Daniel Campos

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Encontrados 150 textos. Exibindo página 7 de 15.

17/07/2014 - Não deu tempo, Valentina

Não deu tempo de eu falar numa canção de ninar o quanto sonhei que os sorrisos de mãe e filha fossem iguais. Não deu tempo de você rir da minha cara de bobo assim como fazia sua mãe. Não deu tempo de você se orgulhar das histórias de amor que esse seu pai iria lhe contar. Não deu tempo de você engatilhar em minha direção e se sentir segura em meus braços feito sua mãe. Não deu tempo de eu desejar que você tivesse os olhos, as mãos, os pés, as pintinhas de sua mãe. Não deu tempo de eu ver você crescer na barriga que tanto me encanta. Não deu tempo de lhe contar em segredo boa parte das minhas loucuras apaixonadas. Não deu tempo de eu ganhar uns tabefes de sua mãe por lhe introduzir numa alimentação nada saudável. Não deu tempo de eu assoviar seu nome entre as cordas do violão que já chamou tanto por sua mãe. Não deu tempo de eu lhe ensinar a ler meus versos, poemas que desejei escrever pelo corpo de sua mãe. Não deu tempo de lhe vestir de rosa e tiara de diamantes, afinal filha de princesa, princesa é. Não deu tempo de lançar beijos aos olhos de sua mãe tendo você entre nós na cama. Não deu tempo de lhe dar um banho de ouro, tampouco uma chuva de pérolas. Não deu tempo de você descobrir o quanto sua mãe é digna de ser amada. Não deu tempo de você conhecer a teimosia de sua mãe. Não deu tempo de você me chamar de herói. Não deu tempo de eu levar junto a mim a miniatura de sua mãe. Não deu tempo de eu levantar da cama atendendo ao seu choro na ponta dos pés para não acordar sua mãe. Não deu tempo de lhe aconselhar sobre o amor. Não deu tempo de lhe presentar com uma coleção de bonecas inspiradas na sua mãe. Não deu tempo de lhe mimar sem deixar jamais de mimar sua mãe. Não deu tempo de eu ver qual a cor do primeiro esmalte que pintaria suas unhas. Não deu tempo de entrelaçar minhas mãos nas mãos de sua mãe durante seu parto. Não deu tempo de ficar contando dia após dias mais ela a sua chegada. Não deu tempo de embalar seu sono rumo ao mundo dos sonhos onde eu sempre vivi com sua mãe. Não deu tempo de lhe falar o quanto sua mãe me fez esperar. Não deu tempo de lhe contar nada sobre as estrelas que sua mãe me fez conhecer tão bem. Não deu tempo de lhe perfumar da primeira essência que encontrei em sua mãe. Não deu tempo de eu lhe levar de mãos dadas a reinos encantados onde sua mãe habita com desenvoltura. Não deu tempo de alegrar o seu choro. Não deu tempo de assim como sempre busquei fazer com sua mãe trazer pra mim todas as suas dores. Não deu tempo de não levar tudo tão a sério e me permitir a brincar com você. Não deu tempo de ouvir as ideias criativas de sua mãe para decorar seu quarto. Não deu tempo de lhe fazer surpresas (sua mãe certamente lhe contaria que eu adoro surpresas). Não deu tempo de saber quem seria mais menininha, você ou sua mãe. Não deu tempo de dizer que você tem a mais linda mãe desse mundo. Não deu tempo de você descobrir que é filha de um anjo torto. Não deu tempo de lhe dizer que nossa família está além do tempo. Não deu tempo de saber qual tatuagem sua mãe faria em sua homenagem. Não deu tempo de ver sua mãe dar o braço a torcer no assunto maternidade. Não deu tempo de você protagonizar capítulos do romance que lhe geraria. Não deu tempo de eu lhe ensinar que o impossível é possível. Não deu tempo de você se alimentar daqueles seios de devaneios. Não deu tempo de você ser uma bichinha preguiça tal qual sua mãe. Não deu tempo de lhe ver como espelho da sua mãe. Não deu tempo de ter com você um mundo tão próprio como com sua mãe. Não deu tempo de lhe colocar no balé. Não deu tempo de você me chamar de afoito. Não deu tempo de eu ceder a sua birra como me acostumei a fazer com sua mãe. Não deu tempo de despertar de uma vez em sua mãe o desejo de ter você. Não deu tempo de a gente ter na mesma intensidade por um tempo a mais esse querer. Não deu tempo de não lhe perder, de não lhes perder. Não deu tempo de você dizer as suas amiguinhas "sou filha de um amor de conto de fadas".


