Daniel Campos

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14/08/2011 - Vou indo de trem

Enquanto você não vem, vou indo de trem. Vou além das linhas, de onde alcance os olhos do maquinista. Não sei se lhe convém saber, mas vou de estação em estação à procura de um pouso. Se com alguém ou de ninguém, vou de trem. Sem você, viajo refém de uma esperança que já se cansa de pulsar em mim. Sem você, sou o mais recém-passageiro que arde nas fornalhas desse trem carmim. Sem você, sigo num vaivém entre querências e clemências. Vou com dezenas de vagões de canções e solidões e também ao lado das ilusões que me fazem pagar seus bilhetes. Vou de trem e lá se vai meu vintém, minha sorte, meu querer-bem.

Que horas você vai embarcar nesse trem? Será que é para agora ou vai ficar para o mês que vem? Não sei se vou poder lhe esperar, talvez eu não viva tanto quanto Matusalém. Há semanas eu apito aflito a sua procura nesse trem. Talvez na suburbana eu seja despejado como uma carga qualquer de saudade no fundo de um armazém. Com o passar do trem, o desespero se retém nos dormentes dos trilhos que vão ganhando dentes. Sem você, minha cabeça é um harém de porquês que não me fazem bem. Por favor, deixe de nhenhenhém e vem logo para esse trem.


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