Daniel Campos

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Encontrados 254 textos. Exibindo página 25 de 26.

27/12/2010 - Procura-se um conto

Há quem procure amores num banco de praça; bandidos por meio de cartazes e lugares em mapas geográficos e astrológicos. No entanto, eu, brasileiro, casado, profissão escritor, procuro por um texto. Um texto desaparecido, seqüestrado, roubado. Da última vez que o vi ele estava na tela do meu computador, bem guardado em uma pasta com segredo. Estava bem, ainda precisando de uma ou outra correção, mas praticamente acabado no que diz respeito à criação. Na verdade era um conto, mas não qualquer conto e sim um conto de fadas sobre uma menina que tinha pupilas coloridas. ...
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12/08/2010 - Procuração

Eu não sei o que acontece atrás daquelas janelas. O prédio é tão grande e o amor lá se esconde. Onde, onde, onde está você? Eu não lhe vejo. Aqui, de fora, tudo é tão igual. O mesmo desenho, a mesma cor, a mesma decoração. Onde está você? Dê um sinal. São tantos andares e você pode estar em tantos lugares. Meus olhares se perdem, se perdem e pedem: Dê um sinal. Como posso lhe encontrar se você é só mais uma pincelada nessa aquarela de Monet. Por quê?

São cortinas e persianas ocultando seu sorriso, deixando tudo tão impreciso entre nós. O concreto, a altura e o vidro abafam sua voz me chamando. Se é que me chama não consigo ouvir seus sussurros e canções. Como achar um só coração perdido no meio de centenas de apartamentos que estão trancados em pensamentos e sentimentos particulares. Não há sinal de um gato, de um vaso de flor, de uma toalha molhada pingando os pingos do seu corpo suado de calor e prazer... ...
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03/06/2011 - Procurando um anjo

Hoje, ela amanhece sem querer amanhecer. É como se as sombras de uma noite, que ficou tatuada em sua memória, encobrisse seu dia por completo. Somente as lágrimas, tão finas quão frias, são quem consegue romper a névoa de seus olhos. Hoje, essa mulher prefere não dizer nada. Cumpre o seu dia olhando para o passado, tentando compreender pela enésima vez o que aconteceu, buscando conforto num oceano de saudades e perdas, empenhando esforços para escrever outro final...

Hoje, ela dói por completo e se deixa doer. Seu cheiro é de dor, seus gestos são doridos, seus pensamentos são doloridos. Uma tristeza que pede colo e que, ao mesmo tempo, convida-a aos braços da solidão. É como se sua alma se encolhesse toda dentro de seu corpo deixando inúmeros espaços vazios. Ela remói os acontecimentos, obtém um suco amargo de realidade e se embriaga de uma ausência sem remédio. Ao longo do dia olha sucessivas vezes para dentro e para o alto, em busca de um céu....
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11/04/2012 - Procuras

Procura-se um sonho exilado. Procura-se um amor desmemoriado. Procura-se um santo realmente santo. Procura-se um pouco de encanto. Procura-se um verso esquecido. Procura-se um sentimento foragido. Procura-se um céu de carmim. Procura-se o eco de um bandolim. Procura-se um pouco de esperança. Procura-se uma temporada de bonança. Procura-se um caminho seguro. Procura-se um desejo puro.

Procura-se um tempo esquecido. Procura-se um louco varrido. Procura-se a hora que não tarda. Procura-se uma gata na noite parda. Procura-se um coração febril. Procura-se a terceira margem do rio. Procura-se o que há por trás do espelho. Procura-se o segredo do escaravelho. Procura-se a dama escarlate. Procura-se a criatura que não parte. Procura-se o pássaro ladrão. Procura-se o comboio da criação. ...
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05/08/2012 - Profecia de pintassilgo

O pintassilgo cantou que o sonho acabou. Podemos abandonar os ninhos, os céus, o nosso papel nesse destino cruel. As esperanças que não morrerem por causas naturais ou pela onda de pestes serão abatidas. A sangue frio a fantasia escorrerá como um rio. Dar-se-á, na imensidão do universo, lugar ao vazio do vazio do vazio do verso. O verso, mudo e surdo, como um copo vazio. Nada de arrepio. Nada de arredio. Nada de sementes nos canos do fuzil. E a dor não cessa nem com uma overdose de doril.
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Promessas de cacharrel

Os microfones dispostos em meio aos arranjos de flores envelhecidas aguardam o começo da cerimônia. Atrás de uma plaqueta com inscrições minúsculas, ela se escondia. Mas a mulher, respeitada em todo o mundo, doutorada em micro-partículas, era tomada por uma vontade de falar coisas macros. E no seu entender, o céu, o sol, o amor eram macros. Enquanto outros especialistas da área faziam análises ligadas ao comportamento humano diante das micro-partículas, ela queria falar de amor.

