Daniel Campos

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Globalização: cooperação ou privatização?

Teoricamente, globalização implica na queda de fronteiras (econômica/ política/ social) existentes pelo mundo. Num primeiro momento pode-se pensar num povo sem fome, sem guerra, com sorrisos estampados nos lábios em vista de um enorme pacto social de cooperação. Entretanto, a globalização se vende como uma proposta de paraíso perdido e age violentamente como uma nova colonização.

Quem controla a globalização são os países desenvolvidos. Eles, os donos da "cultura dominante", impõe as suas vontades ao resto do planeta. É como se o mundo fosse ditado pelas mãos de meia dúzia de ditadores. O exemplo concreto é o discurso que envolve a ALCA (Associação de Livre Comércio das Américas). Fala-se de união, mas nas entrelinhas do discurso de Bush esconde-se uma Cuba que ficará de fora da associação e um protecionismo voltado para os produtos americanos. Irão vender milhões de litros de Coca-Cola, de lanches do Mc?Donalds, de carros da Ford ao longo do continente americano, mas continuarão as inúmeras restrições relacionadas aos produtos de outros países no território do Tio Sam. E é assim com a França, a Inglaterra, a Alemanha... ...
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Grão de mostarda

Era um rosto ou uma parede aquilo que se equilibrava sobre seu pescoço? Essa era a pergunta que andava na cabeça dos bêbados de sol, de fome e de outros tóxicos. Um rosto duro instransponível homogêneo. Como se ela tivesse nascido da muralha da china. Nenhuma maquiagem. Nenhuma expressão. Só uma longa extensão de nada com coisa alguma. Assim, ela corria por entre as mesas de um restaurante de duas, no máximo, três estrelas.

O lugar era condizente com o rosto daquela mulher. Enquanto escondia o rosto, misturando boca, nariz e olhos num mesmo plano, sem profundidade ou relevo, levava seu umbigo sempre à mostra. Não tinha piercings, tatuagens ou qualquer outro marketing. Só o umbigo. E embora pequenino, perdido naquela falta de barriga, surgia como um estrondo diante dos olhos desavisados. Pudera, aquele umbigo tinha mais expressão que seus olhos. ...
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Grávida

Grávida, ela teria o andar equilibrista de sempre. Grávida, ela caminharia um pouco mais devagar. Grávida, existira o cuidado, o zelo, mas os saltos teriam a mesma altura. Grávida, ela traria os últimos botões desabotoados. Grávida, os cabelos viriam presos, não sei por qual razão, mas viriam presos. Grávida, ela passaria a conversar ainda mais consigo mesmo. Grávida, os sobressaltos seriam mais raros. Grávida, misturar-se-ia à barriga numa cena digna de filme europeu. Grávida, ela se pegaria lendo as mesmas páginas de um romance qualquer. Grávida, ela ficaria horas a fio, tentando adivinhar o sexo do bebê, a partir de seus movimentos, embora tivesse a resposta na ponta da língua. Grávida, encher-se-ia de segredos. Grávida, ela iria mergulhar ainda mais em si. Grávida, ela teria todos os motivos e justificativas para deixar escapar uma lágrima. Grávida, ela seria manhosa. Grávida, tantos sonhos seriam gerados com a criança. Grávida, ela procuraria um lugar para se esconder longe de qualquer civilização. Grávida, ela se fingiria carente. Grávida, ela acreditaria em fadas. Grávida, ela dançaria com a barriga, escondida de qualquer testemunha, uma música que há tempos não ouvia. Quem sabe Phill Colins. Grávida, a feminilidade lambuzaria os seus lábios. Grávida, seus sorrisos seriam ainda mais longos. Grávida, ela teria vontade de tantas coisas que não existem. Grávida, ela iria deixar ser tocada pelo sol. Grávida, ela pediria conselhos para a lua. Grávida, ela se tornaria mais arisca. Grávida, ela faria visitas a tantas portas que ela mesma havia trancado. Grávida, ela se sentiria mais forte. Grávida, as contrações não seriam maiores do que nenhuma outra dor. Grávida, o parto seria calmo, sem gritos ou gemidos. Grávida, o maior medo seria ver o bebê deixar o seu corpo. Grávida, agarraria a criança, como sempre tentou agarrar o mundo. No entanto, mesmo com unhas compridas, o bebê escaparia e deixaria a despedida em suas mãos. Grávida, ela se entregaria aos sonhos....
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