Daniel Campos

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Encontrados 111 textos. Exibindo página 9 de 12.

27/05/2010 - Tragédia em alto mar

Pense nas garças que não podem esgarçar suas asas, pois estão todas cobertas de óleo. Pense nos cavalos marinhos cavalgando cegamente pela escuridão petrolífera. Pense nos peixes boiando no pretume do mar. Pense nos mergulhões enchendo o bico de piche a cada mergulho. Pense nos escafandristas fazendo borbulhas de óleo. Pense nas ondas de petróleo se quebrando no corpo dos banhistas. Pense nos golfinhos pulando num mar de asfalto. Pense nas sereias com o corpo repleto de manchas químicas. Pense no horror de tudo isso e no reboliço que pode causar um único poço de petróleo. ...
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24/11/2011 - Trago-me

Mãe, mais uma vez olha eu aqui me trazendo aos seus pés em prova de amor, em prova de fé. Mais uma vez trago flores de pensamento, velas de esperança e terços de sonhos. Trago aos seus pés um rosário de coisas para agradecer. Trago pedidos vindos de longe e também de dentro de mim. Trago angústias e aflições. Trago um desejo de colo. Trago um amanhã ainda em formação. Trago dúvidas, incertezas e mãos para que me conduza em sua direção. Trago palavras nunca ditas e uma história tão bonita...
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20/07/2011 - Traição sórdida

Beija-me a face como Judas, traição sórdida. Apunha-la pelas costas como Brutus, traição sórdida. Arma-me uma emboscada como Caim, traição sórdida. Inventa histórias como Cleópatra, traição sórdida. Açoita como Lúcifer, taição sórdida. Manipula como Calabar, traição sórdida.

Traidor, traidora, traidores. Atraiçoam. Engagam. Traem. Traem por prazer, por instinto, por vocação. Traem profissionalmente e de coração. Traem a sangue frio e no calor das emoções. Traem e se alimentam da própria traição. Traem uma, duas, três, quantas vezes preciso for. Traem como ladrões, como covardes, como egoístas, como mesquinhos, como traidores que são....
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20/02/2016 - Transformando-se

Ela chegou pisando quase que flutuando na pontinha do pé sem fazer rapapé. Ela não queria acordar quem dormia revelando por onde ia. E ela foi por tantos lugares naquela noite que se encheu de bares, poetas e sombras indiscretas. Ela se despiu e se vestiu e tornou a ficar nua como a lua que já nem dá mais de corar. Depois de carregar tantos problemas ela resolveu seu teorema e desanuviou. Ela dançou, sambou, beijou. Ela se soltou, se libertou, se transformou na vista de todos e de ninguém. Pois ninguém conhecia. Ninguém a sabia. E assim ela foi além do aquém, atravessou a margem, encerrou a estiagem. Ela, em uma só madrugada, mudou sua estrada, foi recriada e reprogramada para amar. E logo vieram corações em resmas. Mas ela foi reprogramada para amar e amar. E logo vieram bocas prometidas de todo lugar, inclusive, do além-mar. Porém, ela foi reprogramada para amar e amar a si mesma. E assim, mais segura, batizada em sua loucura, sendo o que é, chegou pisando quase que flutuando na pontinha do pé. ...
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Trânsito em transe

Imagine leitor, dormir em uma cidade e acordar sem saber onde está. E não é falta de memória. As casas, as árvores, as ruas seriam as mesmas de ontem. Mas algo estaria fora de lugar. Imagine leitor, sentir-se perdido em lugares que são nossos velhos conhecidos. Talvez eu esteja confuso leitor, mas, em breve, todos nós estaremos entregues à confusão.

A cidade entregue ao caos. Ruas que sobem irão descer, ruas que descem irão subir. Veículos que vão para lá, virão para cá. Carros que param desse lado irão estacionar do outro. Só um lembrete: os motoristas e os pedestres vão ser os mesmos, isto é, nós. Imagine leitor, os mogimirianos vão se sentir estranhos em Mogi-Mirim. Parece enredo de filme, mas não é....
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27/04/2013 - Traumática

Bata a porta na minha cara. Ponha os fantasmas pra fora. Solte fogo das ventas. Vomite seus dramas. Coloque o dedo na minha fuça. Rode a baiana. Vire a diaba. Varra meus pés. Apunhale-me pelas costas. Ignore-me. Derrube-me. Peça a conta. Coloca-me pra fora. Arme-se. Renda-me. Fale os demônios. Enfeitice-me. Pragueje-me. Esconjure-me. Amaldiçoe meu caminho. Quebre minhas pernas. Envenena-me de todos os jeitos. Encabula-me. Apedreje-me. Tortura-me. Acabe com o juízo que me resta.

