Daniel Campos

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Encontrados 362 textos. Exibindo página 30 de 37.

Conspiração Tamburello - prefácio

Prefácio de um menino

Entre o consciente e o inconsciente, uma Lótus preta, com letras douradas escrevendo John Player Special, revira-se como um registro primitivo em minha mente, em meu corpo, em minha alma. Vez ou outra, quando os olhos se vão longe, meus pensamentos correm a bordo dessa máquina, que aparece e desaparece riscada pela velocidade. Entre esses riscos quase abstratos, um capacete amarelo rouba a cena. Idos de 1985, 1986. Na época eu não entendia muita coisa, mas gostava daquele mundo. Algo me fascinava, me atraia, me seduzia. Dentro da família, causava espanto um garoto de tão pouca idade permanecer por duas horas com os olhos grudados em frente à tela da televisão vendo carros dando voltas e mais voltas sem chegar a lugar algum. Ao contrário de ter um time de futebol, eu tinha um piloto de F1....
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Comentários (1)

23/11/2011 - Constatações

E se não fosse mais seria menos e se não fosse ontem seria agora e se não fosse último seria começo e se não fosse pecado seria santo e se não fosse a fome seria a sede e se não fosse o ciúme seria a saudade e se não fosse o tédio seria o estresse e se não fosse o gato seria o cachorro e se não fosse o parto seria o adeus e se não fosse o céu seria o mar e se não fosse o herói seria o bandido e se não fosse a esperança seria a tragédia e se não fosse a casa seria o ninho e se não fosse a semente não existiria o fruto. ...
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30/10/2013 - Constelação Julie

Acordou, fazendo jus ao seu vocabulário, pilhada. Aliás, acordou sem ter dormido. Seus sonhos ficaram apagados na noite escura. Nem mesmo a lua apareceu para acalmá-la. Pudera, a menina, vestindo um pijama de fantasminhas, foi assombrada a noite toda pelo medo da perda. Quando fez dezoito anos poderia ter se encantado com um carro, uma jóia, uma casa, mas se apaixonou por Julie, seu presente mais marcante até hoje.

Difícil explicar o sentimento existente entre a menina e a cachorrinha. Além de dividirem lanchinhos e de correrem juntas, as duas falam sobre tudo. Uma entende e se rende a outra de forma mais do que especial. São confidentes. São melhores amigas. São inseparáveis. Daí, a angústia generalizada. Naquele dia em que a menina amanheceu com olhos de tsunami, Julie seria submetida a uma cirurgia. ...
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10/09/2011 - Consulta à telefonista

Alô! Telefonista? Por favor, me ligue com a bruxa disponível, com o mago em atividade, com a feiticeira mais próxima. Ah?! Eu quero falar com alguém do setor de magia. Não! Não serve cartomante, vidente, cigana, babalorixá. Se preferível, quero ser atendido por algum descendente dos celtas. Preciso falar com alguém que entenda de magia branca, magia negra, magia azul. Pode ser do hemisfério norte ou do círculo sul...

Não, não telefonista, não me importa se ela for velha, nariguda e encarquilhada e gargalhe assustadoramente durante o telefonema. Também não me preocupo com o preço. A necessidade me obriga a queimar todas as minhas reservas. Pode fazer um interurbano para alguma vassoura em pleno vôo, para o mais sombrio dos pântanos ou para um castelo europeu. Rápido. Não tenho muito tempo. ...
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30/11/2009 - Consummatum est

O ano se arrasta, cai, levanta, bambeia, tonteia, empurra os dias com a barriga e reza para o dia 31 de dezembro acabar em barranco para que ele possa morrer encostado. É chegado o momento de jogar a toalha, de tirar o pé do acelerador, de pedir que o que ainda resta seja consumado o mais depressa possível. Há ainda quem tente correr, quem se arrisque colocando tudo a perder, quem faça por merecer e quem tente esquecer o que planejou, o que sonhou, o que almejou para sofrer menos.

Por mais que insistam em lutar, em se manter de pé, o ano se esvai como areia movediça em ampulheta roliça. Tudo acontece muito rápido. Aliás, rapidíssimo. Quem nasceu, nasceu. Quem morreu, morreu. O ano, como uma avalanche, arrasta consigo uma multidão no embalo de uma bola de neve. A cabeça ferve, mas de que adianta isso agora? Consummatum est. Não há mais tempo hábil para grandes mudanças e o tempo, a essa altura, não é tratável....
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Contagem

