Daniel Campos

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Encontrados 278 textos. Exibindo página 4 de 28.

12/10/2014 - O ato de se apaixonar

Apaixonar-se é um ato involuntário, inconsciente e inconsequente acima do bem e do mal que não requer nem prática nem habilidade, apenas sensibilidade para seguir cegamente seu coração. É um destino praticamente sem contraindicações. Quando apaixonado, os furacões, por mais perto que estejam, passam longe. Dá para se comunicar sem dizer uma só palavra. Não é preciso pedir nada em troca, pois tudo já lhe é dado conforme seus desejos. Não é preciso nem tirar visto, pois, enquanto o apaixonamento for lá e cá, seu trânsito é livre e irrestrito.


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14/01/2013 - O ato de sonhar

O sonho é um poço sem fundo, quanto mais se sonha mais se quer sonhar. Quando um determinado sonho está prestes a se realizar ele - o sonho - se alonga ganhando novas dimensões e profundidades só para se distanciar do alcance de nossas mãos. Isso porque o sonho só é sonho enquanto não se realiza. O sonho foge da realidade igual caça foge do caçador. E nós somos seres reais. Seres que não se contentam só com o abstrato, com a possibilidade, com o sonho. Queremos transformar, como espécie de bruxos do concreto, tudo e todos em realidade. Somos nós que afugentamos, perseguimos e matamos nossos sonhos e, até mesmo, sonhos alheios. ...
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23/11/2012 - O axé de Joaquim Barbosa

Ir à cerimônia de posse de Joaquim Barbosa foi como ter ido ao redescobrimento do Brasil. Um país sem máscara, sem vergonha de ser o que é, assumido e feliz. O Salão Branco do Supremo Tribunal Federal nunca foi tão negro. Como foi bom ver a mais alta corte do país com a cara do Brasil. A negritude de Lázaro Ramos, de Milton Gonçalves, de Djavan, de Martinho da Vila, de Hamilton de Holanda traduzia o sentimento de festa. Entre homens de terno e mulheres de tailleur, uma senhora negra com as roupas de santo totalmente inserida na carga simbólica daquele momento. Impossível ficar indiferente ao clima instaurado por aquela arquitetura de Oscar Niemeyer. Depois do axé trazido por Joaquim Barbosa, a certeza de que o Supremo nunca mais será o mesmo....
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26/10/2014 - O barco e dona Mocinha

O barco da morte chega pra perto dos zóio de dona Mocinha, que espia tudo de sua cadeira encostada no pé da janela. E ela vai vendo aquela embarcação engolindo as ruas de pedras, as beiradas das casas, os cachorros vira-latas que são cortados pelo casco daquele navio antes mesmo de latirem seu latido de fome. Dona Mocinha não tem medo. Já enfrentou de tudo nessa vida, de tuberculose a marido beberrão. É pequenina, dos ossos tortos, mas valente que só. É como vela que queima enfrentando a boca do vento. E depois de tanto choro derramado e queimado, desses que queimam por dentro chamuscando a alma, ela vê sua chama se esvaindo. O barco com os corsários negros se aproximam. Na proa, gente que ela não via desde o caixão. E estão lá, felizes, acenando para ela. Fica ressabiada, mas acena de volta. Sabe que não vai poder fugir daquelas águas. E mesmo se quisesse suas pernas já não têm firmeza para correr. Também não há para quem gritar socorro. As filhas já cuidam dela pelo amor de deus. Mesmo com céu limpo, dona Mocinha enxerga a tempestade que traz aquele barco. Seus olhos se enchem de uma água salgada, as mãos firmam nos braços da cadeira e ela suspira lembrando que quando mocinha queria ser marinheira das histórias de pirata que ela ouvia dos livros que nunca soube ler.


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28/06/2008 - O beijo na boca de um robô

Você já deve ter ouvido a "pare o mundo porque eu quero descer" da boca de uma pessoa desesperada ou, no mínimo, não conformada com os rumos de alguma coisa. Pois bem, se alguém fizer o favor de parar essa nave sideral chamada Terra, eu desço. Mas tem que ser logo. Quero descer antes que a poesia do beijo seja extinta.

