Arquivo
2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008
jan | fev | mar | abr | mai | jun | jul | ago | set | out | nov | dez |
Encontrados 33 textos de janeiro de 2010. Exibindo página 3 de 4.
12/01/2010 -
Cachorro de bolso
Quando Eduarda chegou ao seu quarto, tarde da noite depois de uma festa de aniversário, encontrou um cachorro minúsculo no chão do quarto. De pronto, pegou o bichinho e colocou no bolso do vestido. Adorava vestidos de bolso para guardar ali todo tipo de tranqueira. Só estranhou que o bicho se remexia muito. Devia ser pilha nova. Além do mais, tinha outros brinquedos que se remexiam tanto quanto aquele. Levou a novidade para a pracinha, para a escola, para a igreja. E contava para todos que o tal brinquedo mexia como se fosse de verdade. ...
continuar a ler
Comentários (1)
11/01/2010 -
Antes, antes, antes
Antes que grite por socorro preciso lhe fazer desmaiar. Seja com um beijo de éter, com um abraço que lhe falte o ar ou com um choque anafilático de desejo. Antes que corra mundo afora preciso lhe prender, seja entre quatro paredes, entre linhas de um caderno ou, até mesmo, cortando suas asas de ave de rapina. Antes que desista de mim preciso lhe fazer desistir de você. Antes de cair em si preciso lhe fazer cair em mim. Em meus sonhos, em meus projetos em meu chão, que não é chão e sim teto.
...
continuar a ler
Seja o primeiro a comentar
10/01/2010 -
Um amor condenado
Ela sabia que se amasse estaria condenada à morte. O amor sempre apareceu como pistoleiro em sua vida. Depressões, dores, tiros, facadas, socos, pontapés, agressões, palavrões, bebedeira, tentativas de suicídio, ameaças... todos os seus relacionamentos lhe traziam um quê de morte. Por mais inocente que fosse a paixão ela se transformava em algo assombroso, digno de filme de terror ou de boletim de ocorrência.
Ela tinha medo. Mas não conseguia deixar de gostar, de amar, de jogar. Gostava de se jogar de cabeça em seus romances. Era ciumenta demais. Era possessiva demais. E traia demais. Seu amor não tinha sentido, não se sustentava, mas ela vivia enchendo a boca para dizer que amava e, pior, amava demais. Enlouquecia seus namorados, noivos, amantes. A doçura dos beijos e o inferno das atitudes. ...
continuar a ler
Seja o primeiro a comentar
10/01/2010 -
Big Blog Brasil
Eis que surge mais um ano eleitoral e com ele o desejo de que os discursos rompam fronteiras e conceitos, indo além da mesmice de mais educação, segurança e empregos.
Mais do que torcer para que haja uma mudança estratégica e essencial no modo de consumir e produzir o país a partir de uma ou outra promessa é necessário dar pitaco.
Por exemplo, que tal se inspirar no mundo virtual e encarar o Brasil como um grande blog? Palanque montado e expectativas online, eu peço o seu voto para:...
continuar a ler
Seja o primeiro a comentar
09/01/2010 -
Suspiro de Neruda
Antes do último suspiro, fez o último dos últimos pedidos. Queria ouvir novamente um poema de Neruda. Ora, veja se isso é hora de se preocupar com um poeta chileno. Podia ter pedido um legítimo escocês 20 anos, um chocolate suíço, um charuto cubano... A enfermaria virou uma confusão. Nenhuma das enfermeiras saberia declamar o tal poema que falava de amor, de juventude, de liberdade... O anestesista não gostava de poesia, o cirurgião só lia literatura inglesa e a médica chefe não quis mais saber dessas manifestações artísticas românticas depois que teve seu noivado desfeito. ...
continuar a ler
Seja o primeiro a comentar
08/01/2010 -
Jandaias
Como é bom acordar pela manhã e, ao saudar o dia recém-nascido, encontrar um casal de jandaias nas galhas desfolhadas por um outono fora de época. Equilibrando-se entre as cruzas dos ventos sudoestes, os enamorados periquitos realizavam uma espécie de dança naquela árvore do cerrado. De maneira bastante sutil, beijavam-se, agarravam-se, desejavam-se. O céu gritava azul ao contrate das duas jandais que insistiam em misturar seus corpos verdes.
