Daniel Campos

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04/11/2008 - Chega de ilusão

É hora de arrumar as malas. O mundo vai acabar amanhã. E o que você vai levar? Sua falta de fé? Porque só embarcará quem conseguir enxergar além da superfície das coisas. Na outra dimensão, não existe o supérfluo. E tudo o que está a sua volta é ilusão. A matéria que forma os carros, as casas, os eletrodomésticos, as roupas, os corpos é moldada de acordo com interesses mundanos. Os coleguismos, amizades, transações comerciais não passam de ilusão. E ilusão negativa, obsessiva, destrutiva.

E o que sobra para colocar nas malas? Sentimentos! Você ainda tem alguns? Pois a vida devora virtudes, decepando-as, aniquilando-as, engessando-as. Quando você menos espera, seus sentimentos já se esvaíram. E você passa a viver de ilusões, de montagens, de encenações. Mas no momento em que todo esse cenário de contos de fadas ameaça desabar, resta-lhe o quê? Uma garrafa de vinho, uma chave de carro importando, uma carteira recheada de dólares, um vestido italiano, um contrato publicitário... será que é isso que você vai colocar nas malas?

Mas e se você, num ato de esperteza, quiser se colocar na mala. Bem, para isso a mala vai ter que ser um pouco maior, no formato exato de um... caixão! Isso mesmo! De que valerá você e seu mundo particular debaixo de sete palmos de terra. O estômago dos vermes que irão lhe devorar não é nada exigente. Tanto faz comer dólares ou real, seda italiana ou algodão, vinho ou vinagre... o que eles querem mesmo é a sua carne. Então, me responda: o que existe para além de sua carne? Ainda lhe resta alguma esperança?


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