Daniel Campos

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10/01/2011 - Morrer de amor, demodê?

Antigamente, entre poetas e plebeus, morrer de amor era um gesto nobre, digno de aplausos e suspiros. O amor transcendendo da carne para o espírito numa atitude romântica, sublime e sobre-humana.

Hoje não basta só morrer de amor. É preciso ressuscitar por amor, reencarnar por amor, tornar-se anjo por amor. Juras terrenas são pequenas e o suicídio é breve demais diante da promessa de esperar a criatura amada em outro plano e lá amá-la por toda eternidade. Fazer valer essa história de alma gêmea não é para qualquer um. Exige esforço, dedicação e fé. Fé em vida após a morte e fé em si mesmo. Afinal o que está em jogo é uma existência física.

Abortar uma série de anos, projetos e sonhos em prol de uma prova de amor é um ato, no mínimo, a ser considerado. E se a criatura amada fraquejar e antes de encontrar sua cara metade em outro plano encontrar um novo amor aqui mesmo na Terra? Riscos e mais riscos. Os romances estão cada vez menos duradouros. A editoria amor perde espaço para finanças e carreira. O amor deixou de ser o eixo principal de muitas vidas. O mundo mudou a ponto do ato de morrer de amor, nos dias de hoje, ser de um pieguismo ridículo.

Em caráter de urgência urgentíssima é preciso reinventar o amor.


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