Daniel Campos

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Hipocondríacos de amor

A cada dia sua poesia vai ficando mais moça
E a minha vida longe de você mais insossa
E a fantasia é só prazer é só querer é só poder
E que ninguém, meu deus, ouça
O que eu digo aos teus ouvidos
Eu quero é me perder nos seus olhos perdidos
Entre as montanhas e as castanhas
Entre as manhãs e as avelãs
Entre os algozes e as nozes
Contido no desejo que gozes

Seus seios vão crescendo em minhas mãos
E eu vou bebendo nas tabernas das suas pernas
Se seus pés vão pro norte e sua boca pro oeste
Logo eu vento um vento noroeste
Que vai revirando seus pelos e apelos
E nessa ventania nossos corpos se misturam
Como dois oceanos de suor e sangue
Tanto que minhas veias deságuam em suas veias
E a sua boca é a correnteza que me traga
Nessa poesia crescente da lua que nos alaga
Somos dois austríacos
Hipocondríacos de amor
Perdidos pelos campos de Praga.


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