Uma sensação de falta de ar, embora alguns ventiladores tentassem imitar um vento que não existia. Faltava espaço. Uma multidão se aglomerava e se confundia. Os rostos tinham as mesmas expressões, os mesmos desenhos. As luzes frias roubavam o brilho que restava em alguns olhares. As flores se esparramavam secas, embora fosse primavera....
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28/09/2014 - Pronto para ser feliz

Ando assoviando por aí. Estou leve. Sem peso. Pronto para ser feliz, de verdade. Mereço ser feliz na mesma proporcionalidade direta que mereço fazer feliz. E quem diz o contrário, que se cale e respeite a minha felicidade. Não sou feito de tempo para viver de espera. Não sou galo da campina para viver de grão em grão. Não sou criança para viver assombrado com o que será que há. Não sou nascido para ser sofrimento. Sou de luz. E quem deseja ser sombra, que seja longe de mim. Eu sou da fartura de sentimento. Os avarentos de coração que me perdoem, mas estão desde já condenados ao inferno particular. Minha consciência segue em paz. Fiz tudo o que eu quis, fui eu mesmo o tempo todo e verdadeiro ao extremo com o que mais importa para mim – com o que sinto. E fazendo jus ao velho e certíssimo ditado: não choro por defunto ruim. Sigo bem, muitíssimo bem, comigo. Sempre respeitei minha natureza apaixonada. Quem ganhou com tudo isso fui eu, pois eu sigo inteiro com meus princípios e instintos. Não tenho do que me envergonhar ou arrepender. Sou o que sou e é isso que me faz digno de ser e fazer feliz.


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11/03/2012 - Prosa de bijuteria

Entre olhares de pedrarias e beijos de miçangas eu lhe encontro no colo dos colares. Sigo em seu corpo como um pingente folheado de desejo. Contas de saudade, fios de esperança. Uma sequência de pequenos detalhes. Cada argola é uma nova aliança, um novo voto, um novo casamento. E que nosso tempo não tenha fecho. Mas se tiver, que o fecho esteja quebrado. Abraços de couro. E uma paixão semipreciosa, presa em nós e mais nós de marinheiro.

Que nossos genes se cruzem nos emaranhados dos colares que seguem em seu colo. Que nosso destino seja o destino das pérolas brancas, negras, rosas, madrepérolas que laçam seu pescoço. Que nos casemos tão bem quanto as pedras e as fitas. Que as sementes de ilusão despertem num futuro próximo. Que haja equilíbrio perfeito entre o brilho e o fosco, entre o rústico e o sofisticado, entre o bruto e o delicado assim como entre você e eu....
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11/09/2010 - Prosa perguntadeira

De quantas decisões é feito um homem? De quantas pedras é feita uma caminhada? Com quantos romances se faz um grande amor? Com quantos cheiros se faz uma mulher? De quantos pontos é feito um caminho de crochê? De quantas montarias é feita um peão? Com quantos sóis se faz um fim de tarde? De quantas abelhas é feito o mel que há nos lábios de uma mulher?

De quantas gotas é feito o orvalho? Com quantas ondas se faz uma ressaca? De quantos vagalumes é feita a ursa maior? De quantas profecias é feito um futuro? De quantos grãos de areia é feito o tempo? De quantos brindes é feito um bom ano? De quantos pés é feito um milharal? Com quantos golpes se faz um nocaute? De quantos ventos é feito um catavento?...
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18/04/2011 - Prosador

Como um caçador da saudade, sento-me diante da máquina e busco a mulher amada, em momentos vividos ou somente imaginados, pelas teclas que se espalham sob minhas mãos. Como não sou de fumar, não tenho o artifício do cigarro. Como minha sala não tem janela, não vejo estrelas ou ondas de pássaros ou de um mar bravio. Sou eu e meus sonhos e minhas lembranças dividindo a mesma cadeira. Alívios e correrias. E é assim que letra a letra, espaço a espaço, ponto a ponto, vou compondo-a numa crônica, num conto, num poema... ...
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