Daniel Campos

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Encontrados 86 textos. Exibindo página 1 de 9.

06/05/2017 - Foguetório

Eu abro os braços para te pegar. Eu solto o grito para te procurar. Eu mergulho na sua boca sem medo de me afogar. Eu me dou e não cobro a conta dessa doação. Eu me dou para te ver feliz, de coração. Eu só busco respeito, amor e gratidão. Eu te dou meu mundo para você habitar. Eu te agarro e te mordo e te arranho. Eu te gosto de um jeito tamanho. Eu te aceito como é e não te estranho. Eu toco as cordas da sua imaginação. Eu vou longe em matéria de sedução. Eu sou o gato e também o cão. Eu te pego chão e te levo além das nuvens. Eu te apresento a um sentimento antiferrugem. Eu cochilo pelas suas penugens. Eu acordo no seu sonhadeiro. Eu cultivo o amor por inteiro. E quando você sorri incendeia o meu eu fogueteiro. ...
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25/01/2017 - Fé em si mesmo

Como anda a sua fé? Eu falo sobre a sua fé em si mesmo. Sim, você precisa acreditar em si, mais do que tudo, crer naquilo que você é capaz de realizar. Muito das coisas negativas que acontecem em sua vida é porque você não acreditou o suficiente para que elas fossem realizadas a contento. Não basta querer ou saber disso, é preciso acreditar. E acreditar de verdade, com vontade, com o coração totalmente entregue a esse querer. A partir do momento em que acreditamos piamente em algo esse algo já começa a existir....
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15/03/2016 - Foram me chamar

Foram me chamar pra roda de samba, mas o couro do meu tamborim rasgou. Foram me chamar pra seresta, mas das sete cordas do meu violão uma arrebentou. Foram me chamar pra lavagem da escadaria da Senhora das Guias, mas, fia, com todo respeito, não estou num bom dia. Foram me chamar para pescar, mas meu coração já estava fisgado num anzol bem amarrado. Foram me chamar para o festejo, mas cadê meu realejo? Foram me chamar para assistir os fogos de artifício, mas prefiro as luzes que vejo explodindo no fundo dos meus olhos de hospício. Foram me chamar para raspar o tacho, mas minha colher a correnteza levou rio abaixo. Foram me chamar para dar colo e daí santo nenhum me segura, rezo à loucura e logo me embolo.


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05/02/2016 - Feito do mato

Pelas matas eu corro. Com lobos me deito. No madurar dos frutos eu me deleito. No silêncio eu me socorro. Com pássaros eu me aninho e voo. Eu ando sozinho e de amor me doo. Eu não tenho medo de nada. Minha vitória é régia. Meu céu é de onça-pintada. Minha estratégia é abrir minha própria picada. Eu não sigo, eu faço rastro. Meu coração é casto. O tempo brinca em mim. Proseio com as árvores sagradas. Semeio jardins de sentimento. O vento é o meu tudo e o meu nada. Quando chove, floresço. E enquanto o mundo se move, cresço. O meu endereço é a mata fechada. Meus caminhos são riachos. Meu corpo é flecha afiada que avoa por cima e por baixo. Quando inverna, eu durmo. Quando inferna, eu sumo. Tenho meus pés na terra como raízes. Pelas minhas artérias e veias vão e vem inúmeros matizes. Sou das penas, das folhas, das bolhas de orvalho. Sou seringueira, sumaúma, figueira, ipê, jatobá, ingá, carvalho. Sou da seiva, filho de Neiva, da tribo de Tupinambá. Quem precisar, pode me chamar. Não nasci para mim, nasci para os outros. Minha vida não é um bordado solto. Tudo é nó. E eu nunca estou só. Estou para ajudar, auxiliar, amparar, fazer o necessário. O meu santuário é o mato, o verde, o universo sem parede. Estou para aprender a amar. E cada amor que levo é uma pena do meu cocar.


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01/02/2016 - Fabulante

Como que saída dos cogumelos, com olhos de marmelo e cabelos amarelos, ela apareceu com um colar de joaninhas chorando por ter nascido sozinha. E, seguindo borboletas, coloridas e bem-feitas, foi logo engatinhando, e andando e tropeçando nas folhas caídas das árvores da vida que preenchiam o bosque encantado, que ficava entre o futuro e o passado. Ela conversava com os esquilos, respondia aos grilos, falava com os sabiás, comia ingá, jatobá, araçá... E ela foi crescendo e se desenvolvendo rapidamente, como se fosse mágica, ora criando asas e penas ora nadadeiras e escamas. Brilhava igual vagalume e cantava igual pássaro em dia santo. Tinha um encanto e uma predileção por fazer de qualquer lugar sua cama, sua casa. Sabia conquistar e se aninhar como ninguém. Quando menos se percebia, já fazia parte de outro alguém.


