Daniel Campos

Ou exibir apenas títulos iniciados por:

A  B  C  D  E  F  G  H  I  J  K  L  M  N  O  P  Q  R  S  T  U  V  W  X  Y  Z  todos

Ordernar por: mais novos   título

Encontrados 33 textos. Exibindo página 2 de 4.

17/11/2012 - Galo caipira

Quando o galo caipira canta aos pés da surupira até o curupira se espanta, pois tudo amanhece na mata, dos bichos às águas da cascata. Quando esse galo da cor de urucum canta, não fica nenhum olho fechado; seja os olhos do casal de namorados, seja os olhos do gato pardo, seja os olhos do furacão... tudo se abre à canção do galo despertador. Quando esse galo canto na encruzilhada da estrada o vento traz o toque do agogô, a batida de tambor.

Quando o galo caipira canta tudo quanto é silêncio nem respira, só mira a porta de saída. É o sinal para as idas e vindas, para as chegadas e partidas, para os encontros e despedidas. Quando o galo caipira canta o dia chega a ficar tonto, cambaleando entre os contos da melodia. Quando o galo caipira canta tudo se agiganta, tudo se arrepia. Quando o galo se pronuncia é chegada à primavera da fantasia.


Comentar Seja o primeiro a comentar

11/07/2012 - Giramundo

Ê girê, ô girá, Giramundo vai girar... Laroyê, Laroyê!

Seu Giramundo é o machado de Xangô. Seu Giramundo é o fio da lâmina da justiça. Seu Giramundo corta o que tiver na sua frente em matéria de encantamento. Seu Giramundo manipula as forças do fogo. Seu Giramundo trabalha na linha negativa de Xangô, trabalha no desmancho de feitiçaria. Seu Giramundo desenrola casos arrastados na justiça em razão de magia. Atuando nas cercanias do deus do trovão, Seu Giramundo descarrega os filhos de Xangô de todo mal. Seu Giramundo é o guardião dos carmas e da justiça divina. Seu Giramundo não tem medo nem manda recado, por isso está sempre na linha de frente. ...
continuar a ler


Comentários Comentários (2)

11/05/2011 - Grilado

Não me fale mais nada, somente ouça meus grilos. Ouça os anjos e demônios que se esfregam em minha garganta como as pernas de um grilo. Não me espanta eu ser o ventríloquo de um ser que desconheço. Falo e não me convenço do que digo. Eu sou a voz que escurece o dia, a voz que rasga a fantasia, a voz que amadurece o figo. Eu sou a voz que vem de longe, que esconde um segredo, que treme de medo. Eu sou a voz dos grilos que cantam em estribilhos. Eu sou a voz do trem que vem faiscando nos trilhos. Eu sou a voz daqueles que se ajoelham no milho. Eu sou a voz que ecoa pelo asilo. Eu sou a voz da noz que come o esquilo. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

04/05/2011 - Galinheiro particular

Ao contrário de Gisele Bündchen, meu avô nunca ganhou os jornais por manter um galinheiro particular. Mesmo assim, a fama de seus ovos e frangos caipiras ganhou a vizinhança. Pudera, as galinhas de meu avô não eram quaisquer galinhas. Eram espécies selecionadas a dedo por ele. Galinhas vermelhas, brancas, pretas, carijós que recebiam tratamentos dignos de princesa: comida de primeira, poleiros cobertos, água de poço, ninhos confortáveis e um terreiro imenso para ciscarem. Também contavam com uma grande ameixeira para se aventurarem entre os galhos e frutos amarelados. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

14/03/2011 - Girassol sem sol

Como seria o girassol se ele perdesse seu amarelo? Será que continuaria sendo girassol? Será que continuaria girando em torno do sol? Certamente, teria outro nome e função bem menos poética. Se ficar branco ainda poderá ser giralua. Mas e se virar um descolorido só ou um borrão de nanquim? Girará em lembranças do que um dia o foi. Até mesmo os pássaros que se alimentam de suas sementes hão de perder o apetite.