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16/07/2014 - Na hora do adeus

Quando eu morrer, conservem meus textos. Esqueçam-se da carne, dos ossos, das minhas feições, atentem-se somente para a minha obra poética. Não guardem fotografias, guardem em seus porta-retratos meus versos. Pois nada me identifica mais do que minha poesia. Esqueçam-se do meu rosto, tenham-me apenas como palavras. Um conjunto de palavras de amor. Sim, porque mais do que homem, mais do que jornalista, mais do que filho, fui amor. E só a minha obra é capaz de retratar com fidelidade o que fui. Portanto, se alguém quiser lembrar-se de mim, chorar ou suspirar pelo que fui, que seja por meio do que deixei escrito. O meu legado é o meu texto. Mais do que as linhas das minhas mãos, o que me traduz são as linhas da minha escrita. É meu coração que está impresso nesses títulos. É tudo o que eu fui e o que eu quis ser que está aqui nesses poemas e prosas. Não há um livro que conte a minha história, mas há romances que falam tudo de mim. Porque eu vivi para amar. Nasci, cresci e morri amando demais. Tive a sina de ser um apaixonado para além de seu tempo. E todas as dores e delícias dessa missão que talvez tenha menos dias do que fora previsto estão contidas em textos. Meus sentimentos serão imortais graças a essas palavras. Com toda licença poética que me cabe, amei em palavras. Não chorem sobre meu corpo, mas sobre minha poesia. Ela sim merece todos os méritos e todo o amor que queiram ainda me doar pós-morte. Não velem meu corpo, ateiem logo fogo em mim numa cremação às escondidas ou joguem pás de terra vermelha sobre minha carcaça num sepultamento rápido, mas dediquem o tempo que queiram estar comigo lendo o que deixei. Eu vou permanecer vivo em cada sílaba. E você vai me sentir – e vai sentir todo o meu sonho e todo o meu sofrimento – mergulhando em minhas palavras. Eu tenho poesia correndo em minhas artérias, irrigando meus tecidos, explodindo em meus neurônios como combustível de paixão. Tenho poesia saindo pelas minhas mãos. Tenho poesia perfumando a minha pele. Tenho poesia suando em minhas horas de aflição ou de prazer. Tenho poesia na minha língua, no céu da minha boca, nos meus lábios. Tenho poesia colorindo meus olhos. Eu sou poesia beijando as mãos de uma mulher ou indo pra cama com ela. Eu sou poesia que traz conforto e entendimento para o que não se explica. Eu sou poesia que faísca. Eu sou poesia que troveja. Eu sou poesia que respira. Eu sou poesia que dói, que cala, que suplica. Eu sou poesia sem vergonha de ficar de joelhos para se humilhar pelo amor que acredito. Eu sou poesia em todas as horas, de todas as formas, com uma verdade e uma intensidade que morte alguma irá roubar de mim. Portanto, se quiserem saber quem eu fui leiam-me. Nas horas de saudade, leiam-me. Nas horas de revolta, leiam-me. Nas horas que quiserem me pedir desculpa, leiam-me. Nas horas que minha lembrança for se perdendo ou ficando mais nítida, leiam-me. Eu vou, mas meus textos ficam. Não quero orações, velas, flores, quero apenas que me leiam. Leiam-me e assim tornem-me vivo outra vez. Não questionem se foi morte natural, encomendada ou suicídio, apenas leiam-me. Não tenham remorsos ou arrependimentos pelo que fizeram ou deixaram de fazer, apenas leiam-me. Não se lembrem da forma como morri, mas da maneira como vivi: e vivi completamente, intensamente e desesperadamente apaixonado, amando poeticamente como provam todas as poesias que são o testamento desse amor puro e infinito.


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24/06/2014 - Não há segredo

Você sabe quem eu sou, de onde venho e pra onde vou. Não é proselitismo inconsequente, mas não é preciso dizer mais nada. Eu sou exatamente o que sinto. E eu amo, e eu amo, e eu amo mesmo que perdido no seu labirinto. Você conhece a minha estrada e as minhas saídas. Meus gestos atestam meu romantismo. Meu silêncio grita por mim. Meus olhos verdes atraídos, hipnotizados, transados nas suas unhas carmim. Suas retinas nas minhas são testemunhas do sonhadeiro que baila cá dentro. Modestamente, sou o viveiro dos seus sonhos. Por quantas vezes suas borboletas voaram em mim. Suas mãos se lembram das minhas que eu sei. No seu reino de princesa quem tem coração é rei. Nossas bocas ainda não saíram das rinhas. Navegamos em rios de arrepios. Desconhecemo-nos nos conhecendo; conhecemo-nos nos desconhecendo. E tudo o que foi dito e escrito ainda move moinhos, e como move. Nosso mundo é tão bonito. E tudo o que vem de nós ainda é capaz de transformar espinhos em pétalas. E você me absorve, comove, ai, i love, i love you, e o amor seu me faz romeu. De novo um novo romeu e julieta, você e eu. Você tem certeza do que sou capaz. Ao contrário de um ás, trago um verso na manga. Só não sei blefar, sou de assumir, de declarar, de apostar cegamente tudo o que exponho abertamente e apaixonadamente como amor que sangra sem medo, sem segredo, sem se importar se já é tarde ou ainda é cedo. Você sabe quem eu sou, como me doo e onde estou.


