Daniel Campos

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Encontrados 100 textos. Exibindo página 4 de 10.

13/08/2014 - Vem, vem, vem...

Vem
Vem minha menina
Vem pros meus braços
E deixa eu lhe contar
Que mais linda não há

Vem
Vem minha menina
Pra eu enxugar
O pranto que já
Ficou pra lá

Vem com todo açúcar
Vem deixando maluca
A minha boca pela sua
Fazendo-se nua
De toda preocupação

Vem e confia seus sonhos
Às minhas mãos
Esquece o lá fora
Chora,
Não chora mais não

Vem e não negue...
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Veneno

Silêncio
Entre meus olhos e teus cristais
A água
Espelho translúcido
Reflete teu reflexo úmido.

O suor frio
Escorre transparente
Por tuas correntes
Em correntezas
De verão.

O sol
E a nuvem.

Os olhos
E a chuva.

Os gestos
E o silêncio submerso
Na chuva
Que chuvisca na teia
Dos teus olhos de aranha.


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24/07/2013 - Venha

Venha
Sem perguntas
Nem pouca
Nem muita
Feliz e infeliz
E sempre louca
Como quem assunta
O que diz
Uma estrela para outra

Venha
Solta
À Solta
Sem perguntar por que
Sem esperar buquês
Na ponta dos pés
Feito bailarina
Meio mulher meio menina
Vestida como os ipês

Venha
Sem tempo pra preguiça
Com olhos de cortiça
Sacados ainda úmidos de vinho...
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Vento e cata-vento

Pelos ventos
Dos sentimentos
Eu proclamo
Que a amo
E clamo mais
E amo demais
Aliás, amo perdendo os limites,
Fazendo do teu destino
O alvitre
Do menino
Que habita este planeta
De pele, sonho e osso
Que sou. Ouço
A corneta
Do tempo a nos chamar
Aceita uma contradança
Vamos rodar
Feito criança
Porque o amor está lá fora
Aqui dentro em todo lugar
A nos esperar...
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Vento ventania

Se o vento vier buscar outro alguém
Eu não vou...
Se o vento vier procurar por você
Eu não estou...

Vento
Venha ventania
Venha brisa
Que eu quebro suas asas
Tomo sua direção
E ainda lhe prometo
Um outro adeus...

Se o vento vier e ainda trazer
Tempestade
Se o vento vier e ainda sofrer
Uma saudade
Eu não acredito
Não temo
Não minto
E ainda lhe prometo
A um outro deus...


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11/05/2015 - Vento, ventarei

Olha pra onde o vento bate
O vento sabe dos caminhos
Aonde o vento vai pode ir
Também, sem medo ou porém
O vento sopra a vela do destino
Venta menina, oi venta menino...

Olha para onde o vento bate
Pode ver que é pro mesmo rumo
Que o cachorro mateiro late
E que depois de todo embate
Caem o sol e a lua uma a um
Todos eles sem forças ou prumo...

Olha para onde o vento bate
E mira pra lá seus olhos-coração...
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Ventre

Ah! Me belisca
Só para eu saber se é real
Ou sobrenatural
Este seu ventre
De odalisca
Que como um poente
Decompõe-se
Em meus sonhos,
Sonhos
Que desde o carnaval
Andavam tão tristonhos.

Ah! Ventre quente de sol
Deixa-me descer tuas ladeiras
No meu velotrol.

Ah! Ventre branco de lua
Oferta-me tua poesia em leira
E dança calada e nua.

Ah! Mulher do ventre que guarda filhos...
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Ventre de silêncio

A mulher que leva o silêncio em seu ventre
Faz dos seus passos seus gritos
Faz dos seus olhos seus textos
Faz da sua silhueta sua canção.

A mulher que leva o silêncio em seu ventre
Enclausura seus lábios num voto secreto
Afasta a frase que insiste em lhe procurar
Foge dos versos como se poesia fosse pecado.

A mulher que leva o silêncio em seu ventre
Caminha nas palavras já ditas
Caminha na ruptura do tempo ? o tempo dito e o tempo maldito...
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Verbo ir

Ela sumiu como não se some mais hoje em dia
Deixou telefone e endereço
Só não me deixou meios de usá-los.
Bloqueou os caminhos com um fio de silêncio
Um fio que, mesmo invisível, corta.
Seu nome e foto poderiam se espalhar pela cidade
Em faixas, em cartazes, em outdoors:
"Procura-se"
Mas de nada adiantaria
O prazo horas para avisar a polícia expirou
E se fizeram semanas
Semanas marcadas pelo fio do silêncio.
Fugiu e me deixou todas as pistas...
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Verborragia

Querer
É não poder
Fantasiar
Os argumentos.

Querer
É responder
Sem negar
Os atrevimentos.

Querer
É falar
O que já foi falado.

Querer
É amar
O que já foi amado.

Querer
É se esconder
Para se encontrar
Com o previsto.

Querer
É se prender
Para se soltar
Sem ter se visto.

Querer
É um desquerer
Quando a vida
Passa a ser querida.


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