Não é de hoje que a ciência tenta desbancar o amor e o universo que o cerca com teorias baratas. Dia após dia, surgem manchetes na mídia tentando atrelar o sentimento máximo da espécie humana a uma simples e previsível reação química. Num futuro breve vão anunciar que o amor pode ser criado em laboratório!...
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10/03/2011 - O bem de um romance

Para quem vive sob pressão e enfrenta constantes bloqueios físicos e inspirativos em seu dia a dia, nada melhor do que se aventurar por um novo romance. Um livro inédito, com personagens convidativos à descoberta, é capaz de operar milagres em organismos em crise. Cada página deve ser lida com profunda ousadia e com um leve temor. Ousadia no quesito envolvimento, isto é, o quanto você se doa à história. Já o temor, em doses sutis, se refere à sensação de se perder da realidade, que deve estar sempre presente, mantendo vivo seu elo com o cotidiano....
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22/02/2008 - O blábláblá da CPMF

No final do ano passado, o debate sobre a CPMF triturou nossos cérebros. Hoje, podemos constatar que aqueles discursos inflamados de que a população não podia mais ser prejudicada em nome da arrecadação do governo não passavam de blábláblá. A oposição derrubou a contribuição provisória, mas e daí? Nada melhorou em nossos bolsos. Aliás, já tem gente sentindo saudade da CPMF.

Não é para menos. Ao contrário de ficarem mais baratos, os produtos subiram de preço. E não sou eu quem escreve isso só para polemizar. Já há um estudo da Fundação Getúlio Vargas qie comprova que até agora os consumidores não viram nenhum benefício com o fim da taxação. O preço do automóvel devia cair 1,69 por cento (que era o valor da CPMF), mas acelerou 0,26 por cento. No café, o peso da CPMF era o mais alto, correspondendo a 2,25 por cento. Ao contrário de ficar mais barato, subiu 0,16 por cento. Nas farmácias, onde a CPMF pesava 1,49 por cento, os remédios aumentaram 0,15 por cento. ...
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13/01/2016 - O bom da vida é perfumar

Perfuma o seu dia, o seu corpo, o seu lar. Perfuma a sua vida, a sua rua, o seu destino. Perfuma a sua boca, o seu coração, o seu caminho. Perfuma o seu lençol, a sua jardineira, o seu ganha pão. Perfuma o seu sonho, a sua vontade, a sua oração. Perfuma deixando seu cheiro por onde passar. O bom da vida é perfumar. Perfuma para lá, perfuma para cá, vamos perfumar. Perfuma a moça, o velho, a senhora, o menino, perfuma a louça, o violoncelo, o agora, o mezanino, o sótão e o porão. Perfuma de amor tudo e todos para não dar confusão. Perfuma os pés da santa, as águas de Iemanjá, perfuma e encanta por onde trilhar. Perfuma para cima e para baixo, por tudo quanto é lado, presente e passado, sem esculacho ou embaraço, perfuma porque o bom da vida é perfumar. Perfuma, perfuma, perfuma como quem dança, lançando esperança e fantasia, alegrando o dia, noite e dia, por onde estiver, venha o que vier, perfuma o quanto puder. Perfuma o cachorro, a ladeira, o morro. Perfuma a fogueira, o quarto, o parto. Perfuma a comida, o abraço, o passo. Perfuma porque o bom da vida é perfumar. Perfuma eu, perfuma você, perfumamos nós, lálálá, vamos perfumar. ...
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25/11/2009 - O caçador de nuvens

João, o caçador de nuvens. Era assim que gostava de ser chamado. Corria de lá pra cá, de frente pra trás, de cima abaixo buscando nuvens. Gostava desde as transparentes até as negras, fartas de água. Vivia observando as movimentações, os contornos e preenchimentos desses conjuntos de partículas suspensas. Adorava dias nublados. Vibrava quando uma nuvem conseguia cobrir sol ou lua. Torcia pelas nuvens como quem torce por um time de futebol.

Se não bastasse essa estranha paixão, dava munição à boca do povo ao sair de casa com uma cestinha daquelas de apanhar borboletas. Gritava pelas ruas que estava aberta a temporada de caça às nuvens. Enquanto seus amigos se dedicavam à pescaria, João sonhava em cavalgar em uma nuvem. Subia em árvores, em montanhas, em edifícios tentando realizar o sonho. Mas sabia que o único jeito de encontrá-las era pegar um avião. Faltava-lhe apenas dinheiro pra viabilizar a aventura. ...
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20/03/2008 - O Calvário é logo ali

Você seria capaz de encontrar doze pessoas em sua lista de amigos para cearem com você hoje? Caso os encontre, você repartiria o pouco de seu pão e de seu vinho com eles? Durante a ceia, você teria coragem de entregar seu corpo e seu sangue para esses doze? Vou um pouco mais longe: você conseguiria se ajoelhar e lavar os pés dos que acredita serem seus amigos? Você seria capaz de fazer tudo isso sabendo que um deles, o mesmo que comeria do seu prato, iria promover uma traição que lhe levaria à morte? E mais, você perdoaria esse alguém? ...
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