A poucos metros de distância tentei escutar o que diziam. Mas como não entendo jandaês, pus-me a imaginar o cancioneiro poético que o macho soprava no ouvido da fêmea. Não estavam discutindo a relação, afinal a conversa era intimista demais. Também não falavam amenidades, pois as palavras motivavame e eram motivadas por carícias. Devia ser algo impróprio para o horário já que o barulho costumeiro das aves se restringia a sussurros. ...
continuar a ler
Seja o primeiro a comentar
07/01/2010 -
Sem papo
Eu não quero falar, ver, tampouco saber de você. Que você suma do mapa geográfico, político, astral. Que você desapareça sem deixar endereço, telefone e sequer ponto final. Que você enlouqueça, desapareça, vire às avessas que eu não ligo. Aliás, maldigo você do primeiro ao último instante. Que duvide, que revide, que olvide, mas se mantenha distante. Não me importo com o que faça, com o que seja, onde esteja. Vá com os diabos porque Deus está de férias. Ao menos, de férias para você.
Não me aborde mais. Não me escreva mais. Não me pense mais. Não insista mais em mim. Já estou para lá das fronteiras da delicadeza. Daqui por diante meu comportamento pode não ter a mesma nobreza. Invente outro caminho desde que ele não cruze com o meu. Faça qualquer coisa desde que não interfira em meus dias. Tome chá de sumiço, vire-se em seu reboliço, tome rumo num feitiço... mas sai daqui, daqui de perto, de perto de mim. Entenda de uma vez: é o fim. ...
continuar a ler
Seja o primeiro a comentar
06/01/2010 -
Como é bom te amar
Amar-te é bom como é bom te amar. É como esperar por um tempo muito quisto, é como acreditar em uma lenda, é como saborear um gosto que não sai da boca, amar-te é bom. É como se sentir a vida brotando pelos poros, florescendo desejos e fantasias pelas artérias que nos irrigam de prazer... Ai, como é bom te amar. Amar-te é bom como beijo de beija-flor, como vôo de condor, como ver o sol se pôr. É como reger uma orquestra de assovios, uma orquestração de rios que se contam e se encontram na expressão de como é bom te amar. ...
continuar a ler
Seja o primeiro a comentar
05/01/2010 -
Ponta do mar
É na ponta do mar que os pescadores casam suas histórias. É na ponta do mar que as redes se enroscam. É na ponta do mar que os peixes namoram. É na ponta do mar que as sereias capturam suas vítimas. É na ponta do mar que as ostras fazem as pérolas mais bonitas. É na ponta do mar que os veleiros queimam como parafina. É na ponta do mar que os náufragos pedem socorro. É na ponta do mar que a vida se divide como uma estrela, entre luz e escuridão.
É na ponta do mar que a maré enche. É na ponta do mar que o tubarão espreita. É na ponta do mar que o cardume tinge o azul. É na ponta do mar que surfista tira onda. É na ponta do mar que baleia encalha. É na ponta do mar que Netuno fincou moradia. É na ponta do mar que tem arraia e enguia. É na ponta do mar que as algas descansam. É na ponta do mar que as ondas quebram. É na ponta do mar que o sol se banha. É na ponta do mar que o mistério começa....
continuar a ler
Seja o primeiro a comentar
04/01/2010 -
Subir no telhado
Ela tinha vontade de subir no telhado. Mas isso não era coisa de menina. Ainda mais de uma menina de onze anos. Tinha que ter desejos menos perigosos, como uma boneca nova. No entanto, ela insistia na história do telhado seja com o pai, com a mãe, com a irmã, com a avó, com o tio, com a faxineira, com a professora. Chegaram a marcar uma consulta em um psicólogo infantil, mas, em razão do pai achar essa imersão na psicologia perigosa demais, a menina não precisou falar de sua vida para um profissional que tinha grandes chances de jamais ter subido em um telhado....
continuar a ler
Comentários (1)