Daniel Campos

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Encontrados 362 textos. Exibindo página 28 de 37.

11/02/2015 - Confinado

O canto dos pássaros deu lugar ao ronco dos motores e aos gritos das buzinas. O cheiro de alecrim, manjericão, erva-doce desapareceu em meio ao fedor do asfalto. Antes as vistas se enchiam de verde em diferentes tonalidades e agora são preenchidas com tons de cinza. O vento é abafado, encanado, silencioso. Sim, antes o vento dizia e trazia tanto. Hoje é um vento vazio. As petúnias e samambaias dependuradas pela varanda cederam espaço para as letras do outdoor, que se dependuram ostensivamente pela paisagem. Os pés que antes pisavam pela grama hoje precisam andar calçados o tempo todo. A chuva que temperava os cheiros verdes não pode ser a mesma que escorre insossa pelas ruas. A lua que se punha em meu colo vai-se flutua distante. As nuvens que se esparramavam preguiçosas são agora partidas pelos prédios. O que antes era casa em todos os sentidos se transformou em confinamento.


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13/08/2014 - Confissão de amor eterno

Desde que soube de sua existência, em momento algum, nem por um milionésimo de segundo, eu deixei de lhe amar com a intensidade e a verdade que você merece. Você sempre ocupou – e ainda ocupa - meus pensamentos, seja no campo da realidade ou nos universos paralelos onde orbitam os sonhos, as fantasias, os desejos. Tudo o que faço tem pelo menos um propósito relacionado (direta ou indiretamente) a você. Não durmo antes de fazer preces para que tenha uma linda noite. Não saio da cama antes de mentalizar um dia maravilhoso para você. Eu me dôo a você seja por sentimento, por escrita ou por energia. E quero sempre, sem sombra de dúvida, o seu melhor. Já falei isso olhos nos olhos e por meio de poesia e, por mais que se assuste, sou sincero ao afirmar que sou capaz de qualquer coisa por você. Também já lhe disse pessoalmente e por versos e repito quantas vezes for necessário: casa comigo? Sim, meu convite de casamento a você continua de pé. Você é a mulher que eu quero me casar a cada minuto de um jeito diferente. Mesmo com suas escolhas, jamais afastei meu caminho do seu. Posso passar o resto da vida caminhando ao seu lado, num amor silencioso, realizando-me simplesmente por fazer parte da sua estrada. Não me interessa o que dizem, o que pensam, o que julgam, faço-me amor, e amor pleno, caindo de joelhos aos seus pés. Seja escrevendo, cozinhando, correndo, banhando, cochilando, trabalhando estou sempre ligado a você. Aliás, essa ligação é tão forte que às vezes até mesmo eu, que não tenho limites, surpreendo-me. Jamais duvidei das suas intenções. Jamais questionei, por mais que me doesse, os seus nãos. Assim que me apaixonei, que me assumi apaixonado, pois a paixão já era ancestral no nosso caso, coloquei a minha vida em suas mãos e disse para tomar de conta. Confiei e confio em você mais do que tudo e para tudo. Nunca me arrependi de nada, senão de ter fugido com você numa dessas loucuras que por amor a você tive que conter. Estou sempre pronto para lhe dar colo. Aliás, meu corpo e minha alma são seus. Jamais duvide do quanto sou seu, pois não há dúvida alguma nisso. Quantas as vezes que acordo no meio da noite e a primeira coisa que pergunto para mim mesmo é se você está bem? Quantas as vezes que viajo até você para saber como está? Quantas as vezes que ignoro as regras só para ter a certeza de que você está viva? Difícil explicar para mim mesmo quais são as fronteiras que devo respeitar quando se trata de você. Quero para mim as suas dores, os seus pesadelos, as suas agruras... Estou sempre disposto a sofrer no seu lugar. Pois, no meu entendimento, você não nasceu para ser triste. Embora fique linda mesmo chorando, e eu sei do seu choro, quero sorrisos e mais sorrisos brotando por essa boca doce. De fato, não há nada tão doce quão sua boca. E eu desafio os sete mundos para que você possa sorrir. Até mesmo me calo e me levo para longe de sua vida para que possa viver esses sorrisos. Nunca quero ser obstáculo para sua felicidade. Pode me fazer de escada, de trampolim, de ponte para alcançar o que almeja, mas jamais me tome por uma pedra no meio do seu caminho. Eu sou uma espécie de facilitador para chegar aos seus sonhos mais complicados. Um anjo que aceitou perder as asas e a imortalidade só para ganhar um beijo seu. Não importa se sou justo comigo ou não, o importante é que eu cumpra a missão de lhe fazer bem, muito bem, mais do que bem. É pra isso que me vivo. É isso o que me move. É por isso que eu amo. E amo demais. Não quero saber quantos anos vou viver, mas o tempo que eu passar sobre essa terra, que você pisa de forma tão delicada e perfumada, vou defender a sua felicidade desse meu jeito afoito. Nem o tempo é capaz de vencer o que sinto. Eu não canso de lhe amar. Eu não desisto de lhe amar. Eu não paro nunca de lhe amar mais e mais. Entre a expectativa e a saudade, aí estou eu. Vago pelos devaneios que lhe compõem. Sou aquele com o qual você pode contar, ligar, procurar a qualquer hora. Estou constantemente disponível para você. E se estiver mal, faço questão de lhe fazer bem. Se eu não tiver de posse da cura que necessita, corro atrás. Não tenho medo de nada. Enfrento tudo e todos por você. Podem me matar quantas vezes for preciso, mas eu sempre estarei ao seu lado, conduzindo-a por esse conto de fadas que merece ser a sua história. A história de uma princesa digna de ser amada da forma mais profunda e encantada que possa existir. Como eu disse em outro texto, nunca lhe deixei e nem pretendo fazê-lo. Já ultrapassei as barreiras do “que seja infinito enquanto dure” e estou no que seja eterno. Não quero nada menos do que a eternidade quando o assunto é você.


