Daniel Campos

Ou exibir apenas títulos iniciados por:

A  B  C  D  E  F  G  H  I  J  K  L  M  N  O  P  Q  R  S  T  U  V  W  X  Y  Z  todos

Ordernar por: mais novos   título

Encontrados 372 textos. Exibindo página 2 de 38.

15/07/2012 - A cabeleira da palmeira

O vento mexe e remexe no penteado da palmeira. As franjas verdes chegam a tremular pelo céu como bandeiras de liberdade. O vento dá brilho à cabeleira da palmeira brincando com os raios do sol. Dá volume ao corte repicado em camadas de ilusão. Daqui do chão, os cabelos da palmeira têm um balançado de mulher. E se não bastasse todo esse movimento, o vento dá cor às madeixas da palmeira numa tintura que mais parece uma pintura em três dimensões.

A palmeira nas mãos do vento abusa das tonalidades de verde, ganhando contornos azuis, amarelos, dourados, vermelhos... Uma explosão multicolorida para a palmeira que bate a cabeleira ao vento. E nessa composição, os pássaros que pousam em suas folhas são brincos ora alvos ora tintos. E quantos poetas violeiros não lançam com todo mel seus olhares ao vento na tentativa de escalar as tranças de uma palmeira rapunzel. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

03/05/2012 - A canção de Nana não pode acabar

Nana decidir parar de cantar é como o sol resolver deixar de amanhecer, é como a primavera se entregar ao inverno perpétuo, é como o barco desistir do mar.

A filha de Dorival Caymmi e Stella Maris não pode se despedir dos palcos. Nana é a melodia original não corrompida pelo tempo. Nana é melodia com alta carga genética que deve seguir em permanente espetáculo.

Nana deve cada vez mais vista, ouvida, sentida, vivida em plenitude.

O fato de vivemos um período de antimúsica só reforça a necessidade de Nana continuar. A boa música não pode se silenciar, tampouco dizer adeus aos teatros. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

