Daniel Campos

Ou exibir apenas títulos iniciados por:

A  B  C  D  E  F  G  H  I  J  K  L  M  N  O  P  Q  R  S  T  U  V  W  X  Y  Z  todos

Ordernar por: mais novos   título

Encontrados 111 textos. Exibindo página 1 de 12.

13/06/2016 - Todo dia uma semente

Toda manhã, quando acordo, sou semente. Pura e simplesmente, uma semente que precisa encontrar forças dentro de si mesma para dar vida ao que sou. Então eu arrebento a casca e ganho à luz. Eu nasço, eu broto, eu existo. Anteontem fui um jequitibá, ontem fui goiabeira, hoje sou mangueira, amanhã já não sei. Cada dia eu sou algo novo, diferente, mais frágil ou resistente, mais belo ou tímido, mais árvore ou mais gente, mas com a mesma seiva. A minha aparência muda. O meu ângulo de ver o que está ao meu redor muda. As minhas raízes, ora mais fundas ora mais rasas, ora mais ao leste ora mais ao sul, mudam. Somente o que não muda é a minha seiva. Podem me cortar, me ferir, só para me verem sangrar. É seiva. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

08/06/2016 - Três anos de Vale do Amanhecer

São três anos de vida nova, de um continuo e dinâmico amanhecer. Três anos em que reencontrei meu lugar. Três anos em que redescobri meu caminho. Três anos em que eu me sinto útil no mais completo sentido humano da palavra. Três anos em que eu aceitei a aprender a amar, a ser humilde e tolerante. Três anos em que minha vida deu um salto rumo ao meu eu interior. Três anos em que tenho ouvido muito o meu coração. Três anos em que agradeço pela minha família espiritual. Três anos de Salve Deus. Três anos em que ganhei mais uma mãe, Tia Neiva. Três anos trabalhando com Pai João das Matas, Caboclo Tupinambá, Doutor André Luiz, Pai João de Enoque, Cigano Branco do Oriente Maior e outros mentores luz. São três anos convivendo intimamente, verdadeiramente, sinceramente com pretos-velhos, caboclos, médicos de cura, cavaleiros da luz, ministros de deus, ciganos, sereias, falanges benditas. Três anos em que aceitei a Corrente Indiana do Espaço e as Correntes Brancas do Oriente Maior. Três anos em que coloco minha vida nas mãos do grande cacique Seta Branca, o Simiromba de Deus. Três anos em que tenho uma faixa de Apará atravessada no peito. Três anos de Lua. Três anos de muito aprendizado e grandes lições. Três anos em que sou uma pessoa melhor a cada dia, um jaguar em busca de sua evolução. Três anos trabalhando na Lei do Auxílio. Três anos apreendendo com a dor própria e alheia. Três anos de muitas curas e libertações. Três anos que marcam o início de uma caminhada longa e firme, que indicam e consolidam o que eu sou, que me ligam entre o céu e a terra. Três anos forjando a minha humanidade, um humano em busca da sua humanidade. Três anos de gratidão. Três anos em que tudo se transformou e não parou mais de se transformar.


Comentar Seja o primeiro a comentar

07/06/2016 - Tudo é você

Corpo de mulher. Asas de anjo. Boneca pop. Cinturinha de bambolê. Traços de revista. Roseira moça psicodélica de rosa azul. Olhos de mar caribenho. Boca maçã do amor. Costas de veleiros. Flash tímido. Calor goiano. Desenho de poesia. Talismã. Ouvidos de piano. Linda e nobre. Coração de malaquita, que merece todo o meu cuidado.

Pés de beija-flor. Língua de moça. Lua de mel. Pernas de bailarina. Amor gourmet. Seios bordados. Pele de tule. Música que fica. Sorte na chegada. Safra de saudade. Nota de desejo. Unha de arranhar. Suor de orvalho. Cheiro de brisa. Mensageira dos ventos. Conto de fadas, o meu era uma vez, o nosso felizes para sempre. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

02/06/2016 - Tempo perdido

Estava procurando apartamento com cara de lar, doce lar. Fui vendo passagens e roteiros para nossa viagem. Aliás, suas férias seriam nossas férias, nossa oportunidade de ficarmos tão sós e tão juntos. Me animei a ponto de te ver de noiva na praia como sempre sonhamos. Tomei coragem de dizer para mim mesmo que eu nunca mais ia te perder nem por um minuto. Eu tive pressa, eu tive pressa, eu tive pressa de viver com você cada minuto que perdemos. Com o primeiro sapatinho nas mãos me senti com nossa filha no colo. E veio toda a inspiração para escrever a continuação do nosso romance, ainda bem mais emocionante e intensa. Nem esperei você para adiantar as coisas do enxoval....
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

04/04/2016 - Tô que tô

Hoje eu tô que tô. Ninguém me segura. Tô mais feliz que papai noel gritando hô-hô-hô. Hoje eu tô que tô. Tô quente, bonito, fervendo, querendo mais e mais de tudo isso. Hoje eu tô de reboliço. Hoje feitiço não me pega. Hoje nada de ruim me carrega. Hoje eu tô que tô. Atotô, atotô. Hoje eu tô nagô, enfrentando, quebrando, rolando as pedreiras de Xangô. Mais charmoso que canto de agogô. Mais cheiroso que fulô de laranjeira. Tô ioiô descendo ladeira, pulando ribanceira, dando canseira na iaiá. Hoje eu tô que tô, sinhô sem chororô, querendo amar no larara lararara larararaó. Atotô, atotô, ioô chegou. Hoje eu tô que tô, fazendo kizumba, desfazendo macumba, rompendo a tumba do faraó. Ó que dó de você, pois eu tô que tô girando o mundo, botando fundo, aproveitando cada segundo que deus me dá. Hoje tô todinho de iaiá. Hoje tô doidinho por iaiá. Hoje tô no caminho de iaiá. Hoje eu tô que tô bom de se apaixonar, no calor de me enviesar, num bate tambor de clarear e juntar os caminhos de quem não segue sozinho. Clareia, clareia, clareô. Atotô, atotô, me ama que eu tô, que eu tô que tô.