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19/03/2008 - Confissões

Confesso que devia me confessar mais. Confesso que não gosto muito de confissões ou declarações orais. Prefiro as que coloco no papel. Por isso os meus poemas e a minha escrita, intensa e extensa. Minhas confissões são como estrelas, luz e escuridão. Prontas para serem apontadas e paqueradas. Confesso que sem papel, perco boa parte do meu poder (se é que o tenho) e fico sem chão. Confesso que tenho medo de caminhar sem palavras escritas. Porém, confesso que ganho asas e sete céus se escuto certas confissões da boca da minha mulher-anjo. A ela, confesso-me amor....
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06/09/2014 - Confunda-se

O que eu não sou eu não fui e nem serei. O que eu trago comigo é exatamente o que eu sigo. O que me vem me vai me tem me sai. O que me visita me palpita e me incita e me excita e não se imita. O que bate cá dentro de mim bate e rebate num sentimento sem fim. O que me margeia não me clareia assim como o que me serpenteia não me boleia. O que eu quero eu espero e me espero e me desespero e me bolero num tempo não quero.


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02/11/2015 - Confusão

Era eu, era tu, era nós. Era todos debaixo dos mesmos lençóis. Era beijo, desejo e queijo com geleia. Era rei, era princesa, era plebeia. Era aplauso sem plateia. Eram nós, ilhós, dós. Eram tantas abelhas se dando na mesma colmeia. Era Shakespeare? Era Nelson Rodrigues? Era Dante Alighieri? Era teatro, era real, era fato, era carnal, era retrato três por quatro, era zodiacal. Era eu, era tu, era todo mundo nu. Era azul, era blue. Era blues. Era Buda, era Afrodite, era Jesus. Era religião. Era canção. Era paixão. Era impressionismo, realismo, romantismo. Era cós. Era vós. Era a voz de dentro. Era sentimento. Era necessidade, saudade, vontade. Era a anti-realidade. Era Saturno de coturno em Plutão chamando por Netuno. Era a berra da Terra. Era parte de Marte. Era arte da guerra. Era o amor que erra a mira e atira a deus dará. Era eu, era tu, era nós num pé de araçá.