A capital do átimo ou o átimo da capital

Num átimo, os alísios desviam as naus com 1.500 descobridores comandados por Cabral. Num átimo, línguas portuguesas e tupis se misturam num mesmo beijo. Num átimo, a Ilha de Vera Cruz se veste de Terra de Santa Cruz que se tranveste de Brasil numa quadrilha à moda de Drummond. Num átimo, JK se sente desafiado a erguer a capital federal em pleno cerrado. Num átimo, Niemayer rabisca Brasília. Num átimo, a capital ganha as asas de um Lucio sem acento. Num átimo, os fabianos, sinhás vitórias e baleias de Graciliano Ramos se encontram com os severinos de João Cabral. Num átimo, suor e esperança na mesma argamassa da Esplanada. Num átimo, o concreto se alastra. Num átimo, malandros de contrato, gravata e capital, que nunca se dão mal. Num átimo, os poetas simétricos não rimam árvores tortas com praças de pedra. Num átimo, as flores do cerrado são colhidas nos camelôs da Catedral, onde, num átimo, encena-se um balé de anjos suspensos e propensos a milagres. Num átimo, o general Costa e Silva revira pelo avesso as bacias mais democráticas do país. Num átimo, o irmão do Henfil parte num rabo de foguete. Num átimo, gregos e troianos deixam-se levar pelo romantismo brega chick das fontes da Torre. Num átimo, estrelas salpicam e incitam e suscitam olhos candangos. Num átimo, o lago Paranoá vira praia, mar, oceano e se deixa povoar por biquinis, varinhas de bambu, jet sky, velas e barcos de néon. Num átimo, turistas se perdem no labirinto das tesourinhas. Num átimo, centenas de pessoas invadem seis pistas de piche, com tênis, cachorros, bicicletas, patins, velotróis e celebram o domingo. Num átimo, sol e lua flertam-se, olhos nos olhos, no céu esgarçado de Brasília. Num átimo, saboreia-se o churrasquinho de gato ou o frango esfumaçado das entrequadras. Num átimo, Dom Bosco é uma profecia, uma visão, um santuário. Num átimo, os fossos dos palácios se transformam em espelhos d?água. Num átimo, a torre Eiffel se transforma na Torre de TV. Num átimo, os jardins suspensos da Babilônia ganham à assinatura de Burle Marx. Num átimo, as pirâmides do Antigo Egito se transformam num templo ecumênico. Num átimo, Garrincha vira um estádio de arquibancadas tortas. Num átimo, a Catedral se transforma num feixe de trigo. Num átimo, o Paraguai cabe numa feira. Num átimo, três arcos olímpicos abraçam a terceira ponte. Num átimo, para se chegar a Villa-Lobos é só descer as escadas do Teatro Nacional. Num átimo, a Praça dos Três Poderes ganha a simbologia e a hemorragia das pombas. Num átimo, zebrinhas vermelhas cortam a cidade. Num átimo, o vocabulário ganha verbetes cartesianos: SQS 400, QL 2, CLN 115, SCS, SDN, SHLN, MI 3, SRTVS, SIA. Num átimo, Brasília se torna fria lírica úmida distante de uma forma tão atimica. Num átimo, crianças brincam debaixo do bloco. Num átimo, amoras, mangas, acerolas, goiabas e tamarindos perfumam as quadras. Num átimo, o amarelo e o roxo dos ipês roubam à cena do branco de Niemayer. Num átimo, comemora-se a primeira chuva de setembro. Num átimo, invasões de luxo e de miséria. Num átimo, a estrutura do pós-modernismo se quebra nas quebras da Estrutural. Num átimo, Glauber Rocha, Pedro Almodóvar e Frederico Fellini caminham pela Academia de Tênis. Num átimo, foliões colecionam bocas na micarecandanga. Num átimo, a W3 se transforma em L2 num grande circular. Num átimo, corpos submergem e imergem em piscinas de água mineral. Num átimo, nasce uma lei e um fora-da-lei. Num átimo, o vermelho do pau-brasil mancha o chão do Areal e as curvas do Blue Tree Alvorada. Num átimo, Ceilândia e Cinelândia se confundem. Num átimo, cidades deixam de ser satélites para serem planetas. Num átimo, alguém ama e mata em um setor, seja comercial, bancário, de hotéis, de mansões, de autarquias, de diversões ou de indústrias gráficas. Num átimo, come-se tapioca, pastel, pato no tacupi, vatapá, bombom de cupuaçu e algodão-doce na mesma feira. Num átimo, o Brasil passa a ser a capital de Brasília. Num átimo, a solidão nos cerca. Num átimo, a equação distância/ tempo se materializa e tem-se a impressão de que os alísios do Paranoá trarão a esquadra de um novo Cabral. Num átimo, novos descobridores da capital do átimo ou do átimo da capital....
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

03/05/2010 - A cartola da mágica

A cabeça da mulher amada é como cartola de mágico, dela pode sair de um tudo. De brisas agradáveis a tsunamis devastadoras, de dias ensolarados a dilúvios divinos, de camafeus a pimentas dedo-de-moça, tudo é possível e permitido quando se trata dos pensares da mulher amada. Há quem se pele todo diante da figura da mulher amada pensadora, extremamente reclusa e desapegada de olhares.

O que pensa a mulher amada? É isso que todo homem apaixonado quer saber. Há quem empenhe a própria vida na descoberta deste que é um dos maiores segredos da humanidade. Para religiosos, a cabeça da mulher amada esconde outra bíblia tão temida quanto os evangélicos apócrifos. Para filósofos, o pensamento da mulher amada é algo que transcende a compreensão humana. Para matemáticos, uma conta irracional que pende para a numerologia. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

06/10/2011 - A casa do caboclo

O que cai do céu não se sabe se é chuva ou o choro do Caboclo das Sete Encruzilhadas diante da destruição de sua casa. Ao golpe de marretadas, telhados e paredes que abrigaram o berço da Umbanda vão ao chão. Acabam com o marco inicial da religião genuinamente brasileira. Destroem mais de cem anos de história, forjada com muita luta e sacrifício. Ôô sacerdote, ôo curandeiro! Os espíritos dos caboclos e dos pretos velhos estão na rua Floriano Peixoto, número 30, no bairro de Neves, no município de São Gonçalo, Rio de Janeiro, despedindo-se do terreiro que é a certidão de nascimento da Umbanda. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

06/10/2009 - A casa e o infinito

Uma casa é feita de muitos sonhos e suor. Uma casa é feita de linhas. Linhas arquitetônicas, matemáticas, orçamentárias. Uma casa é feita de frente e, sobretudo, de verso. Uma casa é feita da mistura de pensamentos e sentimentos. Uma casa é feita de palavras escritas e ditas em silêncio, em sussurros, em urros de dor e felicidade. Uma casa pode ter uma infinidade de telhas ou de estrelas, dependendo do desejo e da necessidade de quem nela habitar.

