viajando

Eu fui a tantos lugares sem sair do lugar. Eu viajei sem sequer arrumar as malas. Eu saí de casa sem sair da cama. Eu visitei vários capítulos de uma trama. Eu ouvi falas e canções, vi paisagens, estive de passagem por tantas passagens. Eu cheguei ao mundo da fantasia, da imaginação, do coração. Eu estive no micro e no macro. Eu provei de vários pratos, perfumes, texturas, cores. Eu mergulhei em matizes de amores inesquecíveis. Eu me afundei em histórias do amanhã, do agora e de memória incríveis. Eu me banhei em águas profundas e sagradas. Eu corri estradas e estradarias. Eu subi e desci escadarias de um tempo perfumado. Eu planei, flutuei, voei. Escalei montanhas, testemunhei tamanhas provas de que tudo está conectado. Eu estive em tantos pontos de quânticos contrapontos. Eu fui só sem nunca estar só. Eu fui desatando nós sem desatar o nó que sou. Eu fui onde estou. Eu estou onde fui. Eu deixei meu corpo e me tornei um sopro. Um sopro sem casa. Um sopro de asas. Um sopro sem pausa. Um sopro que causa uma vontade imensa de continuar essa viagem de amor sem qualquer aragem.


Comentar Seja o primeiro a comentar

03/04/2015 - Viajando no silêncio

Transmuta do grito ao silêncio. Diminua o volume da televisão, a altura da voz e os repiques do seu coração. Pisa mais leve, de preferência descalço para não haver barulho de solado ou salto e tomando o solo feito de via-crúcis e pranto passado como sagrado. Repara como até os pássaros diminuem hoje a cantoria e a rua de agora não é como ontem se via. Repousa as cordas do violão, observa como os trens chegam quietos na estação, ouça a voz da solidão. O andor da quietude passa e pede respeito. Nada de palavrão, de berreiro, de exaltação... Hoje o amor que perdura por milênios passa em procissão. Porém, nada de se fazer sofrimento, de ser morada de tristeza, de remoer a morte... O silêncio, além de ser uma emanação de respeito, leva-nos para além do tempo a um aprendizado: o que é amar? Solidarizar-se com aquele que foi crucificado há dois mil anos não é passar o dia chorando, mas amando.


Comentar Seja o primeiro a comentar

14/05/2013 - Vida à disposição

Que a morte não demore a chegar. Estou no fundo do poço, no fim da linha, no fio da navalha. Estou pronto para partir. Partir para mundos que permitam voos mais altos ou, simplesmente, que lhe permita um voo raso. Depois de tanta escravidão, exploração, submissão, é preciso que a vida se quebre e liberte a essência de tudo. A morte não é para os fracos, como dizem, mas para os fortes que tiveram suas forças e coragens sugadas pelo dia a dia. A morte não é uma saída ou um atalho, mas o caminho natural para a renovação. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

21/11/2009 - Vida além da vida

Nem na rua São Miguel, nem no mercadinho, nem no brechó da igreja São Benedito... ninguém mais a viu em lugar algum. Dizem que ela descansou; que partiu cedo demais; que finalmente encontrou a paz. Há um ano dona Adélia, brasileira filha de italianos, casada há mais de cinqüenta anos, mãe, avó e bisavó, dona de casa e ministra da Eucaristia de Nossa Senhora de Monte Serrat desapareceu. Curiosamente, ela deixou todas as suas roupas, os seus sapatos e, até mesmos, seus óculos arredondados. Nem mesmo a aliança levou consigo. Corajosa, quis partir completamente livre para dar início a uma vida nova. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

21/05/2015 - Vida de cachorro

Meu cachorro me falou que não quer mais ser cachorro, que não aguenta mais viver no osso da vida pós-moderna. Enjoou da ração que é todo dia sempre igual. Sente necessidade de ter crédito na praça para comprar o que vê nas propagandas da televisão. Quer fazer terapia para passar incólume pelos pets shops. Meu cachorro está depressivo com saudade de ser cachorro de verdade, seja correndo pelo campo, rolando na grama, latindo quando lhe der na telha. Agora meu cachorro tem que respeitar a lei do silêncio do condomínio estando, portanto, terminantemente proibido de uivar para o melhor da lua cheia que é na noite alta. Tem saudade até do tempo que tinha uma pulguinha ou outra para passar boas horas se coçando. Hoje com esse tanto de shampoo e condicionador canino está tão limpo e macio que parece mais enfeite que cachorro. Ele queria mesmo era correr livre, rosnar pra carteiro, roçar nas cadelinhas, cheirar o traseiro alheio. Mas agora vive entre paredes, espiando o mundo apenas da janela do décimo sétimo andar. E quando sai é de coleira. Deixou de ser cachorro para ser um produto. Ele sente falta do tempo que eu tinha tempo para brincar com ele e não apenas para postar suas fotos nas redes sociais. Meu cachorro anda tão estressado que morde o próprio rabo e deita de barriga para ficar olhando pro teto. Odeia o funk, o sertanejo universitário, o pagode dos vizinhos. Queria mesmo era poder escutar o som do vento batendo nas árvores, a cantoria da passarada, as prosas das pessoas que tinham muita história para contar. Hoje meu cachorro tem as unhas compridas porque só anda no porcelanato. Queria mesmo era pegar carrapicho, correr atrás de galinha, deitar em qualquer lugar. Queria poder comer comida de verdade, meter as fuças onde quisesse e ainda sorrir numa total falta de compromisso, pois na sua agenda só constaria uma anotação: ser cachorro.