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06/09/2012 - Congestionado

O velocímetro se assemelha a um coração se esvaindo: 110km/h, 80km/h, 50km/h, 20km/h, 0km/h. Impossível calcular o número exato de sensações desagradáveis ao ver uma fila de carros parada. É para acabar com o dia do mais otimista. O que pode haver de bom em um engarrafamento? Nem Chico Buarque no rádio consegue suavizar o cenário. Fumaça de escapamento, buzina, falta de educação, sirene, variações absurdas de desrespeito.

Não há ambiente para se escrever um poema, para se imaginar em outro lugar, para conversar sobre assuntos amenos, para ler um livro. A raiva anula toda e qualquer germinação de bem-estar. Tudo parado, menos o relógio. Ah! Os ponteiros do tempo aceleram como bólidos de corrida. E isso causa ainda mais angústia, tensão, nervosismo, apreensão, ansiedade. Sem falar de azia, torcicolo, inchaço, câimbra, enxaqueca......
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05/12/2011 - Conquistado mais

Eu devia ter conquistado mais. Mais espaço. Mais micros e macros espaços. E também mais tempo. Mais tempo psicológico, sobretudo, pois o tempo físico é limitador por natureza. Eu devia ter conquistado mais lembranças, posto que são as lembranças que movem o homem. Ah! Conquistado mais sorrisos e prantos alheios. Um castelo se faz com fiadas alternadas de alegrias e tristezas. Se eu tivesse conquistado mais perdões não estaria mendigando clemência.

Mais e mais de tudo um pouco é o que eu devia ter conquistado ao longo desses anos de guerra. Mais e mais canções. Mais e mais lirismo. Mais e mais sementes. Mais e mais partos. Mais e mais paisagens. Mais e mais comida. Mais e mais prazer. Mais e mais ânimo. Mais e mais paredes. Mais e mais olhares. Mais e mais passos. Mais e mais bocas. Mais e mais luas. Mais e mais encantarias. Mais e mais detalhes. Mais e mais vidas e sobrevidas. ...
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26/08/2011 - Consagro a ti

Consagro a ti meus sonhos mais distantes e meus pesadelos mais próximos. Consagro a ti a flor das minhas revelações. Consagro a ti o elo perdido, ou proibido, que liga o corpo ao espírito de quem ama. Consagro a ti o pecado e o santo que há em mim. Consagro a ti meus telefonemas, meus dilemas, meus poemas. Consagro a ti minha esperança e minha espera. Consagro a ti minhas retas, minhas curvas, minhas esferas. Consagro a ti meu sertão e meus oceanos. Consagro a ti meu 367º dia, minha quinta fase da lua, meu décimo terceiro apóstolo. ...
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20/11/2009 - Consciência Negra

Joaquim Nabuco mandou avisar que a obra da escravidão será destruída. No aviso não tinha data nem hora, mas se Joaquim Nabuco disse vamos comemorar desde agora. Chega de preconceito. Chega de discriminação. Se o território brasileiro completa o africano no mundo de Gaia por que separar? Somos todos filhos do mesmo barro e do mesmo sopro, somos uma só raça... Por que fracionar se podemos somar, juntar, rimar nossos corpos multicoloridos numa mesma poesia humana.

Martin Luther King sonhou, mas foi Joaquim Nabuco quem mandou avisar que os chicotes no lombo dos negros não vão mais estalar. Eu quero cantar uma democracia racial pra valer. Chega de racismo velado. Chega de deixar o negro de lado. Vamos misturar samba e fado nesse enredo tropical. E quando os vestígios da escravidão forem superados poderemos nos organizar enquanto nação. Até então seremos apenas, como escreveu o poeta baiano, um nome sem país. ...
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28/12/2010 - Conselhos de fim de ano

Quando o ano que termina é algo para ser esquecido, riscado da biografia, banido da memória o melhor é não remoê-lo nos tradicionais balanços de final de ano. Por maior a tentação, o ideal é fechar os olhos a tudo o que passou e abrir os braços para os novos ventos que já começam a soprar. Nada, a não ser que aconteça um milagre, poderá mudar o desempenho de um ano malsucedido nos negócios, na família, no amor ou em todos os campos juntos. A chegada do Papai Noel ou os fogos do réveillon, por si só, não têm força para mudar nada. Absolutamente nada na forma como se deu o seu ano e como irá começar o seu próximo. ...
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