Daniel Campos

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Encontrados 95 textos. Exibindo página 6 de 10.

22/07/2014 - Um só pedido só

Se eu puder fazer um pedido só, um só pedido só, aos deuses, às divas, aos oráculos, aos gênios da lâmpada mágica, à lua, às fadas, às entranhas do submundo, aos seres fantásticos, eu pediria só, eu só pediria, que a mulher alada não se esqueça do quanto a tenho amada. Que ela se lembre de todo amor oferecido, vivido, querido, decidido à eternidade na codificação secreta de uma não menos secreta realidade. Que a mulher que amo jamais se esqueça desse amor acima de qualquer suspeita em relação à lembrança. Se eu puder fazer um pedido só que seja para que não haja qualquer esquecimento por parte da mulher enluarada. Que a memória não seja uma gentileza ou uma proeza, mas uma delicadeza do amor mais delicado que já existiu. Que todos os nanodetalhes sejam irrigados pelo sangue de uma paixão que pode recuar, se autosufocar, se internar em sim mesma, mas jamais se acabar. Que eu seja queimado, apedrejado, xingado, julgado, baleado, exorcizado, ignorado, abandonado, mas nunca esquecido por quem amo. Ser esquecido é pior do que ser um amor perdido, um coração destruído, um romântico sem sentido. Ser esquecido é mais dolorido do que ser enterrado no fim do mundo, do que ser devorado por uma matilha em jejum, do que ser tragado pelo vazio dos olhos sem fundo. Se eu puder fazer um pedido só, só um pedido só, a quem me alimenta de momentos inesquecíveis, de sentimentos indestrutíveis, de ventos irredutíveis, que eu habite a mente daquela que amo em memórias intensas, densas, propensas à onipresença do amor jamais ausente.


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12/07/2008 - Um sopro de luz chamado Halley

Com os olhares lançados ao vento quase agostino, velejo pelos quadriláteros do céu de inverno. Nesta época do ano, o manto negro que cobre a noite é mais espesso. Entre uma estrela tímida ali, uma vaidosa lá e uma outra perdida acolá, traço as linhas de constelações famosas e me pergunto pelo cometa de Halley. Foi esse cometa que trouxe a minha vida a idéia de finitude, de morte, de efêmero. Pudera, ele só passa sob nossos céus a cada 76 anos. Privilegiados os que conseguem vê-lo por duas vezes. ...
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24/05/2013 - Um tempo

Um tempo para pensar no que ainda não foi pensado. Um tempo para chorar o que ainda não foi chorado. Um tempo para amar o que ainda não foi amado. Um tempo para enterrar o que ainda não foi enterrado. Um tempo para festejar o que ainda não foi festejado. Um tempo para largar o que ainda não foi largado. Um tempo para julgar o que ainda não foi julgado. Um tempo para apanhar o que ainda não foi apanhado.

Um tempo para profetizar o que ainda não foi profetizado. Um tempo para esperar o que ainda não foi esperado. Um tempo para sonhar o que ainda não foi sonhado. Um tempo para buscar o que ainda não foi buscado. Um tempo para acordar o que ainda não foi acordado. Um tempo para lembrar o que ainda não foi lembrando. Um tempo para ignorar o que ainda não foi ignorado. Um tempo para alcançar o que ainda não foi alcançado. ...
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01/05/2012 - Um tempo chamado Ayrton Senna

Ayrton Senna foi mais do que um piloto, foi um tempo. Um tempo de conquistas, de glória, de se ter orgulho de ser brasileiro. Quem viveu a era Ayrton Senna aprendeu que não existe vitória impossível. Senna era o coração na boca, a esperança que não morria nunca, a certeza de que no final tudo daria certo. Ayrton sempre foi mais do que matemática e estatística. Senna cansou de ultrapassar a si mesmo em provas de superação. Senna foi além dos números a ponto de ser coroado por inúmeras vezes tanto vivo quanto morto. O menino, o herói, o mito, o mártir se encontram num tempo chamado Ayrton Senna....
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07/02/2011 - Um território chamado mulher amada