Comentar Seja o primeiro a comentar

23/02/2016 - Vida e morte de galo

O galo despertou. O galo anunciou: são seis horas da manhã. O galo o meu coração disparou. O galo cantou e eu não sei se é ontem ou amanhã. O galo não perdoa. O galo me tira do sonho como quem tira doce de criança. O galo me acorda à toa, pois continuo sonhando com os olhos abertos. O galo por mais longe está sempre perto. O galo empoleira na minha cabeça. O galo cocorica e não há quem do cocoricó esqueça. O galo, sem corda, sem pilha, sem bateria, escandalizou outro dia. O galo espora a noite, bica a madrugada e do nada decreta o fim da fantasia. O galo é a voz da realidade nos chamando à vida. O galo, sem ter asas para voar, prefere escravizar a saudade na lida. O galo anunciou que o amanhã chegou no hoje que já vai ficando para trás. O galo esperneou pintado de guerra. O galo acabou com a paz. O galo inflou e tombou pela terra. A galinha veio e ciscou e nesse ciscar o galo enterra.


Comentar Seja o primeiro a comentar

23/02/2015 - Vida em bonança

Toca a minha mão, fala ao meu ouvido que eu sou seu amado, seu companheiro, seu amigo. Fala tudo o que tem vontade. Abre seu peito, com respeito, deixando escapulir a saudade. Segura em meus ombros para evitar tombos. Ampara em mim, mas não para porque sua caminhada não pode ter fim. Que seja de verdade todo amor que faz alarde. Joga o buquê de um casamento sem idade com as estrelas para os que sonham se mar sem por quê. Usa meu corpo para se esconder da tempestade. Pede meus sorrisos se for preciso para alimentar sua felicidade. Agarra em minhas costas para não cair pelas encostas do tempo. Pede conselho a quem jamais quer vê-la de joelho por sofrimento algum. Toma de assalto o céu, e volta alto, mas não voa voada rasa, se preciso for leva consigo as minhas asas. Sem medo, deixa no meu ninho os seus segredos que eu hei de cuidá-los antes que o cedo se faça tarde numa dessas ilusões da idade. Cala toda e qualquer calamidade, seja criança que não vê maldade nem esperança, apenas vida em bonança.


Comentar Seja o primeiro a comentar

Vida em folha morta

Dizem que meus escritos são tristes. Não me considero o senhor da tristeza. Digo e afirmo que nunca quis adotar um estilo trágico, sequer apoio o drama como forma de vida. Mas além de sofrer influências do mundo de sentimentos que me cerca, talvez eu tenha um toque natural de tristeza. Onde toco não vira ouro, vira tristeza.

Escrevo o que sinto - nada além nada aquém. Não disfarço os sentimentos, eles se afloram em mim na sua forma bruta para posteriormente serem lapidados. O ideal é que as palavras, mesmo refinadas, sejam fortes. Fortes na essência. Cada letra deve guardar algo, uma razão que possibilite a sua estada no contexto. As palavras não são os frutos de uma angústia nem de um contentamento, ao contrário, são produtos do momento. Procuro passar para o papel aquele momento. O estado é transitório. Transcrevo o instante. Escrevo no meu tom, não tenho culpa se o julgam como triste. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

05/11/2008 - Vida quântica

Quantos projetos você já engavetou sem querer? Quantos sonhos você já teve de deixar pra trás? Quantos amigos já lhe traíram? Quantas vidas você já gastou? Quantos prazeres se transformaram em dor? De quantas chegadas só restam partidas? Quantas estrelas cadentes já passaram pela sua frente? Quantos pedidos já se realizaram? Quantas fantasias você precisou sufocar para poder continuar? Quantas às vezes em que já mudou o destino e perdeu?

De quantos remédios você precisa para sobreviver? Quantos mistérios você já desistiu de descobrir? Quantas histórias você deixou de contar, de ouvir, de viver? Quantos caminhos ficaram longos demais para você percorrer? Quanto de saudade você guarda no peito? Quanto de bom se transformou em ruim? Quantas certezas já não são tão certas assim? De quantos sóis o seu céu tem precisado? Quantas as noites em claro que você tem vivido?...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

Primeira   Anterior   3  4  5  6  7   Seguinte   Ultima