Uma casa pode ser construída na beira do lago, do penhasco, do vulcão ou a 50 metros de altura, arranhando o céu. No entanto, a casa, por mais abstrata que seja, precisa ser sólida. Isso porque além de guardar afeto, um teto é uma espécie de feto a lhe proteger, a lhe envolver, a lhe tecer. Uma casa pode ter uma infinidade de paredes e quartos, contudo necessita primordialmente de uma porta. A partir dela, você tem um mundo só pra você. E é ali que você se faz e refaz por inteiro, recebendo quem ama, mostrando-se às visitas. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

10/01/2016 - A chuva chega, vem, chama, cai...

A chuva chega e se aconchega em nossos corpos nos trazendo a alegria dos porcos rolando na lama e o intimismo dos amantes se confessando na cama.

A chuva vem e traz também os perfumes dos anjos que cheiram a mato e flor num arranjo de frescor que enche de ardume o coração, que bate encharcado de paixão.

A chuva chama todos os sentidos a se expandirem e dos olhos aos ouvidos tudo fica mais amplo, mais tanto, com mais encanto e inflama em nós o desejo de não sermos sós. ...
continuar a ler


Comentários Comentários (1)

03/11/2012 - A chuva da noite

A chuva da noite silencia a terra num quê de perfume. A chuva da noite coloca os pássaros nos ninhos. A chuva da noite apaga os vagalumes. A chuva da noite traz um refresco aos corações acalorados. A chuva da noite atiça sonhos não vingados. A chuva da noite pede um sono de conchinha. A chuva da noite espanta a sequidão de ideias. A chuva da noite inspira, suspira, pira. A chuva da noite provoca como mulher que é. A chuva da noite pode ser encarada como prova de amor ou de fé. A chuva da noite cai como um buquê de noiva. A chuva da noite cola feito confete de carnaval. A chuva da noite está acima do bem e do mal. A chuva da noite é uma volta ao útero da natureza, uma beleza visceral. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

16/01/2013 - A chuva de Nanã

De manhã à noite, por todos os lados há a chuva de Nanã. Chuva forte e intensa, como a personalidade de Nanã. Chuva tão antiga quão Nanã. Chuva que deixa o céu arroxeado como as vestes de Nanã. Chuva que alivia a alma e pesa o corpo. Chuva que nos curva para reverenciar aos céus, por gratidão ou temor a Nanã. Chuva que transforma toda a terra em lama, a lama da criação de Nanã. Homens e mulheres se lambuzam na chuva e na lama de Nanã, recriando-se em formas e conteúdos. Salubá Nanã!

A chuva de Nanã nos constrói e, descontrói e reconstrói. Na chuva de Nanã há mais sorte do que nas sementes da romã. A chuva de Nanã traz mensagens subliminares, perfumando os ares nos tons e essências da alfazema. A chuva de Nanã nos redimensiona ao mesmo tempo em que nos faz colocar os pés no chão, dando a cada um o seu exato tamanho. A chuva de Nanã encharca o coração, que transborda em sentimentos. A chuva de Nanã cala fundo no espírito, revolvendo tudo o que há de público e de confidencial em nós.


Comentar Seja o primeiro a comentar

02/12/2012 - A chuva de Zeus

Por Zeus, pai dos deuses e dos mortais, que a chuva venha na medida certa das nossas necessidades. Zeus, ceifeiro das nuvens. Soberano dos céus. Senhor que lança os pingos d’água com sua mão direita sobre nós. O mesmo Zeus que alivia as noites quentes com uma fina garoa comanda tempestades. Manipula raios e trovões de acordo com o merecimento dos homens. O governante supremo, que zela pela harmonia entre todas as coisas, manda a chuva que madura o fruto e aquela que tomba a árvore. A chuva tem a alma de Zeus. É como ele chega até nós. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

Primeira   Anterior   1  2  3  4  5   Seguinte   Ultima