Abençoada por temperaturas agradáveis e cercada por belezas exuberantes, a mulher amada é o destino preferido de caçadores de paraíso e de poetas mochileiros, que sonham em mergulhar em suas trilhas e relevos. Tranqüila e vibrante, assim é essa mulher que está localizada ao norte do imaginário popular. Ao decorrer de seu corpo, relicários e objetos sagrados, templos e estrelas cadentes. Tem aspecto único, com linhas marcantes, românticas e intensas. Percorrer o perímetro da mulher amada é uma tarefa tanto poética quanto árdua, em razão dos muitos obstáculos e perigos que a compõem. ...
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19/05/2010 - Um verbo chamado quando

Quando não tiver nada a dizer, bendiga um poema. Quando pensar em fazer algo de ruim, plante uma árvore. Quando achar que Deus lhe abandonou, reze. Quando pensar que o amor acabou, beije. Quando tudo der errado, tente outra vez. Quando a dor for demais, compartilhe-a. Quando a saudade chegar, diminua distâncias físicas e psicológicas. Quando uma estrada acabar, comece outra. Quando a paixão esfriar, incendeie-se. Quando cair no tédio, enlouqueça. Quando a promessa se cumprir, embarque em outra promessa. ...
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22/10/2013 - Um violão

Ele amanheceu, passou a mão no violão e saiu pelas ruas buscando um motivo para dedilhar aquelas cordas. Um bêbado, de ressaca solitária, quis fazer coro em uma canção que não se lembrava da letra. Uma moça, vestida para sonhar, pensou que seria capaz de inspirar uma composição. Um velho, sentado na sarjeta, desandou a falar como se o do violão tivesse obrigação de cantar sua história.

Subindo e descendo pelo mundo das notas, o cantor foi passando por donzelas nas janelas, por moças de louças, por ciganas de porcelana, por amantes dissonantes... E um garoto soltando pipa tentou dar linha, ou a linha, para a música que estava por vir. A mulher se esquivou do marido buscando um acorde só para ela. O florista procurou uma parceria de última hora. ...
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11/11/2009 - Uma boa média

Chamei o atendente do botequim e pedi uma boa média. Tom e Vinícius num mesmo copo. Nada melhor do que começar o dia bebendo o poeta e o maestro. O romantismo de Moraes aliado à natureza de Jobim dá ânimo para não só enfrentar, mas viver o dia. Aliás, viver a plenitude do dia. Cada qual a sua maneira, ambos foram intensos. Vinicius buscou a mulher amada em nove casamentos e infinitas histórias de amor. Já Tom buscou se encontrar consigo mesmo numa procura incessante pelo eu sublime.

Os dois poderiam perfeitamente existir e fazer sucesso separadamente, sem nunca precisarem ser parceiros. No entanto, ao cruzarem seus destinos a magia falou mais alto. Garota de Ipanema ganhou dimensões divinas, como que parte de um tipo de mitologia. Nem grega, nem romana, nem nórdica... Mitologia viniciana, Mitologia jobiniana. Cantar o amor, a partir deles, deixou de ser piegas para se tornar algo requintado e simples ao mesmo tempo, algo novo, aliás, algo bossa nova. ...
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Uma bossa ainda mais nova

Era demais, mas não era tarde quando um deus, louco e pagão, pausou um olhar (como se buscasse um outro céu) e confessou seus desejos ao piano. As mãos partiram em busca de uma fórmula ainda não inventada. As claves de sol se envolveram e das entranhas de uma sétima menor nasceu, sem gritos ou explosões, uma canção impossível. Ela, a canção, escapuliu por entre as teclas pretas e brancas e se fez mulher.

Ela passou e, diante da euforia em suas artérias, ele se atirou daquela cobertura que arranhava estrelas mais abusadas. ...
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18/02/2015 - Uma capa, um legado

Quando criança, já quis ganhar a camisa de um jogador de futebol, as luvas de um piloto de Fórmula-1, o piano de um cantor-compositor, o caderno de anotações de um escritor... Enfim, algo que me transferisse um pouco do encanto dos meus ídolos... Com o passar dos anos, aprendi que ídolos não existem, pois ninguém é melhor do que ninguém... O que há são, na verdade, exemplos de vida, de conduta, de amor... Pessoas nem sempre famosas e distantes do nosso universo que amamos, admiramos e com as quais aprendemos a ser melhores do que fomos ontem. ...
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