Comentários Comentários (1)

28/03/2016 - Trincheiras e fé

Fecha comigo que nada se abrirá. Cola em mim que nada se perderá. Fica comigo que nada passará. Passa comigo e deixa o mundo para lá. Se perca comigo porque nem sempre a gente foi feito para encontrar. Abra-se comigo e vamos passar o resto da vida entre Bagdá e Calcutá.


Comentar Seja o primeiro a comentar

01/03/2016 - Tristes considerações

Aprendi a falar tailandês para te dizer adeus na língua em que sempre sonhei me casar com você. Desencomendei o cachorro que faria festa que cada vez que você chegasse. Cancelei o financiamento da casa da árvore onde moraríamos como duas crianças crescidas. Guardei os livros não terminados com as personagens principais tendo o seu nome nas minhas gavetas. Chorei de uma vez o que choraria nos aniversários da sua partida. Desafinei o violão propositalmente para não correr o risco de viver dia após dia compondo minha saudade. Entreguei nossas alianças ao tempo. Pedi para pararem de desenhar o solitário que te daria quando nosso primeiro beijo completasse dez anos. Doei as roupas da nossa filha que nunca saiu do reino dos sonhos. Descumpri a promessa que fiz a mim mesmo, de que jamais te perderia. Briguei tanto com o ponto final que ele virou uma vírgula e o que virá depois da pausa eu não sei porque eu deixei de sabê-la.


Comentários Comentários (1)

20/02/2016 - Transformando-se

Ela chegou pisando quase que flutuando na pontinha do pé sem fazer rapapé. Ela não queria acordar quem dormia revelando por onde ia. E ela foi por tantos lugares naquela noite que se encheu de bares, poetas e sombras indiscretas. Ela se despiu e se vestiu e tornou a ficar nua como a lua que já nem dá mais de corar. Depois de carregar tantos problemas ela resolveu seu teorema e desanuviou. Ela dançou, sambou, beijou. Ela se soltou, se libertou, se transformou na vista de todos e de ninguém. Pois ninguém conhecia. Ninguém a sabia. E assim ela foi além do aquém, atravessou a margem, encerrou a estiagem. Ela, em uma só madrugada, mudou sua estrada, foi recriada e reprogramada para amar. E logo vieram corações em resmas. Mas ela foi reprogramada para amar e amar. E logo vieram bocas prometidas de todo lugar, inclusive, do além-mar. Porém, ela foi reprogramada para amar e amar a si mesma. E assim, mais segura, batizada em sua loucura, sendo o que é, chegou pisando quase que flutuando na pontinha do pé. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

19/02/2016 - Também vou por aí

Pra onde vão as abelhas quando as flores secam? Pra onde vão os elefantes quando estão desenganados por eles mesmos? Pra onde vão os cometas quando nossas vistas não mais os alcançam? Pra onde vão os peixes depois da correnteza? Pra onde vão as estrelas depois que elas apagam? Pra onde vão as crianças quando o corpo cresce? Pra onde vão as músicas quando o silêncio desce? Pra onde vão as formigas quando chega o concreto, o piso, o asfalto? Pra onde vão as águas depois da chuva? Pra onde vão os amores quando começa a reinar a solidão, a vontade de ficar sozinho, de trilhar só o seu caminho? Pra onde vão as preces depois que elas deixam a boca, a mente ou o coração? Pra onde vão as nuvens quando são esparramadas pelo vento? Pra onde vão os sonhos quando não são realizados, quando dão em nada, quando se desviam da nossa estrada? Eu não sei, não sei não, mas eu também vou por aí.


Comentar Seja o primeiro a comentar

11/02/2016 - Tudo é passado

Tudo é passado. O agora é o ontem anunciado. E o amanhã ainda não está criado, é só abstração. Meu amor, todo amor dispensado é passado. O hoje já está condenado a ser o que já foi. Oi, não chore pelo que vai ficar, pois tudo ficará. Oi, não ignore o passado, pois é lá que mora tudo o que fomos e ainda somos. O amanhã é só uma projeção. Então, como diz a canção, o ontem é o amanhã, que morre hoje. E não adianta implorar, brigar, soluçar, o tempo vem como um carcará, impiedoso e majestoso, e não aceita o nosso choramingar. Deixa de bobeira e se joga na ladeira e tudo o que puder aproveite como vier. Não se importe com o que ainda restará, mas em como você aproveitará o que o tempo mais cedo ou mais tarde levará. Eu aconselho como posso e assim eu digo, como amigo, nada é nosso. Se tudo não fosse emprestado, tudo o que fomos e o que ainda somos não ficaria no passado. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

      1  2  3  4  5   Seguinte   Ultima