Quanto tempo ainda nos resta sem que tenhamos de olhar para trás? Quanto tempo ainda nos resta antes das nossas procuras serem em vão? Quanto tempo ainda nos resta antes que do encontro nasça o desencontro? Quanto tempo ainda nos resta sem que o silêncio precise falar por nós? Quanto tempo ainda nos resta antes da separação nos rondar? Quanto tempo ainda nos resta para ocuparmos os papéis de protagonistas da mesma história? Quanto tempo ainda nos resta sem que tenhamos de fazer maiores apelos? Quanto tempo ainda nos resta para inventarmos gestos secretos? ...
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Contagem regressiva

Era Maria. Maria de tantas Marias. Marias de tantas crendices. Marias de tantas tolices. Tinha seus vinte e tantos anos e outros tantos planos e outros ainda tantos enganos. Mas Maria tinha lá suas paixões que não eram outras, eram únicas. Embora, mesmo únicas, suas paixões tinham um gosto de outras.

Paixões? Um noivo que já a enrolava há oito anos, um cachorro que ela chamava de bola e uma ligação fantástica com a seleção brasileira. Sonhava com o dia da final da Copa do Mundo e quando esse dia chegava, o sonho se transformava em seu pior pesadelo, quase um câncer selvagem. Maria pendurava a bandeira brasileira na sacada do seu apartamento. Cobria bem umas três janelas de uns vizinhos não muito simpáticos. Vestia uma de suas tantas camisetas da seleção brasileira. Às vezes vestia uma por cima da outra. Elas se enfileiravam como pedras de dominó nos cabides do guarda-roupa, que tinha as portas tomadas por dezenas de fotos de seus ídolos. E como ela suspirava por aqueles homens que levavam o Brasil em suas pernas tortas....
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11/12/2012 - Contagem regressiva para o apocalipse

Dez, nove, oito... Está aberta oficialmente a contagem regressiva para o apocalipse. Os homens criados a partir da farinha de milho pelos deuses maias vão ser varridos do planeta. Os mortos vão o mundo subterrâneo, mais especificamente em Xibalba, o “local do medo”. Embora exista um ou outro paraíso em Xibalba, o mais comum por lá são criaturas demoníacas e boas doses de sofrimento. Embora os mortos não sejam julgados, passam por provações como rios de sangue, fogo, feras.

Sete, seis, cinco... Quando chegar ao submundo, torça para não encontrar Kinich-Ahau, um deus que durante a noite, em Xibalba, assume a forma de um temido jaguar. E o que dizer de Vucub Caquix, um pássaro monstruoso e um dos deuses-demônio do “local do medo”? E não adianta correr, pois se Itzamna, o deus que inventou o calendário não estiver errado, o mundo acaba daqui a dez dias. E como já estamos na véspera do apocalipse, o deus da morte Ah Puch deve estar rondando nossas casas para capturar nossas almas. ...
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23/03/2012 - Contas e mais contas

Corre doutor, que lá vem o cobrador. O aluguel já venceu, ai meu deus. A coisa ta preta, fecharam seu crédito na caderneta. Ai coitado, acabou o fiado. Para aumentar o furo vem à dívida do seguro. Nossa Senhora da Esperança, piedade, ele tem que dar de comer à criança. É tanta taxa que lá se foi o dinheiro do lápis e da borracha. Não tem sim nem não na hora de comprar o pão com o vale-refeição.

Chora doutor que a verba foi embora. É bom procurar um falsário capaz de triplicar o salário. Tome um chá para abaixar a pressão, pois lá vem o IPVA e a inflação. E ainda tem carregar a cruz da conta de luz. Não há amor que resista ao penhor. A madame tá aflita tendo de raspar a marmita. E o contracheque não dá nem pro pileque. E tome cuidado ainda para não ser roubado, saqueado, lesado... ...
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08/07/2016 - Contemplação

Chega como um raio de sol iluminando tudo. Num passe de mágica, o mundo floresce, se aquece, enobrece só, e somente só, pela sua presença. A minha crença em você é o amor sem limite, um amor que cuida, onde a entrega é um convite. Chega e tudo ganha som, e tudo ganha cor, e tudo é mais que bom. Até os pássaros querem se manchar no seu batom. Os canteiros ficam perfumados. E os carros ficam enfileirados só para você passar. Você vem como o mar, com ondas que me levam e trazem a você. Tem espaço em sua composição, pois você é de uma beleza infinita e eu mergulho, e eu mergulho, e eu mergulho na sua imensidão. Galáxias orbitam em seus olhos doces e fortes. E eu, como num bote, vou descendo suas corredeiras de sentimento. Você chega como o meu alento, como o meu afeto, como o meu sonho predileto. Um sonho real, uma estação tropical, um anjo sideral. Chega como um raio de sol, um farol que ilumina os quatro cantos, e eu a contemplo de todo encanto.


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