Pois bem, é bom se acostumar com essa realidade. Pois “vaso com 12 girassóis”, uma das obras mais famosas de van Gogh está perdendo a cor. O amarelo cromo se transformará em amarelo ocre e depois em marrom. Girassóis marrons não existem. Essa aberração artística é culpa do tempo que ao passar promove um sem número de variações químicas. Especialistas tentam encontrar uma solução, um remédio, uma saída, mas van Gogh morreu e com ele vai morrendo o amarelo cromo. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

08/03/2011 - Gaia e suas mulheres

Todo artista tem em sua alma uma espécie de útero. Foi assim que essa fonte de energia chamada Deus deu a luz ao mundo. A humanidade chegou aonde chegou por conta do pecado original, envolvendo duas simbologias femininas: a maçã e a serpente. Temos em nossas veias o sangue de Eva. Jesus só foi Cristo graças ao milagre de Maria, Nossa Senhora, que é una e ao mesmo tempo centenas de invocações e rostos.

A civilização perdeu a cabeça com Joana D’Arc. Imperadores e escravos da paixão viraram pedra diante dos olhos de Cleópatra. Os amantes passaram a amar em francês com Edith Piaf. Os deuses do Olímpo se destruíram pela beleza de Afrodite. Quantos homens se curvaram a uma Margaret de ferro? Quantos não sonharam em dançar com Margot Fontain? Quantos corações foram revirados pelos gestos de madre Tereza de Calcutá? Quantos os órfãos da princesa Diana, de Evita Perón, de Elis Regina?...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

27/02/2011 - Gárgulas apaixonados

Eles se amam como amam os gárgulas, de dia estão tão perto e quão distantes, já a noite são amantes, voando nas asas um do outro, num amor guerreiro e solto.

Antes do fim do primeiro beijo, o coração de pedra explode de prazer em medos e desejos, em trovejos e segredos que não aguentam mais se esconder.

Pela escuridão, entre o sim e o não, os gárgulas vão se perseguindo, se seduzindo, se possuindo, como duas estátuas em movimento, duas criaturas de sangue ao vento. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

18/02/2011 - Grand-Ópera

Quero pegar o trem que me leve para o mês que vem. Quero pegar a rua que me leve para lua. Quero pegar o a trilha que me leve para deserta ilha. Quero pegar o caminho que me leve para um bom vinho. Quero pegar a estrada que me leve à criatura amada. Quero pegar a direção que me leve a uma paixão. Quero pegar a nave espacial que me leve a outro astral. Quero pegar o cavalo de aço que me leve às flores de março. Quero pegar o submarino que me leve ao feminino.

Quero pegar a vela que me leve a outra janela. Quero pegar o nevoeiro que me leve ao meu eu mais inteiro. Quero pegar a vereda que me leve ao bicho da seda. Quero pegar o balão que me leve à próxima estação. Quero pegar a via que me leve ao mundo de fantasia. Quero pegar o destino que me leve ao tempo de menino. Quero pegar o vento que me leve ao rebento. Quero pegar a cruz que me leve à luz. Quero pegar o avião que me leve para o anjo coração....
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

14/02/2011 - Gosto de você

Eu gosto de você exatamente assim, como que feita sob medida para mim. Gosto de cada fragrância que nasce em sua pele, em seus pelos, em suas entranhas. Gosto de seus saltos, de seus tatos, de suas manhas, e das suas tramas, do seu jeito de andar, de parar, de pousar sobre a cama. Gosto de sua aristocracia, da sua multidão, da sua poesia-coração, da maneira que encontrou para ser felina e dama na mesma canção.

Eu gosto de você sem tirar nem por: metade ódio metade amor. Gosto das paisagens concretas ou abstratas, conhecidas ou inéditas que surgem em seus olhos de condor. Gosto do seu açúcar e do seu veneno, eu gosto de você assim nenhum quilo a menos, nenhum centímetro a mais. Gosto de você como um barco gosta do cais, sempre por perto. Gosto de você como se gosta de um sonho predileto....
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

04/02/2011 - Grita que fica

Se for falar de separação, por favor, não fale agora. Não é hora de lhe perder. Quer porque quer me fazê-la esquecer de um modo que ainda não pude. Mulher,baixe a guarda, esse jeito rude não combina com você. Quem nasce pra fada não tem porque se praguejar tanto assim. Tem pena de si, tem dó de mim. O nosso amor não merece chegar ao fim.

Ao fim dos beijos. Ao fim dos ensejos de nós dois. Ainda há muito pra se fazer depois. Depois de hoje, depois de amanhã, depois do tempo que vem, não lhe convém pegar o primeiro trem. Não lhe convém dar os braços à solidão e sair às ruas sozinha , tão livre e quão minha. Ah! Mulher não me deixe aqui com esses ais, o que vou fazer com os sonhos, costumes e retratos de casais?...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

Primeira   Anterior   1  2  3  4   Seguinte   Ultima