Daniel Campos

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Encontrados 362 textos. Exibindo página 29 de 37.

07/04/2010 - Chuva de tristezas e alegrias

As águas de março não se deram por satisfeitas a ponto delas alvejarem abril, o mês das cores de anil. São águas correntes correndo pelas ruas, pelas calçadas, pelos poentes. São águas cheias enchendo garagens e quartos e cozinhas. São águas traiçoeiras levando queridas e outras vidas em suas correntezas. São águas que afundam. São águas que inundam. São águas que vão arrastando o chão que firma nossos pés. É abril de Iemanjá. Estamos no ano da dona das águas. Abril de botas e guarda-chuvas. Abril de notas úmidas e paisagens turvas. Abril de águas doces tais como choro de viúva. ...
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06/04/2010 - Capítulo 9

Sebastian encontra o celular da mulher sobre sua cama. Realmente, ela o deixou ali. De propósito ou não, eis a dúvida que martela em sua cabeça. Mas há algo de errado: ele vasculha os arquivos do aparelho e não encontra mensagem alguma. Mas...

Mas e os recados que recebeu? Mas e a voz de Malena no telefone conversando com ele? E as acusações tão pessoais? É de enlouquecer qualquer um. Alguma coisa estranha está acontecendo. Seja o que for, faz-se necessário encontrar respostas. E rápido. ...
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01/04/2010 - Capítulo 8

A previsão de Sebastian se confirma. Mal chega ao trabalho e seu celular começa a tocar seguidas vezes. É Malena perguntando se agora ele está feliz por estar no meio de suas colegas. Pergunta se tais mulheres são mais bonitas que ela, se tais mulheres se vestem melhor que ela e se tais mulheres transam melhor que ela.

Sebastian diz que está prestes a entrar em um julgamento importante. E ela se revolta dizendo que o marido, no mínimo, deve estar ocupado com alguma daquelas oferecidas que trabalham com ele....
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30/03/2010 - Capítulo 7

De repente, o choro se transforma em raiva. Ignorando Micaela, Sebastian sobe as escadas à procura de Malena, que se maquiava para ir ao trabalho. Sem maldade, ela pergunta como foi sua conversa. Ele, transtornado, passa a mão pela penteadeira e joga pentes, cremes e estojos de maquiagem ao chão.

Enquanto ela se recupera do susto, ele esbraveja dizendo que ficou sozinho em um momento difícil. Aos berros, frisa que há tempos ela o tem deixado só, desamparado, abandonado...
...
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25/03/2010 - Capítulo 6

Depois de um banho demorado, Sebastian, tendo seu corpo envolto apenas pela corrente em ouro com pingente de São Miguel que não tira do pescoço por nada e uma toalha azul, acorda Malena com um beijo não menos azulado.

Entre abraços mais ousados, ela sussurra que ele precisa trocar de sabonete ou procurar um dermatologista, pois essa sudorese que lhe acompanha há semanas está insuportável.
Envergonhado, deixa a cama e se veste rapidamente, interrompendo assim qualquer possibilidade de romance....
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23/03/2010 - Capítulo 5

- Até você, Malena? Até você acredita nessa história de castigo? Acha que eu lhe roubei de seu ex-marido, que eu matei seu filho, que eu minto em relação a sua irmã, que eu abuso da minha autoridade de promotor? Acha que tudo de ruim que tem acontecido em nossas vidas é porque Deus resolveu me castigar?

- Não faça drama, Sebastian...

- Qual gênero quer que eu faça então, comédia?

- Deixa de sarcasmo. Para o seu bem é melhor não me irritar ainda mais. ...
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22/03/2010 - Carta póstuma a um avô

Sete dias se passaram. Tempo suficiente para um canteiro semeado de alface germinar. Tempo curto demais para colher as folhas de uma boa salada. Sete dias. O tempo de vida de uma mosca. Mas quem se interessa pela vida de uma mosca? Sete dias. Tempo o bastante para se curar uma gripe. Tempo demais para uma rosa. Tempo de menos para um espinho. Sete dias. Sete novas manhãs. Sete jantares. Sete voltas da Terra em torno de si mesma. Para os girassóis, sete giros. Para os vivos, sete dias a menos. Para os mortos, sete saudades. Para Deus, o tempo necessário para criar o mundo e ainda contemplar sua criação. ...
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18/03/2010 - Capítulo 4

Quando Sebastian, depois de duas voltas na chave e de incontáveis voltas de carro pela cidade, entra em casa, todos já estão em seus quartos. A única que perambula pelos corredores é Tita, empregada da família há mais de dez anos. Com voz apreensiva, pergunta se ele quer jantar, tomar café ou alguma outra bebida. Ele ignora a fala e sobe para o quarto. Mas o silêncio não dura muito.

Malena, sentada na cama com uma camisola colorida em tons de pêssego, quer saber como ele está e onde estava. Ele diz que está péssimo, vivendo um pesadelo. Ela tenta amenizar, mas, sem querer, provoca uma seqüência de ataques e contra-ataques:...
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16/03/2010 - Capítulo 3

Do alto da fachada renascentista da igreja de uma só torre, São Miguel Arcanjo, estático como convém a uma escultura de mármore, observa o espetáculo que improvisa seu palco na estreita calçada da Avenida Bartolomé Mitre.

Após colocar a enteada no chão e ganhar uma série de tapas contra o peito, Sebastian pergunta se Micaela tem consciência do que acabara de fazer. E as palavras, assim como os olhares e gestos, surgem carregadas de ira:

- A culpa é toda sua! Foi você quem me matriculou nesse colégio careta. “Escravas do Sagrado Coração de Jesus”, isso não combina comigo. Eu não agüento mais desperdiçar meus domingos tendo que vir a esta igreja embolorada e ouvir um padre caduco para mostrar que somos uma família perfeita. Já estou farta de fazer o que não quero, de ser o que não sou......
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12/03/2010 - Charada

A mulher amada tem sempre uma charada a ser decifrada à flor de seus lábios. Entre o querer e o poder, ela quer e pode. É ela quem decide se quer ou não que você a decifre. É ela quem pode ou não lhe ajudar a descobrir o que esconde em seu corpo, em sua alma. Não há nada mais misterioso do que o enredo que compõe a mulher amada. Nem cineastas como Alfred Hitchcock conseguiram criar atmosfera semelhante ao suspense que cerca a mulher amada.

Diante dela, não se sabe se algo bom ou ruim está para acontecer. Sabe-se apenas que o quê de mistério da mulher amada lhe devora aos poucos numa sucessão de angústias e aflições e desesperos. Expectativa e medo dão as mãos e esperam aflitos o desenrolar de um dos dramas que povoam a mulher amada. E o pior sentimento é a perspectiva de que não se pode interferir em absolutamente nada no tocante aos rumos de seu mundo. ...
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