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18/06/2014 - Não sou não

Não sou de fingir. Não sou de mentir. Não sou de enganar. Não sou de brincar. Não sou de maltratar. Não sou de iludir. Não sou de voltar. Não sou de não chorar. Não sou de fraquejar. Não sou de cair. Não sou de desistir. Não sou de engolir. Não sou de não acreditar. Não sou de amarelar. Não sou de não doer. Não sou de não fazer. Não sou de não querer. Não sou de negar. Não sou de não assumir. Não sou de parar. Não sou de não respeitar. Não sou de não enxergar. Não sou de proibir. Não sou de prender. Não sou de arrepender. Não sou de punir. Não sou de não me decidir. Não sou de desamar. Não sou de desarmar. Não sou de desalmar. Não sou de partir. Não sou de despedir.


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12/06/2014 - Nem teto nem fundo

Amor que é amor desses que surgem como tempestade em dia claro tomando conta de tudo e derramando o mundo não tem teto não tem fundo. Um amor que não pede licença pra tomar de conta do coração, mas que tem toda paciência para se fazer eterno dentro de sua infinitude. Um amor de atitude, bruto em sua pureza, mas nada rude. Um amor delicado, sincopado, estilizado no melhor de cada um. Por isso que eu digo, amor que é amor desse porte ninguém tem poder de desviar de seu norte. E não existe sofrer pra quem ama, para quem está entregue ao amor, existe essa convulsão do amor entre sim e não, razão e emoção, pecado e perdão. ...
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01/06/2014 - No gargalo

Toma meus caminhos como seus, embriagando-se dos meus vinhos, cavalgando num cavalo marinho pelo meu corpo tão sozinho. Fere meu ser com as esporas dos seus olhos só, por favor, contra toda e qualquer dor, não vá embora ó mulher pelo menos antes de fazer o que bem quer. Entre amante e amigo faça o que quiser comigo. Toma conta de tudo o que é meu e ainda antes do final de modo todo especial me chama de teu. Que não haja intervalo, beba minha alma no gargalo.


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10/05/2014 - Nina, com amor

Nina, obrigado por na tarde do meu nascimento você ter ficado ao lado de minhas duas avós nas escadas da maternidade com um terço nas mãos. Obrigado por sempre me abraçado como neto. Obrigado por ter guardado a vida toda lembrancinhas do meu nascimento e dos meus primeiros aniversários. Obrigado pelas mesas fartas de café da tarde e pelas conversas na varanda. Obrigado pela emoção de depois de cinco anos no auge de sua doença ter tido uma injeção de realidade e ter me reconhecido. Nunca vou me esquecer das lágrimas de não acreditar que eu estava ali para vê-la. ...
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23/04/2014 - Não e sim

Não me agradeça e sim me enlouqueça. Não se despeça e sim me peça no café, no almoço, no jantar, nas horas vazias e nas horas de fé. Não me vire às costas e sim se dê em postas. Não me diga nunca e sim me deixe dizer à sua nuca. Não invente desculpa e sim me culpa pela sina desse amor que lhe domina. Não me ature e sim me torture com suas delícias e malícias.

Não se abstenha de mim e sim peque de mim, pra mim, em mim. Não me deixe pra trás e sim me leve atrás. Não me zombe e sim me tombe em seus passos ou em seus braços ou em seus traços. Não me negue e sim me carregue. Não me aflija e sim me atinja. Não suma e sim durma diante das minhas vistas como a flor dorme nas mãos do florista. Não se vá e sim me toma lá dá cá. ...
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25/03/2014 - Não me contenho

Quando leio seu nome, não me contenho. Ao ouvir a sua voz, não me contenho. Toda vez que me lembro de que você existe, não me contenho. Ao respirar sua presença, não me contenho. Ao sentir o galope do coração disparado por você, não me contenho. Sempre que se anuncia numa descarga de adrenalina, não me contenho. Buscando você pelas memórias, não me contenho. Diante das suas ideias, não me contenho. Iluminado por sua aparição, não me contenho. Olhos nos olhos com você, não me contenho. Boca a boca com seu beijo, não me contenho. Pele a pele com sua alma, não me contenho. Imerso no seu perfume, não me contenho. Ao ver sua assinatura de estilo, não me contenho. Ao enxergar suas palavras dizendo tanto pra mim, não me contenho. Arrepiado pelo seu prazer, não me contenho. ...
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20/03/2014 - Nome de batismo

O seu nome, como chave mestra ou mágica, abre todas as portas de mim de uma só vez, deixando-me sem trancas ou segredos. Como tocha silábica vai clareando meu caminho afastando sombras e assombrações. Retira-me a cegueira e me faz enxergar uma vida inteira que está aí para ser vivida. O seu nome não só me traz novos planos para minha existência, como está presente neles; aliás, é protagonista de todos eles. Está implícito em cada gesto ou texto apaixonado que saem de mim. Seu nome povoa o meu corpo material e também o sensorial. É combustível que me move para um lugar que sempre esteve presente em minha inconsciência, entre a imaginação e o desejo. O seu nome me provoca, me excita e me faz cócegas na alma, levando-me a rir como os anjos riem nas nuvens. Ele reaviva o meu destino esquecido dando nome ao que sinto, sim o seu nome batiza o meu amor.


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