Daniel Campos

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13/02/2012 - Rotina, rotina, rotina...

Olá rotina, quanto tempo? Parece que foi ontem. Lembro perfeitamente de seu rosto, de suas amarras, de sua loucura. Pensei estar livre de ti, mas é como se nunca me tivesse deixado. Nunca fui livre. Sempre tive você, rotina, emprenhada em minha carne, correndo em minhas artérias, enrolada em minha alma como uma serpente.

Depois de um tempo adormecida, acorda revigorada em sua força vital. Está ainda mais forte, mais presente, mais intensa. Rotina, mulher que aprisiona e, que fere e, que tira céu e chão, que tranca o destino, que devora sonhos e aleija a esperança. Rotina, mulher, velha e menina, parasita dos relógios e dos calendários.

Rotina, criatura sem misericórdia, escraviza, tortura, sanguessuga do tempo. Rotina que tudo quer, que tudo cerca, que tudo consome. Rotina, antifelicidade, poço da matéria, demônio encarnado no inconsciente coletivo. Rotina, inferno particular, catástrofe psíquica, morte diária.

Rotina, labirinto de chegadas e partidas, ferida que não cicatriza, fratura exposta, estrada sem saída, paixão proibida, vida aquém da vida.


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