Atei fogo em meus pensamentos. Pinte e borde com meu coração. Enlouqueça-me. Revira-me pelo avesso. Vira-me de pernas pro ar. Manche meu nome. Iluda-me. Decepcione-me. Quebre todas as promessas que me fez. Amordace-me. Censure-me. Dobre meus joelhos. Ensurdeça-me. Embaralhe meus sentidos. Mude meu destino. Sufoque meu futuro. Marque-me de solidão. Semeie sofrimento em mim. Atormente-me. Perturbe-me. Zombe dos meus sonhos. Traia minhas paixões. ...
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03/04/2013 - Travessia

Atravessa o rio como se fosse um peixe. Atravessa a rua como se tivesse asas. Atravessa o corpo como se fosse um raio. Atravessa a mente como se caçasse um segredo. Atravessa o mundo como se fosse um balão. Atravessa o ritmo como se quisesse inventar um novo som. Atravessa o mar como se fosse Moisés. Atravessa a janela do quarto como se fosse luz. Atravessa a página como se fosse tinta. Atravessa a perna como se fosse mão. Atravessa a guerra como se fosse míssil. Atravessa a vida como se fosse tempo. ...
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29/09/2010 - Trégua

Ter a mulher amada nos braços traz uma sensação de poder e de fragilidade difícil de compreender. Um estado físico, psicológico, espiritual que pode se desestabilizar a qualquer minuto. A respiração dela, ali, tão perto. Os olhos dela, abertos ou fechados, numa sensação de cumplicidade extrema. Os pensamentos dessa mulher, sempre tão secretos, saindo pelos folículos pilosos, deixando-se se descobrir. Um momento único. Vontade de gritar, de chorar, de sorrir, de se dar. É o êxtase, a overdose, o clímax. ...
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08/06/2016 - Três anos de Vale do Amanhecer

São três anos de vida nova, de um continuo e dinâmico amanhecer. Três anos em que reencontrei meu lugar. Três anos em que redescobri meu caminho. Três anos em que eu me sinto útil no mais completo sentido humano da palavra. Três anos em que eu aceitei a aprender a amar, a ser humilde e tolerante. Três anos em que minha vida deu um salto rumo ao meu eu interior. Três anos em que tenho ouvido muito o meu coração. Três anos em que agradeço pela minha família espiritual. Três anos de Salve Deus. Três anos em que ganhei mais uma mãe, Tia Neiva. Três anos trabalhando com Pai João das Matas, Caboclo Tupinambá, Doutor André Luiz, Pai João de Enoque, Cigano Branco do Oriente Maior e outros mentores luz. São três anos convivendo intimamente, verdadeiramente, sinceramente com pretos-velhos, caboclos, médicos de cura, cavaleiros da luz, ministros de deus, ciganos, sereias, falanges benditas. Três anos em que aceitei a Corrente Indiana do Espaço e as Correntes Brancas do Oriente Maior. Três anos em que coloco minha vida nas mãos do grande cacique Seta Branca, o Simiromba de Deus. Três anos em que tenho uma faixa de Apará atravessada no peito. Três anos de Lua. Três anos de muito aprendizado e grandes lições. Três anos em que sou uma pessoa melhor a cada dia, um jaguar em busca de sua evolução. Três anos trabalhando na Lei do Auxílio. Três anos apreendendo com a dor própria e alheia. Três anos de muitas curas e libertações. Três anos que marcam o início de uma caminhada longa e firme, que indicam e consolidam o que eu sou, que me ligam entre o céu e a terra. Três anos forjando a minha humanidade, um humano em busca da sua humanidade. Três anos de gratidão. Três anos em que tudo se transformou e não parou mais de se transformar.


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03/02/2010 - Três fôlegos

Não se avexe apenas feche seus olhares como as ondas fecham os mares do sul e mergulhe num mundo azul repleto de nuvens e anjos de muitas penugens voando e se amando à moda de um céu sem som feito de papel crepom e vaga-lumes neon.

Relaxe e encaixe seu sono sem dono em meus ombros enquanto tombo o mal visceral que tanto lhe atormenta o coração que pela décima vez tenta fugir da canção que não quer sumir na última lunação do mês.

Dorme entregando seu corpo à fome e enviando sua alma num sopro de pólen pelo jardim que não tem começo nem fim apenas o meio do seio das águas em que naufraga o desejo de um querubim condenado a morrer ou para sempre viver sem ter um beijo de tua boca de cetim. ...
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