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26/01/2016 - Frutos da insaciedade

Um só amor não basta à mulher que carrega o coração oco no peito. E vai tentando ter árvores cada vez mais altas e vistosas, floridas e carregadas de fruto, mas caindo sempre pelo machado da ilusão vê em sem meio a tocos. As paixões que vai buscando a todo custo se alastram feito queimada devorando tudo, devastando seu mundo. Ela mesma, na sua insaciedade, consome todo e qualquer sonho. É árvore, mas também é a formiga, o formigueiro, que corta suas folhas. É árvore, mas também é a broca que fere o seu tronco e, sem que ninguém perceba, mata o seu cerne. É árvore, mas também é a mosca que apodrece seus frutos, o vento que derruba suas flores, a enxurrada que desterra suas raízes. Podia ter uma arvorezinha linda e firme, mas quer ter várias árvores em um só tronco, mais frutos do que suportam seus galhos, flores tantas e complexas que um só pássaro não consegue fecundar. E com isso acaba se extinguindo antes de se perpetuar. ...
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25/01/2016 - Fugindo do ancoradouro

Outro navio chegou, aportou no porto das seis, e ela não chegou, não chegou outra vez. Ela ainda baila pelas águas e se a maré descer pode ser que ela chegue quando as mágoas baixarem. Pode ou não acreditarem, mas ela virá. Por enquanto não veio, mas o mar ainda está cheio e pode ser que será que quando menos se esperar ela estará entre nós fazendo pós em apaixonamento. Encantará de cabelos ao vento, de peito aberto e sorriso incerto. Aportará com olhos de maresia, viagens e paisagens a contar, e uma alegria difícil de disfarçar. Só que depois de tanto tempo pelas ondas, balançado para lá e para cá, descobrindo novos mundos e que o oceano não tem fundo, ela nunca mais se prenderá. Será como brisa que bate e alisa, que chega e desliza para longe. Terá tanto a dizer e ao mesmo tempo um silêncio de monge. Sinto esclarecer, mas quem chegar como âncora, ela despistará e no primeiro sopro suas velas há de inflar e tocar para o mar.


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20/01/2016 - Força maior

Não vendo mais champanhe em seu copo ela saiu bebendo estrelas. Tropeçou em paralelepípedos portugueses achando que se enroscava nas pernas de Fernando Pessoa. Trocou versos com a noite escura e saiu pela lua como se nela pudesse vê-la. Andou, girou, cantou e amou bêbados, mendigos e prostitutas como se amasse os seus. E ao olhar para o mar de ressaca viu o reflexo de Deus no seu rosto marcado de tanto apanhar, e se dar e se machucar por acreditar no outro. Foi, sem querer, entrando num conto solto e sem final, entre a realidade e o surreal. Quando o sol deus as caras ela estava sem salto, sem vestido, no asfalto, despida e desprovida de qualquer lembrança. Era apenas uma criança crescida chorando e se buscando com gemidos ecoando em seus ouvidos.


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01/01/2016 - Festa do tempo

Hoje é o dia de todas as crenças, contagens, encantarias. Hoje todos se sentem novos ou com alguma coisa de novo. Há um simbolismo em carne viva pulsando por todos os cantos. Hoje cada um tem uma cor especial e uma boa explicação para isso, bem como para atitudes estranhas como ver fogos explodindo no céu, pular sete ondas, comer não sei quantas sementes... O amor, a vontade de se estar junto com quem se ama, é latente. E é um tal de fazer lista disso, promessa daquilo, meta para lá e para cá. Alguns rezam apontando para os céus e outros para si mesmos. Todos olham ao relógio e o tempo ganha ainda mais importância. Pensamos em nós, no que cada um vai fazer nos primeiros e nos seguintes minutos do novo ano, esquecendo que nós somos só coadjuvantes da festa do tempo. ...
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20/10/2015 - Feita de escolhas

Mais do que coragem para seguir viagem é preciso saber para que rumo seguir. Estamos arriscados a ficar dando volta em torno de nós mesmos e não sairmos do lugar. As indecisões não só atrasam nossa caminhada, como inviabilizam muitos caminhos que passam a deixar de existir ou perder o significado. É praxe dizer que a vida é feita de escolhas, mas o importante é saber que não existe escolha certa ou errada, pois todas acarretarão alegrias e tristezas, perdas e ganhos, afinal, a vida é tudo isso. Tem que ter choro, sorriso, suor para encontrar graça nisso tudo. O importante ao escolher é saber não o que vai ganhar, mas o que vai perder em deixar de ir por outros caminhos, pois as perdas falam mais alto que os ganhos. Por isso, pense, repense, torne a pensar, mas não vá se sabotar, pois não escolher também é uma escolha e as perdas são de todos os caminhos não percorridos.


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